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Faze o que tu queres serÁ o todo da Lei.

TAROT THOTH

 

ARCANOS MAIORES

 

OS 22 ATUS DO TAROT

     

Atu 0 - O Louco

Atu I - O Mago

Atu II - A Sacerdotisa

Atu III - A Imperatriz 

Atu IV - O Imperador 

Atu V - O Hierofante

Atu VI - Os Amantes

Atu VII - A Carruagem

Atu VIII - Ajustamento

Atu IX - O Eremita

Atu X - A Fortuna

Atu XI - Tesão

Atu XII - O Enforcado

Atu XIII - Morte

Atu XIV - A Arte

Atu XV - O Diabo

Atu XVI - A Torre

Atu XVII- A Estrela

Atu XVIII - A Lua

Atu XIX - O Sol

Atu XX - O Aeon

Atu XXI - O Universo

 

 

 

 

               
               
               
   

 

OS ATUS: MNEMÔNICA

 

א Verdade, riso, volúpia: Louco Sagrado do Vinho! Véu dilacerado, Loucura lasciva é iluminação sublime.
ב A Palavra da Sabedoria tece a teia de mentiras, une Infinidades irredutíveis.
ג Mãe, donzela da lua, companheira de folguedos, noiva de Pã; Ministro-Anjo de Deus para todo homem.
ד Beleza, exibe teu Império! A verdade acima do Alcance do Pensamento: a totalidade do mundo é Amor.
צ Genitor e iniciante, Imperador e Rei de todas as coisas mortais, salve o senhor da Primavera!
ו Sabedoria a cada um proporcional à sua necessidade por modalidades de Luz, derrama, grande Hierofante!
ז A cada um sua Compreensão realmente descobre sem palavras: seu modo, Gêmeos e Amantes imortais!
ח Contempla, a Carruagem! Através da água jorra o Santo Graal, vida e êxtase, do Vinho e do Sangue!
ט A Serpente-Leão gera Deuses! Teu trono a exuberante Besta, nossa Senhora Babalon!
י Sumamente secreta semente de todo o plano-serpente da Vida, Virgem, o Eremita vai, mudo Guardião.
כ Acelerada por suas energias trinas, a Roda da Fortuna gira: seu Eixo, imóvel.
ל Ajustamento! O ritmo se retorce através de cada ato. Selvagem é a dança; seu equilíbrio é exato.
מ Nas Profundezas de Mãe do Oceano o Homem-Deus Pende, Lâmpada do Abismo Æoniano.
נ Águia, e Serpente, e Escorpião! A Dança da Morte turbilhona Vida de Transe a Transe a Transe.
ס Solve, coagula! Por V.I.T.R.I.O.L. mostrado, a Tintura, o Elixir, e a Pedra.
ע IO PAN! Sobre os cumes o bode-Deus salta em luxúria selvagem de êxtase livre.
פ Bellona, grita! Desencapuza os Falcões! O estrondo de Universos esmagando-se na Guerra!
ה Nuit, nossa Senhora das Estrelas! Evento é todo Teu jogo, sublime Experimento!
ק Lua-feiticeira, sob teu aceno de sangue livre o admirável Barco profético do Escaravelho da Meia-noite!
ר O Sol, nosso Pai! Alma de Vida e Luz, ama e brinca livremente, sagrado em Tua visão!
ש Nuit, Hadit, Ra-Hoor-Khuit! O Æon da Criança Gêmea! Exulta, oh Empíreo!
ת O Nada se torna Tudo para realizar a extensão do nada, oh Universo perfeito de Pã.

Todas aquelas antigas letras do meu livro estão corretas; mas צ não é a Estrela. Isto também é secreto; meu profeta o revelará ao sábio.

 

0 ‒ O LOUCO

Esta carta é atribuída à letra Aleph, que significa boi, embora por sua forma a letra hebraica (assim é dito) represente uma relha de arado, de modo que a significação é primordialmente fálica. É a primeira das letras-mãe, Aleph, Mem e Shin que correspondem, de várias maneiras entrelaçadas, a todas as tríades que ocorrem nestas cartas, notadamente fogo, água e ar; Pai, Mãe e Filho; enxofre, sal e mercúrio; Rajas, Sattvas e Tamas. O traço realmente importante dessa carta é que seu número deve ser 0. Representa, portanto, o negativo acima da Árvore da Vida, a fonte de todas as coisas. É o zero qabalístico. É a equação do universo, o equilíbrio inicial e final dos opostos; o ar, nessa carta, por conseguinte, significa quintessencialmente o vácuo. No baralho medieval, o título da carta é Le Mat, adaptação do italiano Matto, que significa louco ou tolo; a propriedade desse título será considerada na sequência deste ensaio. Mas há outra, ou melhor (poder-se-ia dizer), uma teoria complementar. Se supusermos que o Tarô é de origem egípcia, será possível conjeturar que Mat (esta carta sendo a carta-chave do baralho inteiro) representa Maut, a deusa-abutre, que é uma modificação mais antiga e mais sublime da ideia de Nuit do que Ísis. Há duas lendas ligadas ao abutre. Supõe-se que ele possua um pescoço em espiral, o que possivelmente se refere à teoria (recentemente ressuscitada por Einstein, mas mencionada por Zoroastro em seus Oráculos) de que a forma do universo, a forma daquela energia que é chamada de universo, é espiral. Na outra lenda supõe-se que o abutre reproduza sua espécie mediante a intervenção do vento; em outras palavras, o elemento ar é considerado como o pai de toda a existência manifestada. Existe um paralelo disso na filosofia grega, na escola de Anaxímenes. Essa carta é, portanto, tanto o pai, quanto a mãe, sob a forma mais abstrata destas ideias. Não se trata de uma confusão, mas sim de uma identificação deliberada do macho e da fêmea, o que é justificado pela biologia. O óvulo fertilizado é sexualmente neutro. É apenas um elemento determinante que no curso do desenvolvimento que define o sexo. É necessário se aclimatar com isso, que é, à primeira vista, uma estranha ideia. Logo que se tenha decidido a considerar o aspecto feminino das coisas, o elemento masculino deve surgir imediatamente, no mesmo lampejo de pensamento, para contrabalançá-lo. Esta identificação é completa em si, filosoficamente falando. Será somente mais tarde que se considerará a questão do resultado da formulação do zero como mais 1 mais menos 1. O resultado de fazer-se deste modo faz surgir a ideia do Tetragrammaton.

A FÓRMULA DO TETRAGRAMMATON

Foi explicado neste ensaio que todo o Tarô é baseado na Árvore da Vida e que a Árvore da Vida é sempre cognata ao Tetragrammaton. Pode-se sintetizar a doutrina inteira muito resumidamente como se segue. A união do Pai e da Mãe produz gêmeos, o filho avançando para a filha, a filha devolvendo a energia ao pai. Através deste ciclo de mudança são asseguradas a estabilidade e a eternidade do universo. A fim de compreender o Tarô, faz-se mister voltar na história até a era matriarcal (e exogâmica), na qual a sucessão não se dava através do filho primogênito do rei, mas sim através de sua filha. O rei não era, portanto, rei por herança, mas por direito de conquista. Nas dinastias mais estáveis, o novo rei era sempre um estranho, um estrangeiro; e mais, ele tinha que matar o velho rei e casar com a filha deste rei. Este sistema garantiu a virilidade e capacidade de todo rei. O estranho precisava conquistar sua noiva numa competição aberta. Nos antigos contos de fadas, este motivo é continuamente reiterado. O ambicioso estranho é geralmente um troubadour, quase sempre disfarçado, com frequência sob forma repulsiva. A Bela e a Fera é um conto típico. Há, usualmente, uma camuflagem correspondente por parte da filha do rei, como no caso de Cinderela e da Princesa Encantada. A narrativa de Aladim proporciona o todo desta fábula sob uma forma muito elaborada, acondicionada com contos técnicos de magia. Eis aqui o fundamento da lenda do Príncipe Errante ‒ e, note bem, ele é sempre "o louco da família". A conexão entre loucura e santidade é tradicional. Não se trata de zombaria quando se decide que o parvo da família vá para a igreja. No Oriente, acredita-se que o louco seja possuído, um homem santo ou profeta. Esta identidade é tão profunda que está realmente embutida na linguagem. Silly (Tolo, estúpido, ingênuo, em Inglês) significa vazio ‒ o vácuo do ar ‒ zero, "os baldes vazios no convés". E a palavra deriva do alemão selig, santo, abençoado. É a inocência do Louco o que o caracteriza mais intensamente. Ver-se-á na sequência quão importante é este aspecto da história. Para assegurar a sucessão, concebia-se, portanto: primeiro, que o sangue real devesse ser efetivamente o sangue real, e segundo, que este procedimento fosse fortalecido pela introdução do estranho conquistador, em lugar de ser atenuado pela procriação consanguínea. Em certos casos, exagerava-se com esta teoria. Havia provavelmente muita tramoia a respeito desse príncipe sob disfarce. É possível que o rei, seu pai, lhe fornecesse cartas de apresentação bastante secretas; em suma, que o velho jogo político já fosse velho até naquelas épocas remotas. Tal costume, assim, evoluiu para a condição bem investigada por Frazer em A Rama Dourada (esta rama sendo, sem dúvida, um símbolo da própria filha do rei). "A filha do rei é toda gloriosa interiormente; seu traje é de ouro lavrado." Como teria ocorrido tal evolução? Pode ter havido uma reação contra o jogo político. Pode ter havido uma glorificação, antes de tudo do "fidalgo-assaltante", finalmente do mero chefe de quadrilha, mais ou menos como temos visto, no nosso próprio tempo, na reação contra o vitorianismo. As credenciais do "príncipe errante" foram meticulosamente examinadas; a não ser que fosse um criminoso fugitivo, não podia ser escolhido para a competição; tampouco era suficiente para ele conquistar a filha do rei numa competição aberta, viver no regaço do luxo até que o velho rei morresse e sucedê-lo pacificamente. Era forçado a assassinar o velho rei com suas próprias mãos. À primeira vista, pareceria que a fórmula é a união do extremamente masculino, a grande fera loura, com o extremamente feminino, a princesa que não conseguia dormir se houvesse uma ervilha sob seus sete leitos de penas. Mas todo este simbolismo derrota a si mesmo. O macio se torna o duro, o áspero se torna o liso. Quanto mais se sonda a fórmula, mais a identificação dos opostos se torna estreita. A pomba é a ave de Vênus, mas também é um símbolo do Espírito Santo, ou seja, do falo, sob sua forma mais sublimada. Não há, portanto, qualquer razão para surpreender-se com a identificação do pai com a mãe. Naturalmente, quando ideias tão sublimes se tornam vulgarizadas, deixam de exibir o símbolo com lucidez. O grande hierofante, frente a um símbolo inteiramente ambíguo, é obrigado, exatamente devido ao seu cargo de hierofante, ou seja, daquele que manifesta o mistério, a "rebaixar a mensagem para o cão". Tem que fazer isto exibindo um símbolo da segunda ordem, um símbolo que se ajuste à inteligência da segunda ordem de iniciados. Este símbolo, em lugar de ser universal, ultrapassando assim a expressão ordinária, precisa ser adaptado à capacidade intelectual de um conjunto particular de pessoas, as quais ao hierofante compete iniciar. Tal verdade, consequentemente, aparece para o vulgo como fábula, parábola, lenda e mesmo credo. No caso deste símbolo muito abrangente de O Louco, há no âmbito do conhecimento real, diversas tradições, completamente distintas, de grande clareza e, historicamente, de grande importância. Essas tradições devem ser examinadas em separado, de maneira que se possa compreender a doutrina única da qual todas brotaram.

O "HOMEM VERDE" DO FESTIVAL DA PRIMAVERA. "O BOBO DE PRIMEIRO DE ABRIL." O ESPÍRITO SANTO.

Esta tradição representa a ideia original adaptada à compreensão do camponês médio. O Homem Verde é uma personificação da influência misteriosa que produz os fenômenos da primavera. É difícil dizer por que tem de ser assim, mas é assim: há uma conexão com as ideias de irresponsabilidade, de desregramento, de idealização, de romance, de devaneio radiante. O Louco se agita dentro de todos nós no retorno da primavera; e, por estarmos um tanto desnorteados, um tanto constrangidos, pensou-se ser salutar o costume de se exteriorizar o impulso subconsciente mediante recursos cerimoniais. Era uma forma de facilitar a confissão. Relativamente a todos esses festivais, pode-se dizer que são representações sob a forma mais simples, sem introspecção, de um fenômeno perfeitamente natural. Deve-se observar, em particular, o costume do ovo de páscoa e do poisson d'avril [O Peixe do Salvador é abordado em outra parte deste ensaio. A precessão dos equinócios fez a primavera começar com a entrada do Sol em Áries (O Carneiro) em lugar de Pisces (Peixes), como foi o caso nas épocas mais primitivas].

O "GRANDE LOUCO" DOS CELTAS (DALUA)

Constata-se aqui um considerável avanço em relação aos fenômenos puramente naturais descritos logo acima. No Grande Louco existe uma doutrina definida. O mundo está sempre procurando um salvador, e a doutrina em pauta é filosoficamente mais do que uma doutrina: é um simples fato. A salvação, seja lá o que possa isto significar, não é para ser obtida mediante quaisquer termos razoáveis. Razão é um impasse, razão é danação; só a loucura, loucura divina, oferece uma saída. A lei do Ministro da Justiça não servirá; o legislador pode ser um condutor epilético de camelos como Maomé, um filho da fortuna provinciano e megalomaníaco como Napoleão, ou mesmo um exilado, três partes sábio, uma parte maluco, um morador de sótão em Soho, como Karl Marx. Há somente uma coisa em comum entre essas pessoas: são todas loucas, quer dizer, inspiradas. Quase todos os povos primitivos possuem essa tradição, ao menos sob forma diluída. Respeitam o lunático errante, pois pode ser que ele seja o mensageiro do Altíssimo. "Este estrangeiro esquisito? Vamos tratá-lo bondosamente. Talvez estejamos lidando com um anjo sem o saber". Estreitamente vinculada a essa ideia, está a questão da paternidade. Necessita-se de um salvador. O que se requer com certeza nas suas qualificações? Que não seja um homem comum (nos Evangelhos, as pessoas sofismavam em torno da afirmação de que Jesus era o Messias porque vinha de Nazaré, uma cidade perfeitamente conhecida, porque conheciam sua mãe e sua família; em síntese, argumentavam que ele não possuía qualificações para candidato a salvador). O salvador tem que ser uma pessoa peculiarmente sagrada; dificilmente se acredita que ele seja efetivamente um ser humano. No mínimo, sua mãe precisa ser uma virgem e, para se combinar a esta maravilha, seu pai não pode ser um homem ordinário; portanto, seu pai tem que ser um deus. Mas, como um deus é um vertebrado gasoso, urge que ele seja alguma materialização de um deus. Ótimo! Que ele seja o deus Marte, sob a forma de um lobo; ou Júpiter, como um touro, ou uma chuva de ouro, ou um cisne; ou Jeová, sob a forma de uma pomba; ou alguma outra criatura fantástica, de preferência disfarçado sob alguma forma animal. Há inúmeras formas dessa tradição, mas todas concordam em um ponto: o salvador só pode aparecer como o resultado de algum acidente extraordinário, absolutamente contrário a tudo que seja normal. A mais ínfima sugestão de alguma coisa razoável nesta matéria destruiria o argumento todo. Mas como é preciso contar com alguma figura concreta, a solução geral é representar o salvador como o Louco (tentativas no sentido de atingir esta condição aparecem na Bíblia; observe-se a "capa multicolorida" de José e de Jesus; é o bufão que livra seu povo da escravidão). Na sequência se verá como esta ideia está ligada àquela do mistério da paternidade, e também da iridescência do mercúrio alquímico em um dos estágios da Grande Obra.

O "RICO PESCADOR": PERCIVAL

A lenda de Percival, que integra o mistério do Deus-Peixe Salvador e do Sangraal, ou Cálice Sagrado, tem origem controvertida. Aparece, certamente, em primeiro lugar, na Bretanha, a terra mais amada da magia, a terra de Merlin, dos druidas, da floresta de Broceliande. Alguns eruditos supõem que a forma galesa desta tradição, que empresta muito de sua importância e sua beleza ao ciclo do rei Artur, é ainda mais antiga. Isto não tem relevância aqui, mas é vital compreender-se que a lenda, como aquela de O Louco, é puramente pagã originalmente e chega a nós através de recensões latino-cristãs: não há nenhum traço de quaisquer de tais matérias nas mitologias nórdicas (Percival e Galahad eram "inocentes": esta é uma condição da guarda do Cálice). Note-se, ademais, que Monsalvat, montanha da salvação, lar do Graal (Cálice), a fortaleza dos cavaleiros guardiões, fica nos Pirineus. Convém, aqui, introduzir a figura de Parsifal, porque ele representa a forma ocidental da tradição do Louco e porque sua lenda foi altamente elaborada por iniciados eruditos (a encenação dramática do Parsifal, de Wagner, foi arranjada pelo então chefe da O.T.O.). Parsifal, em sua primeira fase é Der reine Tor, O Louco Puro. Seu primeiro ato é atirar no cisne sagrado. É o desregramento da inocência. No segundo ato, é a mesma qualidade que o capacita a resistir aos agrados das damas no jardim de Kundry. Klingsor, o mago mau, que pensava em preencher as condições da vida pela auto-mutilação, vendo seu império ameaçado, arremessa a lança sagrada (que havia furtado da Montanha da Salvação) em Parsifal, mas esta se mantém suspensa sobre a cabeça do menino. Parsifal a agarra; em outras palavras, atinge a puberdade (esta transformação será vista nas outras fábulas simbólicas na sequência). No terceiro ato, a inocência de Parsifal amadureceu em santificação; ele é o sacerdote iniciado cuja função é criar. É Sexta-Feira Santa, o dia das trevas e da morte. Onde buscará ele sua salvação? Onde é Monsalvat, a montanha da salvação, que ele buscou por tanto tempo em vão? Ele venera a lança: imediatamente, o caminho, há tanto tempo fechado para ele, está aberto; o cenário muda rapidamente, não havendo necessidade para que ele se mova. Ele chegou ao Templo do Graal. Toda religião cerimonial verdadeira deve ser solar e fálica em caráter. É o ferimento de Amfortas que removeu a virtude do templo (Amfortas é o símbolo do deus que morre). Consequentemente, a fim de redimir toda a situação, destruir a morte, reconsagrar o templo, basta-lhe mergulhar a lança no Cálice Sagrado. Ele redime não só Kundry, mas a si mesmo (esta era, então, uma doutrina somente apreciável em sua plenitude pelos membros do Santuário Soberano da Gnosis do Nono Grau da O.T.O.).

O CROCODILO (MAKO, FILHO DE SET, OU SEBEK)

A mesma doutrina de máxima inocência evoluindo para máxima fertilidade é encontrada no antigo Egito no simbolismo do deus-crocodilo, Sebek. A tradição diz que o crocodilo era desprovido do meio de perpetuar sua espécie (comparar com o que foi mencionado anteriormente sobre o abutre Maut). Não a despeito disto, mas devido a isto, ele era o símbolo da energia criativa máxima (Freud, como se verá mais tarde, explica esta aparente antítese). Mais uma vez, o reino animal é invocado para desempenhar a função de gerar o redentor. Às margens do Eufrates os homens veneravam Oannes, ou Dagon, o deus-peixe. O peixe na qualidade de símbolo de paternidade, de maternidade, de perpetuação da vida geralmente, se reitera constantemente. A letra Nun (correspondente ao N e que em hebraico significa peixe) é um dos hieróglifos originais que representa essa ideia, aparentemente por causa das reações mentais estimuladas na mente pela contínua repetição dessa letra. Há, assim, diversos deuses, deusas e heróis epônimos cujas lendas são funções da letra N (com referência a esta letra, ver o Atu XIII). Está ligada ao norte e, assim, com os céus estrelados em torno da Estrela Polar; também com o vento do norte, e a referência é com os signos da água. Daí estar presente a letra Nun (N) nas lendas do dilúvio e dos deuses-peixes. Na mitologia hebraica, o herói pertinente é Noé. Note-se, inclusive, que o símbolo do peixe foi escolhido para representar o redentor ou falo, o deus cuja virtude faz o homem atravessar as águas da morte. O nome vulgar deste deus ao sul da Itália atualmente, e alhures, é pesce. E assim, também, sua contraparte feminina, kteis, é representada pela Vesica Piscis, a bexiga do peixe, e sua forma é continuamente exibida em muitas janelas de igrejas e no anel episcopal. (ICQUS, que significa peixe e, muito adequadamente, simboliza Cristo.)

O ANEL E O LIVRO

A palavra é um Notariqon de Iesous Christos Theou Huios Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador). Na mitologia de Yucutan eram os "antigos cobertos de penas que emergiam do mar". Alguns viram nesta tradição uma referência ao fato de o homem ser um animal marinho; nosso aparelho respiratório ainda possui guelras atrofiadas.

HOOR-PA-KRAAT

Ao atingir-se a teogonia altamente sofisticada, aparecerá um símbolo perfeitamente claro e concreto desta doutrina. Harpócrates é o deus do Silêncio, e este silêncio possui um significado muito especial. O primeiro é Kether, o ser puro, inventado como um aspecto do nada puro. Em sua manifestação, ele não é um, mas dois; ele só é apenas um porque é 0. Ele existe; EHEIEH, seu nome divino, que significa Eu sou ou Eu serei, é meramente outra maneira de dizer que ele Não É, porque o um não conduz a lugar algum, que é de onde ele veio. Assim a única manifestação possível é em dois, e esta manifestação tem que ser em silêncio, porque o número 3, o número de Binah, Compreensão, não foi ainda formulado. Em outras palavras, não há Mãe. Tudo que se tem é o impulso dessa manifestação e este tem que ocorrer em silêncio, quer dizer, há, até agora, não mais que o impulso, que é não formulado; é somente quando ele é interpretado que se torna a Palavra, o Logos (ver Atu I). Agora, que se considere a forma tradicional de Harpócrates. Ele é um bebê, isto é, inocente, e ainda sem atingir a puberdade; uma forma mais simples de Parsifal, ele é representado na cor rosa-cravo (rosa clara). É a aurora, a insinuação da luz prestes a chegar, mas de modo algum esta luz; ele tem uma mecha de cabelos negros encaracolados pela sua orelha, e esta é a influência do Altíssimo descendo sobre o chakra Brahmarandra. O ouvido é o veículo de Akasha, o Espírito. Este é o único símbolo que sobressai, é a única indicação de que ele não é meramente o bebê calvo, porque é a única cor na bolha de rosa-cravo. Mas na outra mão, seu dedo polegar está, ou contra seu lábio inferior, ou em sua boca, o que é não se pode dizer. Há aqui uma disputa entre duas escolas; se ele está pressionando seu lábio inferior, enfatiza o silêncio como silêncio, se seu polegar está na boca, enfatiza a doutrina de EHEIEH: Eu serei. De qualquer modo, no fim estas doutrinas são idênticas. Este bebê está num ovo azul, que é evidentemente o símbolo da Mãe. Esta criança, de certa maneira, não nasceu; o azul é o azul do espaço; o ovo está assentado sobre um lótus, e este lótus cresce no Nilo, sendo outro símbolo da Mãe, e o Nilo é também um símbolo do Pai fertilizando o Egito, Yoni (mas, também, o Nilo é o lar de Sebek, o crocodilo, o qual ameaça Harpócrates). Todavia, Harpócrates nem sempre é representado assim. Ele é mostrado por algumas escolas em pé; acha-se em pé sobre os crocodilos do Nilo (referência ao crocodilo de que se falou logo anteriormente, o símbolo de duas coisas exatamente opostas). Há, aqui, uma analogia. Um lembra Hércules ‒ o Hércules menino ‒ que fiava na roca da Casa das Mulheres, o outro lembra Hércules já homem forte, que era inocente, que foi, por fim, um louco que destruiu sua esposa e os filhos. É um símbolo cognato. Harpócrates é (num certo sentido) o símbolo da aurora no Nilo e do fenômeno fisiológico que acompanha o ato do despertar. Percebe-se na outra extremidade da oitava do pensamento a conexão desse símbolo com a sucessão ao poder real descrito anteriormente. O símbolo de Harpócrates ele mesmo tende a ser puramente filosófico. Harpócrates é também a absorção mística da obra da criação, a Hé final do Tetragrammaton. Harpócrates é, na verdade, o lado passivo de seu gêmeo, Hórus. E contudo, ao mesmo tempo, é um símbolo "de emplumamento completo para voar" dessa ideia, que é o vento, que é o ar, a impregnação da Deusa-Mãe. É imune a todo ataque devido a sua inocência, pois nesta inocência está o silêncio perfeito, o qual é a essência da virilidade. O ovo não é tão-somente Akasha, mas também o ovo original no sentido biológico. Este ovo brota do lótus, que é símbolo do yoni. Há um símbolo asiático cognato de Harpócrates e embora não se refira diretamente a esta carta, precisa ser considerado em conexão com ela. Trata-se do Buddha-Rupa. Ele é representado com mais frequência sentado sobre um lótus, e geralmente há atrás dele desdobrado o capelo da serpente. A forma deste capelo é, mais uma vez, o yoni (note-se os usuais ornamentos deste capelo, fálico e frutiforme). O crocodilo do Nilo é chamado de Sebek ou Mako, o Devorador. Nos rituais oficiais, a ideia é geralmente aquela do pescador, que deseja proteção dos assaltos de seu animal-totem. Há, contudo, uma identidade entre o criador e o destruidor. Na mitologia indiana, Shiva desempenha as duas funções. Na mitologia grega, dirige-se ao deus Pã como Pamphage, Pangenetor, o devorador de tudo, o gerador de tudo (note-se que o valor numérico da palavra Pan é 131, como o é o de Samael, o anjo destruidor hebraico). Além disso, no simbolismo dos iniciados, o ato de devorar é o equivalente à iniciação, como o místico diria "Minha alma é tragada em Deus" (compare com o simbolismo de Noé e a Arca, Jonas e a baleia, e outros). É preciso ter sempre em mente a bivalência de todo símbolo. Insistir em uma ou outra das atribuições contraditórias inerentes a um símbolo é simplesmente uma marca de incapacidade espiritual e isto acontece ininterruptamente devido ao preconceito. Constitui o mais simples teste de iniciação que todo símbolo seja compreendido instintivamente como contendo esse significado contraditório em si mesmo. Marque bem a passagem seguinte em The Vision and the Voice, pág. 136): "É mostrado a mim que este coração é o coração que se regozija, e a serpente é a serpente de Da‟ath, pois aqui todos os símbolos são intercambiáveis, pois cada um contém em si mesmo seu próprio oposto. E este é o grande Mistério dos Superiores que estão além do Abismo, pois abaixo do Abismo contradição é divisão, mas acima do Abismo, contradição é Unidade. E não poderia haver nada verdadeiro exceto por virtude da contradição que está contida em si mesma." Constitui característica de toda visão espiritual elevada a formulação de qualquer ideia ser imediatamente destruída ou cancelada pelo surgimento da contraditória. Hegel e Nietzsche tiveram lampejos desta ideia, mas ela é descrita de maneira completa e simples em The Book of Wisdom or Folly . Esse ponto em torno do crocodilo é de grande importância porque muitas das formas tradicionais de O Louco do Tarô mostram decididamente o crocodilo. Na interpretação ordinária da carta, os escoliastas dizem que a figura é a de um jovem alegre, descuidado com um saco cheio de loucuras e ilusões, dançando à beira de um precipício, insciente de que o tigre e o crocodilo mostrados na carta estão na iminência de atacá-lo. É a visão da Igrejinha Protestante. Mas para os iniciados esse crocodilo ajuda a determinar o significado espiritual da carta como retorno ao zero qabalístico original; é o processo da "Hé final" na fórmula mágica de Tetragrammaton. Por um movimento rápido do pulso, ela pode ser transmudada para reaparecer como o Yod original e repetir o processo todo a partir do início. A fórmula inocência-virilidade é novamente sugerida pela introdução do crocodilo visto ser esta uma das superstições biológicas na qual fundaram sua teogonia ‒ que o crocodilo, como o abutre, contava com um método misterioso de se reproduzir.

ZEUS ARRHENOTHELUS

Ao se lidar com Zeus, é-se colocado imediatamente frente esta deliberada confusão do masculino e o feminino. Nas tradições grega e latina acontece a mesma coisa. Dianus e Diana são gêmeos e amantes; tão logo um profere a feminino isto leva à identificação com o masculino, e vice-versa, tendo que ser o caso em vista dos fatos biológicos da natureza. É somente no Zeus Arrhenothelus que se obtém a verdadeira natureza hermafrodita do símbolo sob forma unificada. Este é um fato de grande monta, especialmente para o presente propósito, porque imagens desse deus aparecem e reaparecem na alquimia. É quase impossível descrever isto claramente; a ideia diz respeito a uma faculdade da mente que está "acima do Abismo", mas todas as águias bicéfalas com símbolos aglomerando-se em torno delas constituem indicações dessa ideia. O sentido último parece ser o de que o deus original é tanto macho quanto fêmea, o que é, está claro, a doutrina essencial da Qabalah; e a coisa mais difícil de entender a respeito da tradição posterior adulterada do Velho Testamento é que ele representa o Tetragrammaton como masculino a despeito dos dois componentes femininos. Zeus se tornou demasiado popular e, consequentemente, demasiadas lendas se agruparam em torno dele, mas o fato importante relativamente ao propósito em pauta é que Zeus era de maneira peculiar o Senhor do Ar. Homens que buscaram a origem da natureza nos tempos mais primitivos tentaram descobrir essa origem em um dos elementos (a história da filosofia descreve a controvérsia entre Anaximandro e Zenócrates, depois Empédocles). Pode ser que os autores originais do Tarô estivessem tentando promulgar a doutrina segundo a qual a origem de tudo era o ar. Entretanto, se assim fosse, transtornaria todo o Tarô tal como nós o conhecemos, já que a ordem de origem faz do fogo o primeiro pai. É o ar como zero que reconcilia a antinomia. Dianus e Diana, é verdade, eram símbolos do ar e os Vedas em sânscrito afirmam que os deuses da tempestade eram os deuses originais. Contudo, se os deuses da tempestade realmente presidiram a formação do universo como nós o conhecemos, eles eram certamente tempestades de fogo, com o que os astrônomos concordam. Mas esta teoria seguramente implica numa identificação do ar e o fogo, e parece como se eles fossem pensados como anteriores à luz, ou seja, ao Sol; anteriores à energia criativa, isto é, o falo, e esta ideia continuamente sugere, ela mesma, que existe aqui alguma doutrina contrária à nossa própria doutrina mais razoável: aquela na qual a confusão original dos elementos, o Tohu-Bohu, deve ser proposta como a causa da ordem, em lugar de como uma massa plástica na qual a ordem impõe a si mesma. Nenhum sistema verdadeiramente qabalístico faz do ar no sentido convencional o elemento original, embora Akasha seja o ovo do espírito, o ovo negro ou azul escuro. Isto sugere uma forma de Harpócrates. Neste caso, por "ar" entende-se realmente "espírito". E embora assim possa ser, o símbolo real é perfeitamente claro e deveria ser aplicado ao seu devido lugar.

DIONÍSIO ZAGREUS. BACO DIPHUES.

Convém tratar os dois deuses como um. Zagreus só tem importância com referência ao presente propósito porque possui chifres e porque (nos Mistérios de Elêusis) se dizia que ele foi despedaçado pelos titãs. Mas Atena salvou seu coração e o levou a seu pai, Zeus. Sua mãe era Deméter, sendo ele assim o fruto do casamento do Céu e da Terra, o que o identifica como o Vau do Tetragrammaton, mas as lendas de sua "morte" se referem à iniciação, o que está de acordo com a doutrina do Devorador. Nesta carta, entretanto, a forma tradicional é muito mais claramente expressiva de Baco Diphues, que representa uma forma mais superficial de veneração; o êxtase característico do deus é mais mágico do que místico. Este último requer o nome Iacchus, enquanto que Baco teve Sêmele por mãe, a qual foi visitada por Zeus sob a forma de um relâmpago que a destruiu. Mas ela já tinha sido engravidada por ele e Zeus salvou a criança. Até a puberdade, ele foi escondido na "coxa" (isto é, no falo) de Zeus. Hera, a título de vingança contra a infidelidade do marido com Sêmele, enlouqueceu o menino. Aqui reside a conexão direta com a carta. A lenda de Baco diz, antes de mais nada, que ele era Diphues, de dupla natureza, o que parece significar mais bissexual do que hermafrodita. A loucura dele é também uma fase de sua intoxicação, pois ele é preeminentemente o deus da vinha. Ele dança através da Ásia, circundado por vários companheiros, totalmente insano com entusiasmo; eles portam cajados encimados por pinhas e entrelaçados de hera; eles também percutem pratos e em algumas lendas estão munidos de Espadas, ou envolvidos por serpentes. Todos os semideuses da floresta são os companheiros masculinos das bacantes. Em suas ilustrações seu rosto ébrio e o estado lânguido de seu lingam o vinculam à lenda já mencionada sobre o crocodilo. Seu assistente constante é o tigre, e em todos os melhores exemplos existentes da carta, o tigre ou pantera é representado saltando sobre ele por trás, enquanto que o crocodilo está pronto para devorá-lo pela frente. Na lenda de sua jornada através da Ásia, dizia-se que ele montara um asno, o que o liga a Príapo, que, dizem, tinha sido seu filho com Afrodite. Isto também lembra da entrada triunfal em Jerusalém no Domingo de Palma. É curioso, ainda, que segundo a fábula do nascimento de Jesus, a Virgem-Mãe é representada estando entre um boi e um asno e lembramos que a letra Aleph significa boi. No culto de Baco havia um representante do deus, o qual era escolhido por sua qualidade de homem jovem e viril, mas efeminado. No desenrolar dos séculos, o culto naturalmente degradou-se. Outras ideias se somaram à forma original, e em parte devido ao caráter orgíaco do ritual, a ideia do Louco assumiu forma definida. Daí, ele passou a ser representado com um chapéu de Bobo, evidentemente fálico e trajado de bufão, o que novamente lembra a capa multicolorida envergada por Jesus e por José. Este simbolismo não é apenas mercurial, mas também zodiacal. José e Jesus, com doze irmãos, ou doze discípulos, igualmente representam o sol no meio dos doze signos. Foi só muito posteriormente que alguma significação alquímica foi atribuída a isso, e isto numa época na qual os sábios da Renascença conseguiram marcar algum ponto descobrindo alguma coisa séria e importante em símbolos que eram, na realidade, completamente frívolos.

BAPHOMET

É indubitável que esta misteriosa figura é uma imagem mágica dessa mesma ideia, desenvolvida em muitos símbolos. Sua correspondência pictórica é mais facilmente percebida nas figuras do Zeus Arrhenothelus e Babalon, e nas representações extraordinariamente obscenas da Virgem-Mãe encontradas entre os restos da iconologia cristã primitiva. Este assunto é tratado com certos detalhes em Payne Knight, onde a origem do símbolo e o significado do nome são investigados. Von Hammer-Purgstall estava seguramente certo ao supor Baphomet uma forma do deus-touro, ou melhor, o deus matador de Discos, Mithras, pois Baphomet deveria ser escrito com um "r" no final, sendo assim claramente uma corruptela que significa Pai Mithras. Há aqui também uma conexão com o asno, pois foi como um deus de cabeça de asno que se tornou um objeto de veneração por parte dos Templários. Os cristãos primitivos também foram acusados de venerar um asno ou deus de cabeça de asno, e isto, mais uma vez, está relacionado ao asno selvagem do deserto, o deus Set, identificado com Saturno e Satã (ver Atu XV). Ele é o sul, como Nuit é o norte: os egípcios possuíam um deserto e um oceano nesses quadrantes.

RESUMO

Pareceu conveniente abordar separadamente tais formas principais da ideia do Louco, mas nenhuma tentativa foi feita, ou deveria ser feita, no sentido de impedir a justaposição e fusão das lendas. As variações da expressão, mesmo quando contraditórias na aparência, devem conduzir a uma apreensão intuitiva do símbolo por meio de uma sublimação e transcendência do intelectual. Todos estes símbolos dos trunfos em última análise existem numa região além da razão e acima dela. O estudo destas cartas tem como objetivo mais importante o treinamento da mente de modo a pensar com clareza e coerência dessa maneira exaltada. Isto sempre foi característico dos métodos de iniciação tais como entendidos pelos hierofantes. No período confuso, dogmático do materialismo vitoriano, foi necessário à ciência desacreditar todas as tentativas de transcender o modo racionalista de abordagem da realidade; e, não obstante, foi o progresso da própria ciência que reintegrou esses diferenciais. A partir do próprio começo deste século, a ciência prática do mecânico e do engenheiro foi constrangida mais e mais a descobrir sua justificativa teórica na física matemática. A matemática tem sido sempre a mais severa, abstrata e lógica das ciências. Contudo, mesmo na matemática relativamente precoce do garoto de escola, o conhecimento tem que ser extraído do irreal e do irracional. Os números irracionais e as séries infinitas são as próprias formas radicais do pensamento matemático avançado. A apoteose da física matemática é agora a admissão do malogro em descobrir a realidade em qualquer ideia inteligível isolada. A moderna resposta à questão O que é alguma coisa? é que é relativamente a uma cadeia de dez ideias, qualquer uma delas que possa ser interpretada em termos das restantes. Os gnósticos teriam, sem dúvida, chamado isso de "uma cadeia de dez Æons". Essas dez ideias não devem de modo algum ser consideradas como aspectos de alguma realidade ao fundo. Da mesma maneira que a suposta linha reta que era a estrutura do cálculo se mostrou ser uma curva, o ponto que fora sempre tomado como o tipo de existência tornou-se o anel. É impossível duvidar que ocorre aqui uma aproximação continuamente mais estreita da ciência profana do mundo exterior da sabedoria sagrada do iniciado.

O desenho da carta em questão resume as principais ideias do que foi exposto anteriormente. O Louco pertence ao ouro do ar. Possui os chifres de Dionísio Zagreus e entre eles se acha o cone fálico de luz branca representando a influência proveniente da Coroa 30 atuando sobre ele. Ele é mostrado contra o fundo do ar, rompendo como aurora do espaço e sua atitude é daquele que explode inesperadamente sobre o mundo. Está trajado de verde, conforme a tradição da primavera, mas seus calçados têm o ouro fálico do sol. Em sua mão direita ele segura o bastão, encimado por uma pirâmide de branco, do Todo Pai. Na mão esquerda ele segura a pinha flamejante, de significado similar, porém indicando mais decididamente o crescimento vegetal; e de seu ombro esquerdo pende um cacho de uvas cor de púrpura. Uvas representam fertilidade, doçura e a base do êxtase. Este êxtase é mostrado pelo pedúnculo do cacho desdobrando-se em espirais dos matizes do arco-íris. A forma do universo. Isto sugere o Tríplice Véu do Negativo manifestando pela intervenção dele em luz dividida. Sobre esse verticilo existem outras atribuições da divindade: o abutre de Maut, a pomba de Vênus (Ísis ou Maria) e a hera sagrada para os seus devotos. Estão presentes também a borboleta de ar multicolorido e o globo alado com suas serpentes gêmeas, símbolo que tem eco e é fortalecido pelos infantes gêmeos que se abraçam na espiral mediana. Acima destes está suspensa a bênção das três flores em uma. O tigre faz festas para ele e sob seus pés no Nilo com suas hastes do lótus rasteja o crocodilo. Resumindo todas as suas muitas formas e muitas imagens multicoloridas no centro da figura, o foco do microcosmo é o sol radiante. A figura toda é um glifo da luz criativa.

ASPECTOS GERAIS: Potencial original, caos criativo, despreocupação. novo começo, partida para desconhecido, liberdade concedida pela loucura. leviandade.

VIDA PROFISSIONAL: Começar do zero, brincar com as mais diversas possibilidades, pausa produtiva, estar aberto para novas atividades, inexperiência profissional, planos caóticos, falta de responsabilidade.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Tornar-se consciente da abundância quase ilimitada de suas possibilidades, fazer um brainstorming.

RELACIONAMENTO: Vontade de curtir a vida, descontração, paquera, convivência afetuosa, encontro novo e revigorante, relacionamento aberto, experimentar.

ENCORAJA A: Experimentar algo novo de uma forma descontraída e divertida.

ALERTA SOBRE: Circunstâncias caóticas e frivolidade exacerbada.

COMO CARTA DO DIA: Você deve hoje estar aberto a tudo. Passe dia da forma mais descontraída possível, não leve nada muito a sério e encare até os "acontecimentos mais insólitos" com uma divertida curiosidade. Quanto menos você se prender a idéias às quais está habituado e às experiências já testadas e comprovadas, mais excitante e incomum será seu dia. Caso chegue à conclusão de ter hoje de recomeçar um determinado assunto do zero, então ouse um começo incomum, mais despreocupadamente possível. Permita-se, ao menos uma vez, um pouco de "loucura"!

COMO CARTA DO ANO: Este ano pode entrar para a história da sua vida como "significativo Ano Zero", no qual acontecerá um novo começo essencial. Tome consciência das muitas possibilidades que este mundo oferece àquele que esteja aberto a elas. Viva os próximos 12 meses como em uma eterna primavera. Dê férias por um ano — com todo respeito — à seriedade demasiada e à comprovada experiência de vida e tente encarar a vida com admiração e sem preconceitos. Deixe-se conduzir por sua curiosidade. Siga caminhos instintivamente, sem saber para onde eles levarão. Assim, você terá a chance de viver, no melhor sentido, algo excitante, libertando-se de uma normalidade cinzenta e de uma rotina desanimada. Em vista da despreocupação e da alegria de viver brincalhona do LOUCO. você poderá. ao final deste ano. até se sentir mais jovem do que se sente hoje.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura de um louco (O louco de Abril)

 

 

Loucura, despreocupação

Traje verde

 

 

Vitalidade, frescor

Solas das botas direcionadas para cima

 

 

Leveza

Cálice na mão direita emborcado
para baixo, fogo na esquerda

 

 

União de opostos (cálice = Elemento Água)

Uvas

 

 

Mel da vida, êxtase

Arco-íris, que circunda a cabeça

 

 

Ponte entre céu e a terra, êxtase da consciência

Três espirais ovais e circulares
ligadas umas às outras

 

 

Potencial evolutivo em três planos

Espiral com crocodilo e tigre

 

 

Forças arcaicas, natureza instintiva

Espiral com laço em forma de coração

 

 

O nível mais alto e sublime do coração

Espiral com crianças gêmeas e flor azul

 

 

Natureza alegre e ingênua, despreocupação
paradisíaca

Pomba, abutre (asa azul), sol alado e
borboleta

 

 

Símbolos de transformação que representam os ciclos de vida e morte

Ouros com símbolos astrológicos

 

 

Materialização dos princípios originais

Qabbala: Aleph א

 

 

Boi, relha do arado

Astrologia: Elemento Ar

 

 

Leveza, despreocupação

 

 

 

I ‒ O PRESTIDIGITADOR

Esta carta se refere à letra Beth, que significa casa, e é atribuída ao planeta Mercúrio. As ideias ligadas a este símbolo são tão complexas e tão multifárias que parece melhor vincular a esta descrição geral certos documentos que sustentam diferentes aspectos desta carta. O todo formará então uma base adequada para a interpretação plena da carta mediante estudo, meditação e uso. O título francês desta carta no baralho medieval é Le Bateleur, o portador do bâton. Mercúrio é preeminentemente o portador do bastão: energia emitida. Esta carta representa, portanto, a Sabedoria, a Vontade, a Palavra, o Logos pelos quais os mundos foram criados (ver o Evangelho segundo São João, capítulo I). Representa a Vontade. Em suma, ele é o Filho, a manifestação em ato da ideia do Pai. Ele é o correlativo masculino de A Alta Sacerdotisa. Que não haja confusão aqui por conta da doutrina fundamental do Sol e a Lua como a Segunda Harmonia para o lingam e o yoni, pois como se perceberá na citação de The Paris Working, o criativo Mercúrio tem a natureza do Sol. Entretanto, Mercúrio é o caminho conduzindo de Kether a Binah, a Compreensão e assim ele é o mensageiro dos deuses, representando precisamente esse lingam, a Palavra de criação cujo discurso é silêncio. Mercúrio, contudo, representa ação em todas as formas e fases. Ele é a base fluídica de toda transmissão de atividade e na teoria dinâmica do universo é, ele mesmo, a substância do universo. Ele é, na linguagem da moderna física, aquela carga elétrica que é a primeira manifestação do anel de dez ideias indefiníveis, como explicado anteriormente. Ele é assim criação contínua. Logicamente também, sendo a Palavra, ele é a lei da razão ou da necessidade ou acaso, que é o significado secreto da Palavra, que é a essência da Palavra e a condição de seu pronunciamento. Sendo assim, e especialmente porque ele é dualidade, ele representa tanto verdade quanto falsidade, tanto sabedoria quanto loucura. Sendo o inesperado, ele desestabelece qualquer ideia estabelecida e, portanto, é enganador. Ele não tem consciência, sendo criativo. Se não consegue atingir seus fins através de meios limpos, ele usa meios sujos. As lendas do jovem Mercúrio são, portanto, lendas da astúcia. Ele não pode ser compreendido porque ele é a Vontade Inconsciente. Sua posição na Árvore da Vida mostra a terceira Sephirah, Binah (Compreensão) como ainda por ser formulada; ainda menos a falsa Sephirah, Da‟ath, conhecimento. Do exposto acima parecerá que esta carta é a segunda emanação da Coroa, e, portanto, num certo sentido, a forma adulta da primeira emanação, O Louco, cuja letra é Aleph, a unidade. Estas ideias são tão sutis e tão tênues nestes planos exaltados do pensamento que a definição é impossível. Na verdade, não é sequer desejável, porque é da natureza dessas ideias fluírem uma para a outra. Tudo que se pode fazer é dizer que qualquer dado hieróglifo representa uma ligeira insistência sobre alguma forma particular de uma ideia pantomorfa. Nesta carta, a ênfase é sobre o caráter criativo e dualístico do caminho de Beth. Na carta tradicional, o disfarce é o de um prestidigitador. Esta representação do Prestidigitador é uma das mais grosseiras e menos satisfatórias do baralho medieval. Ele é usualmente representado com uma cobertura de cabeça de forma semelhante ao sinal do infinito em matemática (mostrado minuciosamente na carta chamada dois de Discos). Segura um bastão com uma saliência arredondada em cada extremidade, o que se ligava provavelmente à polaridade dupla da eletricidade; mas é também o bastão oco de Prometeu que traz fogo do céu. Sobre uma mesa ou altar, atrás do qual ele está de pé, estão as três outras armas elementares.

"Com a baqueta, Ele cria.
Com a Taça, Ele preserva.
Com a Adaga, Ele destrói.
Com a Moeda, Ele redime.
Liber Magi VV. 7‒10."

A carta que apresentamos aqui foi desenhada principalmente com base na tradição greco-egípcia, pois a compreensão dessa ideia foi certamente mais avançada quando essas filosofias modificaram-se reciprocamente do que em outra parte em qualquer época. A concepção hindu de Mercúrio, Hanuman, o deus-macaco, é abominavelmente degradada. Nenhum dos aspectos mais elevados do símbolo é encontrado em seu culto. A meta de seus adeptos parece principalmente ter sido a produção de uma encarnação temporária do deus enviando as mulheres da tribo todo ano ao interior da selva. Tampouco localizamos qualquer lenda de alguma profundidade ou espiritualidade. Hanuman é seguramente pouco mais que o macaco de Thoth. A principal característica de Tahuti ou Thoth, o Mercúrio egípcio, é em primeiro lugar ter a cabeça da íbis. A íbis é o símbolo da concentração porque se supunha que esta ave permanecia continuamente sobre uma perna, imóvel. Trata-se muito evidentemente de um símbolo do espírito meditativo. Pode ter havido também alguma referência ao mistério central do Æon de Osíris, o segredo guardado tão cuidadosamente do profano, que a intervenção do macho era necessária para a produção de filhos. Nesta forma de Thoth, ele é visto portando o bastão da fênix, simbolizando ressurreição mediante o processo generativo. Em sua mão esquerda está Ankh, que representa uma correia de sandália, ou seja, o meio de progresso através dos mundos, que é a marca distintiva da divindade. Mas, por sua forma, este Ankh (crux ansata) é realmente outra forma da Rosacruz, não sendo este fato talvez tal acidente como modernos egiptólogos, preocupados com sua tentada refutação da escola fálica de arqueologia, nos fariam supor. A outra forma de Thoth o representa primariamente como Sabedoria e Palavra. Ele segura na mão direita o estilo, na esquerda o papiro. Ele é o mensageiro dos deuses; transmite a vontade deles por meio de hieróglifos inteligíveis ao iniciado e registra os atos deles. Mas foi notado desde tempos remotos que o uso do discurso, ou escrita significou a introdução da ambiguidade na melhor das hipóteses e da falsidade na pior; representaram, portanto, Thoth seguido por um macaco, o cinocéfalo, cuja função era distorcer a Palavra do deus, arremedar, simular e ludibriar. Na linguagem filosófica, pode-se dizer: a manifestação implica na ilusão. Esta doutrina é encontrada na filosofia hindu, onde o aspecto do Tahuti de que estamos falando é chamado de Maya. Esta doutrina também é encontrada na imagem central e típica da escola Mahayana do budismo (realmente idêntica à doutrina de Shiva e Shakti). Uma visão dessa imagem será achada no documento intitulado O Senhor da Ilusão. A presente carta se empenha em representar todas as concepções acima expostas. E, contudo, nenhuma imagem verdadeira é possível de modo algum, pois primeiro, todas as imagens são necessariamente falsas como tais, e segundo, sendo o movimento perpétuo e sua taxa aquela do limite, c, o grau de velocidade de luz, qualquer êxtase contradiz a ideia da carta: esta figura é, portanto, dificilmente mais do que apontamentos mnemônicos. Muitas das ideias expressas no desenho estão bem expostas nos extratos de The Paris Working.

ASPECTOS GERAIS: Impulso inicial, atividade, poder de resolução, força de vontade, concentração, vitalidade, maestria, auto-realização, capacidade de imposição, destreza, perspicácia.

VIDA PROFISSIONAL: Tomar iniciativa, realizar tarefas com maestria, demonstrar concentração e habilidade, ter êxito, passar em provas, negociar com agilidade e esperteza, ludibriar os outros.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conscientização profunda, penetrar no consciente da totalidade.

RELACIONAMENTO: Fascinação, força de atração, solucionar problemas com competência, dar primeiro passo, aceitar a si e aos outros.

ENCORAJA A: Confiar em suas próprias capacidades e solucionar uma situação com habilidade.

ALERTA SOBRE: Querer forçar algo a todo custo.

COMO CARTA DO DIA: "Quem, se não você? E quando, se não agora?" é lema do dia. Não hesite em tomar a iniciativa. Você possui uma autoconfiança salutar, sabe que quer e pode, com a concentração necessária, alcançar habilmente seu objetivo. Você conseguirá realizar as suas tarefas com maestria. Hoje é dia ideal para tomar iniciativas ou para colocar as suas habilidades à prova. Mostre do que você é capaz, mantenha-se ágil e seguro nas conversas e nos negócios, e assim conseguirá conquistar os outros para os seus propósitos facilmente.

COMO CARTA DO ANO: Este ano promete ser para você extremamente bemsucedido. Você tem tudo nas mãos para fazer dele uma verdadeira obra-prima. Você poderá alcançar novos ápices em áreas com as quais está familiarizado, ou buscar novos pontos de interesse ou novas atividades, que lhe trarão satisfação e realização futuras. Com certeza, aparecerão também boas oportunidades para solucionar velhos problemas.Você não deve de jeito nenhum se menosprezar ou deixar que façam de tolo. Em vez disso, mostre do que você é capaz e tome a iniciativa, onde quer que seja necessário. Participe ativamente do desenrolar deste ano, prove que você tem um espírito empreendedor. Você possui agora a habilidade necessária, impulso certo e as melhores cartas para alcançar as suas metas, sejam elas na sua vida profissional ou particular. Qualquer coisa que você faça, terá boas perspectivas de tornar-se um sucesso!

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Malabarista que se equilibra na
montanha do inconsciente

 

 

Concentração e destreza intelectual inspirada

Tornozelo com par de asas

 

 

A força solar mental mais elevada, que ascende do inconsciente, consciência da totalidade

Triângulo lilás-claro

 

 

Transcendência translúcida

Fazer malabarismo com os Quatro Elementos

 

 

Leveza, segurança nas suas relações com a realidade

Moeda

 

 

Elemento Terra = ação

Espada

 

 

Elemento Ar = intelecto

Tocha

 

 

Elemento Fogo = força de vontade

Cálice

 

 

Elemento Água = sentimento

Ovo alado

 

 

Quinto Elemento = Quintessência

Cetro com cabeça de fênix

 

 

Poder, força auto-regeneradora

Flecha voando

 

 

Sede de conhecimento

Pergaminho

 

 

Ciência

Macaco ameaçador

 

 

Natureza instintiva, impulsividade

Qabbala: Beth ב

 

 

Casa

Astrologia: Mercúrio ☿

 

 

Habilidade, inteligência

 

 

 

II ‒ A ALTA SACERDOTISA

Esta carta se refere à letra Gimel, que significa camelo (o simbolismo do camelo é elucidado na sequência). A referência da carta é à Lua. A Lua (sendo o símbolo feminino geral, o símbolo da segunda ordem correspondendo ao Sol como o yoni corresponde ao lingam) é universal e vai do mais alto ao mais baixo. Trata-se de um símbolo que reaparecerá frequentemente nestes hieróglifos. Mas nos primeiros trunfos a concorrência é com a natureza abaixo do Abismo; A Alta Sacerdotisa é a primeira carta que liga a Tríade Superior com a Héxade, e seu caminho, como é mostrado no diagrama, produz uma conexão direta entre o Pai em seu aspecto mais elevado e o Filho em sua manifestação mais perfeita. Este caminho está em equilíbrio exato no Pilar do Meio. Há aqui, portanto, a mais pura e mais exaltada concepção da Lua (no outro extremo da escala está o Atu XVIII, q.v.). A carta representa a forma mais espiritual de Ísis, a virgem eterna, a Ártemis dos gregos. Ela está trajada tão-somente do véu brilhante de luz. É importante para a alta iniciação considerar a Luz não como a perfeita manifestação do Espírito Eterno, mas, preferivelmente, como o véu que oculta este Espírito. Ela assim o faz sumamente efetiva devido ao seu brilho incomparavelmente deslumbrante. Assim ela é luz e o corpo de luz. Ela é a verdade atrás do véu de luz. Ela é a alma de luz. Sobre os joelhos dela está o arco de Ártemis, que é também um instrumento musical, pois ela é caçadora e caça por encantamento. Agora que se considere esta ideia como a partir de detrás do Véu de Luz, o terceiro Véu do nada original. Esta luz é o mênstruo da manifestação, a deusa Nuit, a possibilidade da Forma. Esta manifestação primeira e maximamente espiritual do feminino toma para si um correlativo masculino ao formular em si mesma qualquer ponto geométrico a partir do qual se contempla a possibilidade. Esta deusa virginal é então potencialmente a deusa da fertilidade. Ela é a ideia por trás de toda a forma; logo que a influência da tríade desce abaixo do Abismo ocorre a conclusão da ideia concreta. Os capítulos seguintes, de The Book of Lies (falsely so-called), pode auxiliar o estudante a compreender essa doutrina por meio de meditação:

DIABOS DE PÓ
No Vento da mente, nasce a turbulência chamada Eu.
Ele rompe; inunda os pensamentos estéreis.
Toda vida é sufocada.
Este deserto é o Abismo onde está o Universo. As Estrelas são apenas cardos nesta aridez.
Contudo, este deserto é apenas um lugar amaldiçoado num mundo de glória.
Agora e novamente, Viajantes cruzam o deserto; eles vêm do
Grande Mar, e para o Grande Mar eles vão.
Enquanto caminham, eles derramam água; um dia eles irrigarão o deserto, até que floresça.
Vê, cinco pegadas de um Camelo! V.V.V.V.V.


No fundo da carta, há figuras nascentes, cristais, sementes, simbolizando o início da vida. No meio, está o Camelo que é mencionado no capítulo cotado acima. Nesta carta, está a ligação entre os mundos arquetípico e criativo.
Considerou-se este caminho, até aqui, pelo fato de ele descer direto da Coroa; mas para o Aspirante, ou melhor, para o Adepto que já está em Tiphareth, tendo alcançado o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião, este é o caminho que leva para cima; e esta carta, em um sistema chamado de "A Princesa da Estrela Prateada", simboliza o pensamento (melhor: a radiância inteligível) do Anjo. Em resumo, este é um símbolo da mais alta iniciação. Mas é uma condição da iniciação que suas chaves sejam comunicadas, por aqueles que as possuem, para todos os verdadeiros aspirantes. Esta carta é, portanto, um glifo muito peculiar do trabalho da A∴A∴. Uma ideia dessa fórmula é dada neste outro capítulo do Livro das Mentiras:

A OSTRA
Os Irmãos da A∴A∴ são um com a Mãe da Criança.
Os Muitos são adoráveis ao Um, como o Um o é para os Muitos.
Este é o Amor Destes; criação-parto é a Glória do Um; coito-dissolução é a Glória de Muitos.
O Todo, assim combinado com Estes, é Glória.
Nada está além da Glória.
O Homem delicia-se ao unir-se com a Mulher; a Mulher em parir uma Criança.
Os Irmãos da A∴A∴ são Mulheres: os Aspirantes à A∴A∴ são Homens.

É importante refletir que esta carta é inteiramente feminina, inteiramente virginal, pois representa a influência e o meio de manifestação (ou, de baixo, de obtenção) em si mesma. Representa possibilidade em seu segundo estágio sem qualquer começo de consumação. Cumpre observar, em particular, que as três letras consecutivas, Gimel, Daleth e Hé (Atu II, III, XVII) exibem o símbolo feminino (Yin) sob três formas compondo a Deusa Tri-una. Esta trindade é imediatamente seguida pelos três Pais correspondentes e complementares, Vau, Tzaddi, Yod (Atu IV, V, IX). Os trunfos 0 e I são hermafroditas. Os catorze trunfos restantes representam estas Quintessências Primordiais do Ser em conjunção, função ou manifestação.

ASPECTOS GERAIS: Guia interior, sabedoria, intuição feminina, visões, fantasia, mistério, disposição passiva, ser guiado.

VIDA PROFISSIONAL: Atividades terapêuticas, aptidão mediúnica e inspiradora, segurança instintiva.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão da mensagem dos sonhos, profundidade, vivenciar experiências espirituais.

RELACIONAMENTO: Atração profunda, união espiritual, compreensão, confiança mútua, deixar-se encontrar, disposição passiva.

ENCORAJA A: Confiar na sua voz interior.

ALERTA SOBRE: Deixar-se levar passivamente e simplesmente esperar por um milagre.

COMO CARTA DO DIA: Deixe que dia de hoje venha tranqüilamente ao seu encontro e observe, sem nenhuma intenção ou expectativa, que acontecerá. Deixe que os acontecimentos se desenrolem e só interfira neles quando a sua voz interior lhe disser que faça. Caso os seus afazeres permitam, observe hoje tranqüilamente que se passa em você, quando não está em atividade. O que passa por sua cabeça? Do que você sente necessidade subitamente? Não precisa para isso se obrigar a ficar parado; siga apenas os seus impulsos interiores. Você se surpreenderá com quão intenso e satisfatório será esse dia, aparentemente ocioso. Preste atenção aos seus sonhos em especial, pois eles podem lhe transmitir informações valiosas.

COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano cheio de mistérios. Se estiver disposto a deixar-se conduzir, você vivenciará não somente experiências enriquecedoras e inesquecíveis, como também entrará repetidas vezes em contato com forças ocultas; com a realidade por trás da realidade. Confie na sua intuição. Preste atenção à sua voz interior, que conduzirá na hora certa a lugares e pessoas que serão importantes para você no momento. Principalmente se estiver acostumado a ter na vida uma postura ativa e determinante, e não passiva e receptiva, você vivenciará este ano de ócio, após uma curta fase de adaptação, como um período muito satisfatório e extremamente fascinante. Talvez você possa começar a anotar os seus sonhos em um diário para, com passar do tempo, compreender cada vez melhor as mensagens e as sugestões do seu inconsciente e poder transpô-las para seu cotidiano.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura feminina coberta com um véu

 

 

Mistério, sabedoria oculta, inconsciente

Arco, curvado em forma de trompas de Falópio

 

 

Fertilidade, energia procriadora

Arco, que ao mesmo tempo é um
instrumento de cordas

 

 

Força inspiradora, sedução, aliciação

Arco e flecha como arma

 

 

Proteção contra intrusos indesejáveis

Véu prateado com textura quadriculada

 

 

Feminilidade em estado puro, encobrimento do mistério, padrão de sentimentos

Coroa de raios de luz em forma de meias-luas voltadas para cima

 

 

Disposição receptiva, chave para a verdade, conhecimento intuitivo

Sete meias-luas e coroa lunar

 

 

Sete esferas planetárias, que conduzem à visão do supremo

A lemniscata na frente dos olhos

 

 

Contemplação do Eterno

Flores, frutos, cristais, camelo

 

 

Fertilidade, abundância, mundo das estruturas, matéria

Qabbala: Gimel ג

 

 

Camelo

Astrologia: Lua ☽

 

 

Inconsciente, ânimo, premonição, sonho, sagacidade

 

 

 

III ‒ A IMPERATRIZ

Esta carta é atribuída à letra Daleth, que significa porta e se refere ao planeta Vênus. A carta é, a julgar pela aparência, o complemento de O Imperador, mas suas atribuições são muito mais universais. Na Árvore da Vida, Daleth é o caminho que conduz de Chokmah a Binah, unindo o Pai à Mãe. Daleth é um dos três caminhos que estão completamente acima do Abismo. Há, ademais, o símbolo alquímico de Vênus, o único dos símbolos planetários que abrange todas as Sephiroth da Árvore da Vida. A doutrina implícita é que a fórmula fundamental do universo é o Amor (o círculo toca as Sephiroth 1, 2, 4, 6, 5, 3; a cruz é formada por 6, 9, 10 e 7, 8). É impossível resumir os significados do símbolo da mulher por esta razão mesma, a saber, ela continuamente reaparece sob forma infinitamente variada. "A de muitos tronos, muitas disposições, muitas manhas, filha de Zeus." Nesta carta, ela é mostrada em sua manifestação mais geral. Combina as qualidades espirituais mais elevadas com as materiais mais baixas. Por esta razão, ela está apta a representar uma das três formas alquímicas da energia, o Sal. O Sal é o princípio inativo da natureza, é matéria que precisa ser energizada pelo Enxofre para preservar o equilíbrio rotativo do universo. Os braços e o tronco da figura, por conseguinte, sugerem a forma do símbolo alquímico do Sal. Ela representa uma mulher com coroa e trajes imperiais sentada a um trono, cujas colunas de apoio sugerem chamas azuis torcidas, simbolizadoras de seu nascimento da água, o feminino, elemento fluido. Em sua mão direita ela segura o lótus de Ísis, o lótus representando o feminino ou poder passivo; suas raízes estão na terra sob a água, ou na própria água, mas ele abre suas pétalas para o Sol cuja imagem é o bojo do cálice. É, portanto, uma forma viva do Cálice Sagrado (O Santo Graal) santificada pelo sangue do Sol. Empoleirados nas colunas de apoio em forma de chama de seu trono estão duas de suas aves mais sagradas, o pardal e a pomba. O ponto essencial deste simbolismo precisa ser buscado nos poemas de Catulo e Marcial. Há abelhas sobre seu manto e também dominós, circundados por linhas espirais contínuas. A significação é similar em toda parte. Em torno dela, como um cinto, se acha o zodíaco. Sob o trono há um piso coberto de tapeçaria bordada com flores-de-lis e peixes, os quais parecem estar adorando a rosa secreta, que é mostrada à base do trono. A significação destes símbolos já foi explicada. Nesta carta todos os símbolos são cognatos devido à simplicidade e pureza do emblema. Não há aqui nenhuma contradição; a oposição que parece existir é apenas a oposição necessária ao equilíbrio, o que é indicado pelas luas giratórias. A heráldica da Imperatriz é dupla: de um lado o pelicano da tradição alimentando seus filhotes do sangue de seu próprio coração, do outro, a águia branca do alquimista. Com referência ao pelicano, seu simbolismo total só estava disponível para iniciados do quinto grau da O.T.O. Em termos gerais, pode-se sugerir o significado identificando-se o próprio pelicano fêmea com a Grande Mãe e sua prole, com a Filha na fórmula do Tetragrammaton. É porque a filha é a filha de sua mãe que ela pode ser guindada ao seu trono. Em outras palavras, há uma continuidade da vida, uma herança de sangue, que junta todas as formas da natureza. Não há ruptura entre luz e trevas. Natura non facit saltum (A natureza não dá saltos). Se estas considerações fossem inteiramente entendidas, possibilitaria a reconciliação da teoria quântica com as equações eletromagnéticas. A águia branca neste trunfo corresponde à águia vermelha da carta-consorte, O Imperador. Aqui é preciso trabalhar em sentido inverso, pois nestas cartas mais elevadas se acham os símbolos da perfeição; tanto a perfeição inicial da natureza quanto a perfeição final da arte; não apenas Ísis, mas também Néftis. Consequentemente, as minúcias do trabalho pertencem a cartas subsequentes, especialmente Atu VI e Atu XIV. Ao fundo da carta está o arco ou porta, que é a interpretação da letra Daleth. Esta carta, em síntese, pode ser denominada Porta do Céu. Contudo, devido à beleza do símbolo, devido à sua apresentação omniforme, o estudante que está deslumbrado por qualquer dada manifestação pode extraviar-se. Em nenhuma outra carta é tão necessário desconsiderar as partes para se concentrar no todo.

ASPECTOS GERAIS: Crescimento, potencial criativo. força intuitiva, inovações, gravidez, nascimento, solicitude.

VIDA PROFISSIONAL: Atividade criativa, boas chances de crescimento e desenvolvimento, transformações profissionais, senso apurado para as tendências e ciclos nos negócios, criação de novos conceitos, cuidar com carinho do que lhe foi confiado.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Ter uma visão do eterno ciclo de nascimento e morte.

RELACIONAMENTO: Desenvolvimento intenso, sensualidade benéfica. profunda confiança, aumento da família, proteção e aconchego. perspectivas novas e boas, reativação de um vínculo antigo.

ENCORAJA A: Confiar na capacidade de crescimento da vida e estar aberto a mudanças.

ALERTA SOBRE: Não se deixar levar por processos desenfreados e não desperdiçar as oportunidades.

COMO CARTA DO DIA: Alegre-se pelo dia de hoje. Ele promete ser extremamente excitante. Talvez você seja levado para ar livre, onde espírito e a alma possam se revigorar. Porém, também no seu cotidiano soprará um vento estimulante que trará idéias criativas e impulsos frutíferos. Algo que já vem crescendo há muito tempo dentro de você pode hoje vir à tona, e que estava até agora estagnado receberá um impulso forte de crescimento. O que você iniciar hoje tem boas perspectivas de desenvolver-se magnificamente, pois seu excelente senso de compreensão dos processos naturais de desenvolvimento conduzirá. instintivamente. a fazer o que é certo.

COMO CARTA DO ANO: Você está diante de um ano fértil. Os próximos 12 meses estarão sob signo das transformações criativas e chances favoráveis de crescimento. Prepare bem seu terreno, para que você possa fazer uma colheita farta no final. O momento é favorável para começos promissores, nos quais que importa é se expressar mais e utilizar melhor as suas capacidades. Abra-se a impulsos estimulantes e fecundantes, , quais tornarão a sua vida mais rica e mais bela. Inclusive, algo que você vem "gerando" dentro de si há muito tempo agora pode se concretizar e lhe proporcionar uma nova realização. Tenha confiança na força auxiliadora e curativa da Natureza.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura de uma mulher trajada com um vestido verde e rosa, com uma coroa lunar verde e uma cruz que simboliza soberania

 

 

Mãe Natureza, união com a terra,
soberania terrena

Cinto decorado com signos do
zodíaco

 

 

Senhora das estações do ano

Colunas do trono em forma de chamas azuis

 

 

A água original, da qual surgiu a vida

Posição do tronco e dos braços

 

 

Símbolo alquímico do sal

Abelhas no traje cor-de-rosa

 

 

Dedicação, fertilidade, pureza

Meias-luas crescente e decrescente

 

 

Ciclo da vida de nascimento e morte

Cetro em forma de um lótus na mão
direita

 

 

Criatividade feminina, vitalidade e beleza que desabrocham do colo feminino

Mão esquerda aberta

 

 

Receptividade, entrega

Pardal nas costas da Imperatriz

 

 

Sensualidade latente

Posicionamento e olhar para pomba

 

 

Caráter pacífico

Escudo com águia dupla branca

 

 

Consciência feminina lunar

Qabbala: Daleth ד

 

 

Portal

Astrologia: Vênus ♀

 

 

Sensualidade, abundância e deleite

 

 

 

IV ‒ O IMPERADOR

Esta carta é atribuída à letra Tzaddi e se refere ao signo de Áries no zodíaco. Este signo é regido por Marte e aí o Sol é exaltado. Este signo é assim uma combinação de energia em sua forma mais material com a ideia de autoridade. O sinal TZ ou TS sugere isso na forma original, onomatopaica da linguagem. É derivado de raízes do sânscrito significando cabeça e idade e é encontrado hoje em palavras como Caesar, Tsar, Sirdar, Senate, Senior, Signor, Señor, Seigneur. A carta representa uma figura masculina coroada, de vestes e insígnias da dignidade imperial. Está sentado no trono cujos remates de coluna são as cabeças do carneiro selvagem do Himalaia, já que Áries significa carneiro. Aos seus pés, deitado com a cabeça levantada está o cordeiro com o estandarte para confirmar essa atribuição no plano inferior, pois o carneiro, por natureza, é um animal selvagem e corajoso se solitário em sítios solitários, enquanto que quando domesticado e forçado a repousar em pastos verdes, é reduzido a um animal dócil, covarde, gregário e suculento. Esta é a teoria do governo. O Imperador é também uma das mais importantes cartas alquímicas, constituindo com o Atu II e III a tríade: Enxofre, Mercúrio, Sal. Seus braços e cabeça formam um triângulo ereto; abaixo, as pernas cruzadas representam a cruz. Esta figura é o símbolo alquímico do Enxofre (ver Atu X). O Enxofre é a energia ígnea masculina do universo, o Rajas da filosofia hindu. Esta é a energia criativa ágil, a iniciativa de todo o Ser. O poder do Imperador é uma generalização do poder paterno, daí tais símbolos como a abelha e a flor-de-lis, exibidos nesta carta. Com referência à qualidade desse poder, é forçoso notar que ele representa atividade súbita, violenta, porém não pertinente. Se persistir tempo demais, queima e destrói. Trata-se de energia distinta da energia criativa de Aleph e Beth: esta carta está abaixo do Abismo. O Imperador porta um cetro (encimado pela cabeça de um carneiro pelas razões já expostas) e uma esfera encimada por uma cruz de Malta, que significa que sua energia atingiu uma emissão bem sucedida, que seu governo foi estabelecido. Há ainda outro símbolo importante. Seu escudo representa a águia bicéfala coroada por um disco carmesim. Isto representa a tintura vermelha do alquimista, da natureza do ouro, como a águia branca mostrada no Atu III pertence à sua consorte, a Imperatriz, e é lunar, de prata. Deve-se finalmente observar que a luz branca que desce sobre ele indica a posição desta carta na Árvore da Vida. A autoridade do Imperador provém de Chokmah, a sabedoria criativa, a Palavra, e é exercida sobre Tiphareth, o homem organizado.

ASPECTOS GERAIS: Senso de realidade. disposição para assumir responsabilidades, energia, segurança, continuidade, liderança, retidão de caráter, senso prático.

VIDA PROFISSIONAL: Estabilidade e estruturas claras, consolidação, realização de planos, desenvolvimento de projetos com clareza, posição de liderança, disciplina e perseverança, perfeccionismo.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Valorizar tanto estruturas organizacionais como também raciocínio lógico e realista.

RELACIONAMENTO: Acordos claros, fundamento estável, estruturas no relacionamento de eficácia já comprovada, relações ordenadas, realização de objetivos comuns.

ENCORAJA A: Realizar intenções e planos com perseverança.

ALERTA SOBRE: O perigo de sufocar a vitalidade por causa de uma sobriedade e um perfeccionismo exagerados.

COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve executar as suas tarefas com coerência. Comece agora algo que tenha de ser realizado ou que você gostaria de já ter feito há muito tempo, independentemente do que seja.Você possui agora a energia suficiente, a habilidade e a coerência necessárias para colocar as coisas em ordem, esclarecer dúvidas e concluir tarefas inacabadas. Caso não lhe ocorra nenhuma idéia concreta sobre que você deve fazer. talvez seja apenas caso de arrumar a sua casa a fundo, consertar a sua bicicleta ou pagar contas antigas.

COMO CARTA DO ANO: Você tem pela frente um ano de ação. Idéias que você tenha até agora maquinado, coisas que você venha há tempos desejando e intenções que você já tenha talvez manifestado várias vezes serão postas à prova de viabilização. Concretize que é viável e elimine todo peso desnecessário. Nos próximos 12 meses, você agirá com mais disciplina, perseverança e coerência do que em outras épocas. Analise quais metas você realmente gostaria de alcançar e de que forma gostaria de aproveitar essa fase. "Perseverança maleável" é lema mágico que lhe possibilitará seguir fio da meada, até que possa concretizar seus propósitos. A sua tarefa para este ano pode consistir, evidentemente também, em tomar decisões com as quais você se comprometa, em defender que já foi alcançado, em definir limites claros ou assumir mais responsabilidade com relação a si mesmo.

SÍMBOLOS:

 

SIGNIFICADOS:

Figura majestosa de um homem em
trajes vermelhos bordados de
dourado

 

Força, atividade, autoridade, magnificência, poder

Pernas cruzadas e, acima destas,
braços e tronco formando um
triângulo

 

Símbolo alquímico do enxofre ,energia masculina

Abelhas douradas no traje

 

Dedicação, senso de disciplina, realeza (atributo do Faraó)

Cetro com cabeça de carneiro

 

Legitimação de autoridade, poder e desejo de imposição, coragem

Globo imperial com Cruz de Malta

 

Poder consolidado, direito e disciplina como condições para paz e segurança

Coroa com diamantes

 

Cristalização da vontade e poder

Cabeças de carneiro

 

Alusão à associação dessa carta com Áries

Escudo com águia dupla

 

Consciência solar e masculina

Dois discos solares com estrelas

 

Retidão, continuidade

Cordeiro com bandeira da vitória

 

Vitória da humildade

Lírios dourados

 

Atributo do poder

Qabbala: Tzaddi צ

 

Anzol

Astrologia: Áries ♈

 

Capacidade de imposição, vontade

 

 

V ‒ O HIEROFANTE

Esta carta se refere à letra Vau, que significa prego, sendo que nove pregos aparecem no alto da carta, os quais servem para fixar o oriel atrás da principal figura da carta. A carta é referida a Touro, de sorte que o trono do Hierofante é circundando por elefantes, que participam da natureza de Touro, estando o Hierofante realmente sentado sobre um touro. Ao redor dele estão as quatro bestas ou Kerubs, uma em cada canto da carta, visto que estes são os guardiões de todo santuário. Mas a principal referência é ao arcano particular que constitui o negócio maior, o essencial, de todo trabalho mágico: a união do microcosmo ao macrocosmo. Consequentemente, o oriel é diáfano. Diante do manifestador do Mistério há um hexagrama representando o macrocosmo e no centro deste um pentagrama, contendo e representando uma criança do sexo masculino dançando. Isto simboliza a lei do novo Æon da criança Hórus, o qual suplantou o Æon do deus que morre, que governou o mundo por dois mil anos. Também diante do Hierofante está a mulher com a espada à cintura, que representa a Mulher Escarlate na hierarquia do novo Æon. Este simbolismo é adicionalmente efetivado no oriel, onde, por trás da cobertura fálica de cabeça, a rosa de cinco pétalas desabrocha. O simbolismo da serpente e da pomba faz alusão a este versículo de O Livro da Lei (cap. I, v. 57): “... pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente.” Este símbolo reaparece no trunfo de número XVI. O fundo da carta toda é o azul escuro da noite estrelada de Nuit, de cujo útero nascem todos os fenômenos. Touro, o signo do zodíaco representado por esta carta, é ele mesmo o Kerub-Touro, ou seja, a Terra sob sua forma mais forte e mais equilibrada. O regente desse signo é Vênus, que é representado pela mulher em pé diante do hierofante. No capítulo III de O Livro da Lei, versículo xi, se lê: “Que a mulher seja cingida com uma espada diante de mim”. Esta mulher representa Vênus como ela agora está neste novo Æon, não mais o mero veículo de seu correlativo masculino, mas armada e militante. Neste signo a Lua é “exaltada”; sua influência é representada não só pela mulher como também pelos nove pregos. É impossível na atualidade explicar esta carta na sua inteireza pois somente o curso dos eventos poderá mostrar como a nova corrente de iniciação funcionará. É o Æon de Hórus, da criança. Embora o rosto do Hierofante pareça benigno e sorridente e a própria criança pareça alegre com desregrada inocência, é difícil negar que na expressão do iniciador há algo misterioso, mesmo sinistro. Ele parece estar gozando uma piada muito secreta às custas de alguém. Há um aspecto distintamente sádico nesta carta, e naturalmente, considerando-se que ela provém da lenda de Pasiphae, o protótipo de todas as lendas dos deuses-touro. Estas ainda persistem em religiões como o saivismo e (depois de múltiplas degradações) no próprio cristianismo. O simbolismo do bastão é peculiar; os três anéis entrelaçados que o encimam podem ser tomados como representativos dos três Æons de Ísis, Osíris e Hórus com suas fórmulas mágicas que se entrosam. O anel superior está marcado de escarlate para Hórus, os dois inferiores de verde para Ísis e amarelo pálido para Osíris, respectivamente. Todos estes estão baseados no azul escuro, a cor de Saturno, O Senhor do Tempo, pois o ritmo do Hierofante é tal, que ele se move apenas a intervalos de 2.000 anos.

ASPECTOS GERAIS: Confiança, busca da verdade, percepção do sentido das coisas, força persuasiva, virtude, expansão da consciência, força da fé.

VIDA PROFISSIONAL: Atividade que tenha um sentido, seguir uma vocação. ética de trabalho elevada, ensino, aperfeiçoamento, confiança nas próprias capacidades.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Passar por uma experiência profunda que leve à compreensão do sentido das coisas, desenvolver confiança em Deus, ampliar sua visão de mundo, exame de consciência.

RELACIONAMENTO: Confiança profunda, harmonia, declaração de amor, princípios morais sólidos, reconhecer e estimar sentido e valor do relacionamento.

ENCORAJA A: Sair em busca de sentido e fazer algo significativo.

ALERTA SOBRE: Presunção arrogante e uma mania dogmática de sempre ter razão.

COMO CARTA DO DIA: Vá ao encontro do dia com uma confiança salutar em Deus. Você tem todos os motivos para estar confiante e, além disso, boas possibilidades de realizar ou vivenciar algo realmente significativo. Não se prenda a rituais enrijecidos e não dê ouvidos a frases ocas e promessas vazias. Saia em busca do que é realmente fundamental, de valores ocultos e intrínsecos, e não se deixe impressionar por aparências. Caso você caia em um conflito de interesses, tome uma decisão de tal forma que daqui a alguns anos você possa lembrar desse dia com a consciência tranqüila.

COMO CARTA DO ANO: A questão agora é sentido. Se você já se perguntou várias vezes porquê de ter de fazer algo, ou para que serve isso tudo. então você terá, nos próximos 12 meses, tempo e oportunidade de encontrar uma resposta convincente. Para isso, você deve rever especialmente a validade dos seus princípios de fé. Não importa a quais dogmas, valores morais ou preconceitos — que talvez lhe tenham sido impostos na infância — você esteja preso. É chegada a hora de substituí-los por opiniões vivas e convincentes, correspondentes ao seu amadurecimento de vida. Indiferentemente se isso diz respeito a uma situação específica ou ao sentido da vida em si, neste ano você terá a possibilidade de reconhecer que lhe é realmente importante. Não se surpreenda se ao final deste ano você estiver com uma visão de mundo renovada e mais intensa.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Hierofante

 

 

Certeza da fé, sabedoria

Feições como se fossem uma
máscara

 

 

Crenças enrijecidas, rituais mortos

Janela com pétalas de rosas

 

 

Transcendência translúcida

Serpente sobre a cabeça

 

 

Sabedoria, cura

Pomba

 

 

Espírito Santo, iluminação

Báculo com três anéis

 

 

Unificação do passado, presente e futuro

Três pentagramas contidos uns dentro dos outros

 

 

Incorporação do homem na estrutura cósmica

Osíris dentro do grande pentagrama

 

 

Atual Era de Osíris

Mulher com espada e meia-lua dentro do pentagrama do meio

 

 

A Era de Ísis," que existiu há mais de 2 mil anos

Hórus como criança dentro do pentagrama menor

 

 

O despontar da Era de Hórus

Quatro Querubins nos quatro cantos

 

 

Portadores do Altar Divino

Elefante e Touro

 

 

Perseverança, sensatez

Qabbala: Vau ו

 

 

Prego

Astrologia: Touro♉

 

 

Tradição e solidez

 

 

 

VI ‒ OS AMANTES (OU OS IRMÃOS)

Esta carta e sua gêmea, XIV (Arte), são os mais obscuros e difíceis dos Atu. Cada um destes símbolos é em si mesmo duplo, de modo que os significados formam uma série divergente e a integração da carta só pode ser reconquistada mediante casamentos e identificações reiterados, e alguma forma de hermafroditismo. E, no entanto, a atribuição é a essência da simplicidade. O Atu VI se refere a Gêmeos, regido por Mercúrio. A letra hebraica correspondente é Zain, que significa espada, e a estrutura da carta é, portanto, o arco de Espadas abaixo do qual o casamento real acontece. A espada é primeiramente um engenho de divisão. No mundo intelectual ‒ que é o mundo do naipe de Espadas ‒ ela representa análise. Esta carta e o Atu XIV juntos compõem a máxima alquímica abrangente: Solve et coagula. Esta carta é, por conseguinte, uma das mais fundamentais do Tarô. É a primeira carta na qual mais de uma figura aparece (o macaco de Thoth no Atu I é apenas uma sombra). Em sua forma original, foi a história da Criação. Acrescemos aqui, em função de seu interesse histórico, a descrição desta carta em sua forma primitiva, o que é extraído de Liber 418. “Há uma lenda assíria de uma mulher com um peixe e há também uma lenda de Eva e a Serpente, pois Caim era o filho de Eva e a Serpente, e não de Eva e Adão; e, portanto, quando ele assassinara seu irmão, que foi o primeiro assassino por ter sacrificado coisas vivas ao seu demônio, Caim recebeu a marca em sua fronte, que é a marca da Besta referida no Apocalipse e o sinal da iniciação. “O derramamento de sangue é necessário, pois Deus não ouviu os filhos de Eva até que o sangue fosse derramado. E isto é religião externa; mas Caim não falou a Deus nem recebeu a marca de iniciação sobre sua fronte, de sorte que fosse evitado por todos os homens, até que tivesse derramado sangue. E este sangue foi o sangue de seu irmão. Este é um mistério da sexta chave do Tarô, que não deve ser chamada de Os Amantes, mas sim Os Irmãos. “No meio da carta posta-se Caim; em sua mão direita está o martelo de Thor com o qual ele assassinara seu irmão, e está todo tinto de seu sangue. Sua mão esquerda ele mantém aberta como um sinal de inocência. Sobre sua mão direita está sua mãe Eva, ao redor da qual a serpente se enrosca com seu capelo desdobrado atrás da cabeça dela, e sobre sua mão esquerda encontra-se uma figura um tanto semelhante a Kali indiana, mas muito mais sedutora. Todavia, eu sei que é Lilith. E acima dele está o Grande Sigillum da Seta, voltado para baixo, atingindo o coração da criança. Esta criança é também Abel. E o significado desta parte da carta é obscuro, mas este é o desenho correto da carta do Tarô; e esta é a fábula mágica correta da qual os escribas hebreus, que não eram iniciados completos, furtaram sua lenda da Queda e os eventos subsequentes.” É bastante significativo que quase toda sentença deste trecho parece inverter o significado da anterior. Isto é porque a reação é sempre igual e oposta à ação. Esta equação é, ou deveria ser, simultânea no mundo intelectual, onde não existe grande retardamento de tempo; a formulação de qualquer ideia cria sua contraditória quase no mesmo momento. A contraditória de qualquer proposição está implícita nela mesma. Isto é necessário para preservar o equilíbrio do universo. A teoria foi explicada na exposição sobre o Atu I, O Prestidigitador, mas faz-se mister que seja agora enfatizada a fim de se interpretar esta carta. A chave é que a carta representa a Criação do Mundo. Os hierarcas mantinham este segredo como de transcendente importância. Consequentemente, os iniciados que publicaram o Tarô para uso durante o Æon de Osíris substituíram a carta original acima descrita em The Vision and the Voice. Estavam interessados em criar um novo universo próprio; eles eram os pais da Ciência. Seus métodos de trabalho, agrupados sob o termo genérico de alquimia, jamais foram tornados públicos. O ponto interessante é que todos os desenvolvimentos da ciência moderna nos últimos cinquenta anos têm proporcionado às pessoas inteligentes e instruídas a oportunidade de refletir que toda a tendência da ciência tem sido retornar aos objetivos e mutatis mutandis aos métodos alquímicos. O segredo observado pelos alquimistas tornou-se necessário devido ao poder de perseguição de Igrejas. Tão amargamente quanto os beatos intolerantes lutavam entre si, eles estavam igualmente preocupados em destruir a ciência infante, a qual, como reconheciam instintivamente, colocaria um fim na ignorância e na fé das quais dependiam o poder e a riqueza deles. O assunto desta carta é a análise, seguida pela síntese. A primeira pergunta feita pela ciência é: “Do que são compostas as coisas?” Respondida esta pergunta, a seguinte pergunta é: “Como iremos recombiná-las para o nosso máximo proveito?” Isto resume toda a política do Tarô. A figura encapuzada que ocupa o centro da carta é outra forma de O Eremita, o qual é elucidado na sequência no Atu IX. Ele próprio é uma forma do deus Mercúrio descrito no Atu I; ele está rigorosamente encoberto, como para significar que a razão última das coisas está num domínio além da manifestação e do intelecto (como explicado alhures, apenas duas operações são, no final das contas, possíveis: análise e síntese). Ele está de pé no sinal do entrante, como se projetando as forças misteriosas da criação. Ao redor de seus braços se acha um rolo de pergaminho, indicativo da Palavra que é semelhante à essência e mensagem dele. Mas o sinal do entrante é também o sinal da bênção e da consagração, de maneira que sua ação nesta carta é a celebração do casamento hermético. Atrás dele estão as figuras de Eva, Lilith e Cupido. Este simbolismo foi incorporado para preservar em alguma medida a forma original da carta e mostrar sua origem, sua herança e sua continuidade com o passado. Na aljava de Cupido está inscrita a palavra Thelema que é a Palavra da Lei (ver Liber AL, cap. I, versículo 39). Suas setas são quanta de Vontade. É assim indicado que esta fórmula fundamental de operação mágica, análise e síntese persiste através dos Æons. Podemos passar agora a considerar o próprio casamento hermético. Esta parte da carta é uma simplificação de o Casamento Químico de Christian Rosenkreutz, uma obra prima excessivamente extensa e prolixa para ser citada proveitosamente aqui. Mas a essência da análise é a gangorra contínua de ideias contraditórias. É um glifo da dualidade. As pessoas da realeza envolvidas são o rei negro ou mouro com uma coroa de ouro e a rainha branca com uma coroa de prata. Ele está acompanhado do leão vermelho, e ela da águia branca. Estes são símbolos dos princípios masculino e feminino na natureza; são, portanto, igualmente, em vários estágios da manifestação Sol e Lua, Fogo e Água, Ar e Terra. Em química eles se apresentam como ácido e álcali, ou (mais profundamente) metais e não-metais, tomando-se estas palavras em seu mais lato sentido filosófico a fim de incluir o hidrogênio por um lado e o oxigênio, por outro. Neste aspecto, a figura encapuzada representa o elemento proteico do carbono, a semente de toda a vida orgânica. O simbolismo do masculino e o feminino é continuado ainda pelas armas do rei e da rainha. Ele porta a Lança Sagrada e ela, o Cálice Sagrado; as outras mãos deles estão unidas, como que consentindo com o casamento. Suas armas são apoiadas por crianças gêmeas, cujas posições estão trocadas, pois a criança branca não só oferece apoio ao cálice como também carrega rosas, enquanto que a criança negra, segurando a lança de seu pai, carrega também o porrete, um símbolo equivalente. Na base do conjunto está o resultado do casamento sob forma primitiva e pantomórfica: o ovo órfico alado. Este ovo representa a essência de toda essa vida sujeita a esta fórmula do masculino e feminino. Prossegue o simbolismo das serpentes com as quais o manto do rei está ornamentado, e das abelhas que adornam o manto da rainha. O ovo é cinza, misturando branco e preto, de modo a significar a cooperação das três Superiores da Árvore da Vida. A cor da serpente é púrpura, Mercúrio na escala da rainha. É a influência desse deus manifestada na natureza, enquanto que as asas têm cor carmesim, a cor (na escala do rei) de Binah, a Grande Mãe. Neste símbolo existe, portanto, um glifo completo do equilíbrio necessário ao começo da Grande Obra. Mas no que concerne ao mistério final, isto é deixado sem solução. Perfeito é o plano para produzir a vida, porém a natureza desta vida é ocultada. É capaz de assumir qualquer forma possível, mas qual forma? Isto depende das influências presentes na gestação. A figura no ar apresenta certa dificuldade. A interpretação tradicional diz que se trata de Cupido, e não fica claro, a princípio, o que Cupido tem a ver com Gêmeos. Nenhuma luz é lançada sobre este ponto ao considerar-se a posição do caminho na Árvore da Vida, pois Gêmeos conduz de Binah a Tiphareth. E aí, consequentemente, se levanta toda a questão de Cupido. Os deuses romanos geralmente representam um aspecto mais material dos deuses gregos dos quais são derivados, neste caso, Eros. Eros é o filho de Afrodite e a tradição diverge quanto a seu pai ser Ares, Zeus ou Hermes, quer dizer, Marte, Júpiter ou Mercúrio. Sua aparência nesta carta sugere que Hermes seja o verdadeiro progenitor e este parecer é confirmado pelo fato de não ser em absoluto fácil distingui-lo da criança Mercúrio, pois eles têm em comum o desregramento, a irresponsabilidade e o gosto por pregar peças. Mas nesta imagem existem características peculiares. Ele carrega um arco e flechas numa aljava dourada (é representado, por vezes, com uma tocha); tem asas douradas e está vendado. Daí pode parecer que ele representa a vontade inteligente (e, ao mesmo tempo, inconsciente) da alma de unir a si mesma com tudo e todos, como foi explicado na fórmula geral relativa à agonia da separação. Não se atribui importância muito especial em figuras alquímicas ao Cupido. Contudo, num certo sentido, ele é a fonte de toda a ação, a libido para expressar zero como dois. De outro ponto de vista, é possível considerá-lo como o aspecto intelectual da influência de Binah sobre Tiphareth, pois (em uma tradição) o título da carta é “Os Crianças da Voz, o Oráculo dos Deuses Poderosos”. Deste ponto de vista, ele é um símbolo da inspiração, descendo sobre a figura encapuzada, que é, neste caso, um profeta que opera a união do rei e a rainha. Sua flecha representa a inteligência espiritual necessária nas operações alquímicas, mais do que a mera fome de executá-las. Por outro lado, a flecha é peculiarmente um símbolo de direção, e é, portanto, apropriado colocar a palavra Thelema em letras gregas sobre a aljava. Deve-se também observar que a carta contraposta, Sagitário, (Arte - Atu XIV) significa Aquele que porta a Flecha, ou o Arqueiro, uma figura que não aparece sob forma alguma no Atu XIV. Estas duas cartas são tão complementares que não podem ser estudadas isoladamente para completa interpretação.

ASPECTOS GERAIS: União, amor, transações arrojadas, decisões tomadas com coração, superação de diferenças, reunir detalhes.

VIDA PROFISSIONAL: Sentir-se atraído por uma tarefa, juntar-se aos outros, capacidade de assumir compromissos, fusões nos negócios, fechar contratos, boa cooperação.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a relação entre as coisas.

RELACIONAMENTO: Sorte no amor, casamento, reconciliação, encontrar parceiro dos seus sonhos, desejo de relacionar-se, envolver-se realmente, seguir coração e tomar uma decisão com clareza.

ENCORAJA A: Juntar-se a outras pessoas e envolver-se em um projeto com todo coração.

ALERTA SOBRE: O perigo de acreditar que início já seja a meta.

COMO CARTA DO DIA: Tome hoje uma decisão arrojada, que pode dizer respeito a uma pessoa, uma coisa ou uma intenção. Caso você esteja até agora hesitante e cheio de dúvidas, dê férias à razão, ouça a sua voz interior e apóie seu coração. Analise quais as diferenças e contradições interiores devem ser superadas e que deve ser feito para unir outra vez que porventura esteja desunido ou desfeito. Nem sempre, quando se tira essa carta, acontece de encontrar-se um grande amor no próximo ponto de ônibus, mas às vezes isso ocorre de fato.

COMO CARTA DO ANO: Neste ano, seu coração baterá mais forte. A causa disso talvez seja uma pessoa que você já conhece há muito tempo ou que tenha acabado de entrar na sua vida, uma tarefa que lhe dará satisfação ou talvez até uma experiência valiosa que fará seu coração transbordar. Seja lá como for, não se aproxime da situação sem entusiasmo; pelo contrário, diga "sim" do fundo de sua alma. Mesmo que você tenha condicionado a sua felicidade a outras pessoas e a fatores externos, você será capaz de reconhecer agora que caminho para uma profunda realização começa com a superação de resistências e contradições interiores. Faça um esforço para deixar as coisas claras. Isso lhe dará forças para ultrapassar as barreiras iniciais, afastar possíveis inconveniências, apaziguar conflitos e, no final, comemorar resultado à vontade.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Rei negro com coroa de ouro e leão
vermelho

 

 

Energia masculina consciente

Rainha branca com coroa de prata e águia branca

 

 

Energia feminina consciente

Criança negra com clava na mão

 

 

Masculinidade intrínseca e inconsciente

Criança branca com ramalhete de rosas na mão

 

 

Feminilidade intrínseca e inconsciente

O rei e a rainha de mãos dadas

 

 

União de opostos, amor

Criança branca e criança negra
tocam-se nas mãos

 

 

Os pólos intrínsecos unem-se Também

Lança

 

 

Conquista, capacidade procriadora

Cálice

 

 

Capacidade de doação, franqueza

Figura de cor violeta, encoberta, com as mãos estendidas de uma maneira protetora

 

 

Santidade, poder sacerdotal, bênção divina

Ovo órfico alado envolto por uma serpente

 

 

Mistério da vida, começo de uma grande obra

Cupido atirando uma flecha

 

 

Anseio por unificação

Lilith e Eva

 

 

Feminilidade sombria e luminosa

Abóbada de espadas

 

 

Análise e decisão precisa

Qabbala: Zainז

 

 

Espada

Astrologia: Gêmeos ♊

 

 

Opostos e intercâmbio

 

 

 

VII ‒ A CARRUAGEM

O Atu VII se refere ao signo zodiacal Câncer, o signo para dentro do qual o Sol se move no solstício de verão. (Note-se que Cheth ‒ Cheth 8 ‒ Yod 10 ‒ Tau 400 totalizam o valor 418. Este é um dos números-chaves mais importantes de Liber AL. É o número da palavra do Æon, ABRAHADABRA, a chave da Grande Obra (ver The Equinox of the Gods, pág. 138 e também The Temple of Solomon the King). Um volume completo poderia, e deveria, ser escrito tão-só acerca desta palavra.) Câncer é o signo cardeal do elemento água(Daí o dia de São João Batista e os vários cerimoniais ligados à água.), e representa a primeira investida incisiva desse elemento. Câncer também representa o caminho que conduz da grande Mãe Binah a Geburah, sendo assim a influência das Superiores através do Véu da Água (que é sangue) sobre a energia do homem, assim inspirando-a. Corresponde, desta maneira, a O Hierofante, que do outro lado da Árvore da Vida, traz para baixo o fogo de Chokmah (ver diagrama). O desenho da carta aqui apresentada foi muito influenciado pelo trunfo retratado por Éliphas Lévi. O dossel da Carruagem é o azul de céu noturno de Binah. As colunas são as quatro colunas do universo, o regímen de Tetragrammaton. As rodas escarlates representam a energia original de Geburah produtora do movimento giratório. Essa carruagem é puxada por quatro esfinges compostas dos quatro Kerubs, o touro, o leão, a águia e o homem. Em cada esfinge estes elementos estão permutados, de maneira que o todo representa os dezesseis sub-elementos. O auriga está trajado com a armadura cor de âmbar apropriada ao signo. Está mais entronizado na carruagem do que o conduzindo porque todo o sistema de progressão é perfeitamente equilibrado. Sua única função é portar o Cálice Sagrado. Acima de sua armadura está dez Estrelas de Assiah, a herança de rocio celestial de sua mãe. Como cimeira do elmo ele tem o caranguejo apropriado ao signo. A viseira de seu elmo está abaixada, pois nenhum homem pode olhar seu rosto e viver. Por razão idêntica, nenhuma parte de seu corpo está exposta. Câncer é a casa da Lua. Há assim certas analogias entre esta carta e a da Alta Sacerdotisa. Mas, também, Júpiter é exaltado em Câncer e neste caso lembra-se da carta chamada Fortuna (Atu X) atribuída a Júpiter. O traço central e mais importante da carta é seu centro ‒ o Cálice Sagrado. É de ametista pura da cor de Júpiter, mas sua forma sugere a lua cheia e o Grande Mar de Binah. No centro do Cálice Sagrado está o sangue radiante, de que se infere a vida espiritual; luz nas trevas. Estes raios, ademais, giram, enfatizando o elemento jupiteriano no símbolo.

ASPECTOS GERAIS: Atmosfera de partida, desejo de aventura, iniciativa, firmeza de propósito, vontade de impor-se.

VIDA PROFISSIONAL: Independência, visar a novos projetos, ambição, disposição de correr riscos, determinação, dar um salto na carreira, assumir novas funções.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Sintonizar-se internamente com um objetivo.

RELACIONAMENTO: Novos relacionamentos, impulsos estimulantes, alinhar-se a um objetivo comum, dar um grande salto adiante.

ENCORAJA A: Aproveitar imediatamente a oportunidade com determinação e objetividade.

ALERTA SOBRE: Acreditar que tudo se resuma à partida.

COMO CARTA DO DIA: Hoje, é chegada a hora de dar a largada. Você não precisa mais esperar. Concentre-se no seu objetivo e avalie mais uma vez se você reuniu tudo o que é necessário, para que ao longo do caminho não falte nada importante ou que você não perca de repente a energia. Porém, se você não estiver preparado de jeito nenhum para um salto ou nem sequer tiver pensado em uma partida, prepare-se então para ver para qual pista de decolagem esse dia irá levá-lo. Pois alguma coisa irá, com certeza, decolar hoje.

COMO CARTA DO ANO: Atreva-se agora dar um grande salto, deixe-se levar por uma aventura. Este ano está sob o signo de um novo começo promissor. No final dele, você estará encarando a vida com mais autoconfiança e independência. Se você estiver pensando em ir atrás de um grande objetivo, em fugir de uma situação sufocante ou em superar barreiras pessoais, em breve será dado o tiro de largada. Até lá, avalie novamente as suas motivações e a clareza do seus objetivos pessoais. Direcione-se então para a ação, sem hesitar, de maneira concentrada, decidida e determinada. Você tem ótimas chances de alcançar o que se encontra à sua frente e, dessa forma, trazer mais vitalidade e impulsos estimulantes para o seu cotidiano.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Condutor da carruagem com armadura dourada em posição meditativa

 

 

Força espiritual concentrada, orientação interior direcionada ao objetivo

Caranguejo decorando o elmo

 

 

Alusão à associação dessa carta com Câncer

O Santo Graal em suas mãos voltado
para a frente

 

 

Franqueza, busca pela realização

Rodas vermelhas da carruagem. paradas

 

 

Força de vontade presente, intenção de ação, prontidão

Toldo azul apoiado em quatro colunas

 

 

Firmamento sustentado pelas colunas da terra

Círculos claros e concêntricos ao fundo

 

 

Dinâmica do eterno movimento cósmico

Centro do Santo Graal em frente ao centro (plexo solar) do condutor e em frente ao centro dos círculos ao fundo

 

 

Sintonização entre os objetivos interiores, exteriores e cósmicos, direcionada a uma orientação comum

Quatro esfinges, claras e escuras, com partes do corpo trocadas quatro vezes entre si

 

 

Subdivisão dos quatro elementos em 16 subelementos, masculino/feminino

Ouros com símbolos astrológicos

 

 

Materialização dos princípios originais

Qabbala: Cheth ח

 

 

Cerca

Astrologia: Câncer ♋

 

 

Seguir o seu próprio caminho obstinadamente

 

 

 

VIII ‒ O AJUSTAMENTO

Esta carta no baralho antigo era chamada de Justiça. Esta palavra detém somente um sentido puramente humano e, consequentemente, relativo, de modo a não ser considerada um dos fatos da natureza. A natureza não é justa de acordo com qualquer ideia teológica ou ética, mas sim exata. Esta carta representa o signo de Libra, regido por Vênus e onde Saturno é exaltado. O equilíbrio de todas as coisas é aqui simbolizado. É o Ajustamento final na fórmula de Tetragrammaton, quando a filha, redimida por seu casamento com o filho, é por isso instalada no trono da mãe; assim, finalmente, ela “desperta a Longevidade do Todo-Pai.” No maior simbolismo de todos, entretanto, o simbolismo além de todas as considerações planetárias e zodiacais, esta carta é o complemento feminino de O Louco, pois as letras Aleph, Lamed constituem a chave secreta de O Livro da Lei, e isto é a base de um sistema qabalístico completo de profundidade e sublimidade maiores que qualquer outro. As minúcias deste sistema ainda não foram reveladas. Foi julgado correto, entretanto, dar a entender sua existência mediante o equacionamento dessas duas cartas. Não apenas em consequência, porque Libra é um signo de Vênus, mas também porque ela é a parceira do Louco, a deusa é representada dançando, sugerindo Arlequim. A figura é a de uma mulher jovem e esbelta equilibrada com exatidão sobre as pontas dos dedões. Ela está coroada com as plumas de avestruz de Maat, a deusa egípcia da Justiça e sobre sua fronte está a serpente Uræus, o Senhor da Vida e da Morte. Ela está mascarada e sua expressão demonstra sua secreta e íntima satisfação pelo domínio sobre todo elemento de desequilíbrio no universo. Esta condição é simbolizada pela espada mágica que ela segura nas duas mãos e os pratos de balança ou esferas nos quais ela pesa o universo, Alfa, o Primeiro equilibrado exatamente com Ômega, o Último. Estes são os Judex e Testes do Juízo Final; os Testes, em particular, simbolizam o andamento secreto do julgamento por meio do qual toda experiência corrente é absorvida, transmudada e finalmente passada à frente, em virtude da operação da espada, à outra manifestação. Tudo isto ocorre dentro do losango formado pela figura que é a Vesica Piscis através da qual essa experiência sublimada e ajustada passa à sua manifestação seguinte. Ela se equilibra ante um trono composto de esferas e pirâmides (em número de quatro, significando lei e limitação), as quais, elas mesmas, mantêm a mesma equidade que ela própria manifesta, embora num plano completamente impessoal, na estrutura dentro da qual todas as operações têm lugar. Fora, mais uma vez, no canto da carta, são indicadas esferas equilibradas de luz e trevas, e raios constantemente equilibrados a partir destas esferas formam uma cortina, a interação de todas essas forças que ela resume e adjudica. É preciso aprofundar-se mais filosoficamente: este trunfo representa A Mulher Satisfeita. O equilíbrio permanece apartado de quaisquer preconceitos individuais, e, portanto, o título na França deveria ser preferivelmente Justesse. Neste sentido, a natureza é escrupulosamente justa. É impossível deixar cair um alfinete sem desencadear uma reação correspondente em toda Estrela. A ação perturbou o equilíbrio do universo. Esta deusa-mulher é Arlequim. Ela é a parceira e o cumprimento de O Louco. Ela é a ilusão última que é manifestação; ela é a dança, de muitas cores, de muitas manhas, da própria vida. Em rodopio constante, todas as possibilidades são desfrutadas sob o espetáculo-fantasma do espaço e do tempo: todas as coisas são reais, a alma é a superfície precisamente porque elas são instantaneamente compensadas por este Ajustamento. Todas as coisas são harmonia e beleza; todas as coisas são verdade porque se compensam. Ela é a deusa Maat e tem sobre sua nêmis as penas de avestruz da verdade dupla. Desta coroa, tão delicada que o mais débil alento do pensar tem que agitá-la, dependem pelas cadeias da causa os pratos em que Alfa, o primeiro é posto em perfeito equilíbrio com Ômega, o último. Os pratos da balança são as duas testemunhas nas quais toda palavra será estabelecida. Ela deve ser entendida, portanto, avaliando a virtude de todo ato e exigindo satisfação exata e precisa. Mais do que isso, ela é a completa fórmula da díade. A palavra AL é o título de O Livro da Lei, cujo número é 31, a mais secreta das chaves numéricas daquele Livro. Ela representa manifestação que é possível sempre se compensar pelo equilíbrio dos opostos. Ela está envolvida numa capa de mistério, e mais misteriosa porque diáfana; ela é a esfinge sem segredo porque é puramente uma matéria de cálculo. Na filosofia oriental ela é Karma. Suas atribuições desenvolvem esta tese. Vênus rege o signo da Balança( Libra) e isto é mostrar a fórmula: “Amor é a lei, amor sob a vontade”. Mas Saturno representa, acima de tudo, o elemento tempo, sem o qual o Ajustamento não pode ocorrer, pois toda ação e reação ocorrem no tempo, e, portanto, o tempo sendo ele mesmo meramente uma condição dos fenômenos, todos os fenômenos são inválidos porque não compensados. A Mulher Satisfeita. Da capa do desregramento vívido de suas asas dançantes brotam suas mãos; estas seguram o punho da espada fálica do mago. Ela segura a lâmina entre suas coxas. Mais uma vez um hieróglifo de “Amor é a lei, amor sob a vontade”. Toda forma de energia tem que ser dirigida, tem que ser aplicada com integridade para a satisfação plena de seu destino.

ASPECTOS GERAIS: Objetividade, clareza, equilíbrio, justiça, carma, compreensão sóbria, ter responsabilidade por si mesmo, autocrítica.

VIDA PROFISSIONAL: Arcar com as conseqüências, ter clareza sobre os seus objetivos profissionais, boa capacidade de julgamento, contas equilibradas, contratos justos, colher o que se semeou.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer a nossa própria responsabilidade em tudo o que vivenciamos.

RELACIONAMENTO: Igualdade, acordos justos, relacionamento equilibrado, parceria motivada por interesses comuns, relacionamento comercial.

ENCORAJA A: Analisar algo com objetividade e sobriedade e reconhecer a sua própria responsabilidade na situação.

ALERTA SOBRE: Tornar-se incapaz de agir, de tanto ponderar.

COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve manter a cabeça fresca. Caso haja um conflito ou uma decisão que precise ser tomada, mantenha uma atitude justa e considere as conseqüências dos seus atos a longo prazo. Você poderá hoje também se confrontar com as conseqüências de uma situação do passado. A depender da forma como você agiu naquela época, hoje poderá alegrar-se sobre um resultado ou encarar o dia com uma sensação de mal-estar.

COMO CARTA DO ANO: Este ano é decisivo. Por isso, tome o tempo que for necessário para esclarecer assuntos importantes e tomar decisões equilibradas, responsáveis, justas e a longo prazo. De resto, dependerá apenas de você como estes próximos 12 meses serão vividos. Mais precisamente, você é o responsável direto pelo que acontecerá, pois colherá o que plantar agora. Isso pode ser bastante enriquecedor, porém também extremamente desagradável, a depender da forma como você tenha agido no passado. Caso realmente tenha de se confrontar com conseqüências desagradáveis e fardos do passado, aproveite também essa oportunidade. Corrija o que deu errado antes, para poder ter paz no futuro.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura feminina na ponta dos pés

 

 

Equilíbrio interior, concentração profunda, autocontrole

Coloração verde-azulada

 

 

Sabedoria e contemplação

Máscara

 

 

Atenção direcionada para o interior

Espada com punho em forma de meia-lua

 

 

Discernimento instintivo

Pratos da balança equilibrados com as letras Alpha e Omega

 

 

Harmonia entre polaridades

Correntes que seguram os pratos da
balança

 

 

Elos que tornam visível o princípio da causa e do efeito

Coroa com penas de avestruz

 

 

Justiça divina

Trono formado por quatro pirâmides
pontiagudas e oito esferas

 

 

Limitação, lei, equilíbrio entre o redondo (feminino) e o reto (masculino)

Círculos nos quatro cantos de onde
saem raios

 

 

Equilíbrio entre luz e escuridão

Qabbala: Lamed ל

 

 

Braço estendido

Astrologia: Libra ♎

 

 

Equilíbrio, objetividade

 

 

 

IX ‒ O EREMITA

Esta carta é atribuída à letra Yod, que significa mão. Por isso, a mão, que é a ferramenta ou instrumento por excelência, está no centro da ilustração. A letra Yod é o fundamento de todas as outras letras do alfabeto hebraico, que são meramente combinações dela em maneiras variadas. A letra Yod é a primeira letra do nome Tetragrammaton e este simboliza o Pai, que é sabedoria; ele é a forma mais elevada de Mercúrio, e o Logos, o Criador de todos os mundos. Consequentemente, seu representante na vida física é o espermatozoide e esta é a razão da carta ser chamada O Eremita. A figura do próprio Eremita lembra a forma da letra Yod e a cor de sua capa é a cor de Binah, na qual ele gesta. Em sua mão ele segura uma lâmpada cujo centro é o Sol, retratada à semelhança do sigillum do grande rei do fogo (Yod é o fogo secreto). Parece que ele está contemplando – num certo sentido, adorando ‒ o ovo órfico (de cor esverdeada) porque este é contérmino do universo, enquanto que a serpente que o envolve é multicolorida significando a iridescência de Mercúrio, pois ele não é só criativo, mas também é a essência fluídica da luz, que é a vida do universo. O mais elevado simbolismo nesta carta é, portanto, fertilidade no seu sentido mais exaltado e isto é refletido na atribuição da carta ao signo de Virgem, que é um outro aspecto da mesma qualidade. Virgem é um signo da terra e se refere especialmente ao cereal, de maneira que o fundo da carta é um campo de trigo. Virgem representa a forma mais inferior, mais receptiva, mais feminina da terra e forma a crosta sobre o Hades. E além de Virgem ser regido por Mercúrio, Mercúrio é exaltado em Virgem. Confrontar com o dez de Discos e com a doutrina geral segundo a qual o clímax da descida à matéria é o sinal para a reintegração pelo espírito. É a fórmula da Princesa, o modo de realização da Grande Obra. Esta carta lembra a lenda de Perséfone e aqui há um dogma. Ocultada no interior de Mercúrio há uma luz que penetra todas as partes do universo igualmente; um dos títulos dele é Psicopompo, o condutor da alma pelas regiões inferiores. Estes símbolos são indicados por seu bastão-serpente, que está realmente brotando do Abismo, e é o espermatozoide desenvolvido como um veneno e manifestando o feto. Cérbero, o cão tricéfalo do inferno, o qual ele domou, o segue. Neste trunfo é mostrado o inteiro mistério da vida nas suas operações mais secretas. Yod ≡ Falo ≡ Espermatozoide ≡ Mão ≡ Logos ≡ Virgem. Há uma perfeita identidade, não meramente equivalência dos extremos, a manifestação e o método.

ASPECTOS GERAIS: Concentração no que é essencial, orientação, clausura, seriedade, recuo, examinar as coisas a fundo, experiência de vida.

VIDA PROFISSIONAL: Projetos amadurecidos, apostar em objetivos que já foram comprovados, reconhecer a sua verdadeira vocação, seguir o seu próprio caminho, retirar-se da vida profissional, transmitir experiências.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Conhecer-se e ser fiel a si mesmo.

RELACIONAMENTO: Agir com seriedade, ter uma atitude madura, ser fiel a si mesmo em vez de assumir compromissos duvidosos. Afastar-se temporariamente para ponderar sobre o relacionamento ou tomar conscientemente a decisão de ficar solteiro. ENCORAJA A: Deixar algo amadurecer e levar-se a sério.

ALERTA SOBRE: Amargura, esquisitices excêntricas e alienação à realidade.

COMO CARTA DO DIA: Este dia lhe pertence. Dedique-se bastante tempo e não se deixe contagiar pela correria do dia-a-dia. Porém, se você tiver de se dedicar a algum assunto, faça-o com total atenção, sem se deixar pressionar ou influenciar pelos outros. Caso tenha de tomar uma decisão importante, deixe que o assunto amadureça até que você chegue a um posicionamento próprio e inequívoco. Meditar, dar um longo passeio a pé ou simplesmente contemplar um lago pode ajudá-lo a chegar a uma conclusão.

COMO CARTA DO ANO: Agora o negócio vai ficar sério! Porém, no melhor sentido da expressão. Este ano que você tem à sua frente será de introspecção, no qual o que importa é ocupar-se seriamente consigo e com o mundo, para descobrir o que você verdadeiramente quer. Aproveite essa fase para repensar a sua vida. Analise até que ponto o conteúdo e a estrutura externa na sua vida profissional e particular ainda correspondem à sua essência e à sua maneira de ser. Quando não for o caso, tente descobrir o que deve ser modificado. Geralmente esse tipo de discernimento não é fácil de ser feito, mas você tem o ano inteiro para isso. Alguns dias de recolhimento em silêncio, por exemplo, em um convento, em uma ilha ou qualquer outro lugar afastado, favorecem essas percepções. De qualquer forma, você não deve entender mal essa carta e temer que tenha de passar o ano inteiro sozinho e solitário. O significado do EREMITA é ser autêntico e fiel a si mesmo, justamente também quando se está em contato com outras pessoas.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Um homem velho, curvado, de
perfil

 

 

Voltar-se para dentro de si, recolhimento interior, concentração no que é essencial

Túnica vermelha

 

 

Coragem, força

Cabelo branco

 

 

Maturidade, sabedoria, iluminação

Diamante iluminado contendo o sol

 

 

Luz da compreensão

Cérbero, o cão do Inferno, de três
cabeças, domesticado

 

 

O mundo das sombras integrado à personalidade

Campo de trigo

 

 

Natureza viva

Ovo de onde surgiu o mundo.
envolvido por uma serpente

 

 

Origem de todas as coisas, mistério da criação

Espermatozóide

 

 

Impulso procriador, potencial vital

Pirâmide de raios

 

 

Visão espiritual, libertação espiritual,
iluminação

Qabbala: Yod י

 

 

Mão

Astrologia: Virgem  ♍

 

 

Exatidão, confiabilidade, ascese, concentração, colheita

 

 

 

X ‒ FORTUNA

Esta carta é atribuída ao planeta Júpiter, o grande benéfico na astrologia. Corresponde à letra Kaph , palma da mão, Kaph 20, Pé 80 = 100, Qoph, Peixes. As iniciais K Ph são as de kteis e fallos, em cujas linhas, de acordo com outra tradição, pode-se ler a fortuna. Seria tacanhez pensar em Júpiter como boa fortuna; ele representa o elemento sorte, o fator incalculável. Esta carta representa assim o universo em seu aspecto de contínua mudança de estado. Acima, o firmamento de estrelas, as quais aparecem sob forma distorcida embora estejam equilibradas, algumas brilhantes e algumas escuras. Delas, através do firmamento, brotam raios que o agitam transformando-o numa massa de penachos de cores azul e violeta. No meio de tudo isso está suspensa uma roda de dez raios, de acordo com o número das Sephiroth e da esfera de Malkuth, indicando o governo dos assuntos físicos. Sobre essa roda estão três figuras: a esfinge com a espada, Hermanúbis e Tífon. Eles simbolizam as três formas de energia que governam o movimento fenomênico. A natureza dessas qualidades requer uma descrição cuidadosa. No sistema hindu há três Gunas ‒ Sattvas, Rajas e Tamas. A palavra Gunas é intraduzível. Não é bem um elemento, uma qualidade, uma forma de energia, uma fase ou um potencial: todas estas ideias entram nela. Todas as qualidades que podem ser predicadas de alguma coisa podem ser atribuídas a um ou mais dessas Gunas. Tamas é trevas, inércia, indolência, ignorância, morte e similares; Rajas é energia, excitação, fogo, brilho, agitação; Sattvas é calma, inteligência, lucidez e equilíbrio. Correspondem às três principais castas hindus. Um dos mais importantes aforismos da filosofia hindu é: “as Gunas giram”. Isto significa que de acordo com a doutrina da mudança contínua nada é capaz de permanecer em qualquer fase em que uma dessas Gunas é predominante; não importa quão densa e inerte essa coisa possa ser, um tempo virá no qual começará a agitar-se. O fim e a recompensa do esforço é um estado de lúcida quietude, o qual, entretanto, tende por fim a se afundar na inércia original. As Gunas são representadas na filosofia europeia pelas três qualidades, enxofre, mercúrio e sal, já retratadas nos Atus I, III e IV. Mas nesta carta a atribuição é um tanto diferente. A esfinge é composta dos quatro Kerubs exibidos no Atu V, o touro, o leão, a águia e o homem. Estes correspondem, adicionalmente, às quatro virtudes mágicas: saber, querer, ousar e manter silêncio. Estes são os quatro elementos, somados a um quinto, espírito, para formar o pentagrama, e a virtude mágica correspondente é Ire, ir. “Ir” é o sinal da divindade, como explicado em referência à correia de sandália ou Ankh, a crux ansata, que por sua vez, é idêntica ao símbolo astrológico de Vênus, compreendendo as dez Sephiroth. Esta esfinge representa o elemento enxofre e é exaltada, temporariamente, sobre o cimo da roda. Está armada de uma espada curta de tipo romano, segura ereta entre as patas do leão. Subindo o lado esquerdo da roda vê-se Hermanúbis, que representa o mercúrio alquímico. Ele é um deus composto, mas o elemento símio predomina nele. Do lado direito, precipitando-se para baixo, vê-se Tífon, que representa o elemento sal. Contudo, nestas figuras há também certo grau de complexidade, pois Tífon era um monstro do mundo primitivo que personificava o poder destrutivo e a fúria de vulcões e tufões. Na lenda, ele tentou lograr suprema autoridade tanto sobre deuses quanto seres humanos, mas Zeus o destruiu mediante um raio. Dizia-se ser ele o pai dos ventos tempestuosos, quentes e venenosos, e também das harpias. Mas esta carta, como o Atu XVI pode também ser interpretada como uma unidade de suprema realização e deleite. Os raios que destroem, também geram; e a roda pode ser considerada como o olho de Shiva, cuja abertura aniquila o universo, ou como uma roda sobre o Carro de Jaganath, cujos devotos atingem a perfeição no momento em que ela os esmaga. Uma descrição desta carta tal como aparece em The Vision and the Voice, com certos significados interiores, é dada em um Apêndice.

ASPECTOS GERAIS: Transformações, mudanças, recomeço, sorte, acontecimentos determinados pelo destino, missão na vida.

VIDA PROFISSIONAL: Ser guiado pelo destino, encontrar a sua vocação.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreensão e aceitação de forças que são maiores que o ego humano.

RELACIONAMENTO: Desenvolvimento satisfatório no relacionamento, vínculo cármico, encontrar o parceiro certo, encontros marcados pelo destino, oportunidade de compreensão do padrão de relacionamento.

ENCORAJA A: Reconhecer o seu destino e fazer dele a sua missão de vida.

ALERTA SOBRE: Resignação fatalista ao destino.

COMO CARTA DO DIA: Existem dias nos quais temos de enfrentar situações e tarefas inevitáveis. Se você hoje tiver a impressão de que determinadas coisas simplesmente tomam um rumo próprio, não lute contra isso. Parta do princípio de que tudo tem a sua razão de ser, mesmo que o sentido esteja, no momento, oculto para você. Existem boas chances de tudo isso se revelar um caso de sorte no futuro.

COMO CARTA DO ANO: Este ano trará sorte. O "x do problema" é que nem sempre compreendemos imediatamente o que nos faz bem; por isso, às vezes o destino precisa forçar-nos à nossa própria sorte. Como você vivenciará o tempo que está por vir, dependerá inteiramente da sua disposição em estar aberto ao aceno do destino. O sentido por trás disso tudo diz respeito a um caminho que corresponde à essência profunda do seu ser, porém que não é necessariamente como você imagina. Disso pode surgir um dilema. Nós sofremos por algo se desenrolar de uma forma diferente do que nós imaginávamos, e não reconhecemos que essa experiência era exatamente o que faltava para a nossa felicidade, por corresponder profundamente à nossa essência. Seria bom se você sondasse, com a ajuda da Astrologia, do Tarô ou do I Ching, a qualidade do tempo nos próximos meses, para descobrir em qual área da sua vida você deverá estar aberto para essas mudanças.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Roda com dez raios

 

 

Estrutura, tempo e espaço, regularidade do nascimento e morte, perfeição

Roda celestial sem raios

 

 

Eternidade, relógio do destino cósmico, ciclo perpétuo

Estrelas amarelas

 

 

Símbolo celestial, esperança

Raios

 

 

Forças divinas, que podem atuar tanto de uma forma fecunda quanto destrutiva

Fundo violeta

 

 

Santidade, autoridade divina

Três figuras em cima da roda

 

 

Nascimento-vida-morte

Criatura com cabeça de macaco (Hermanubis) que se esforça para subir

 

 

Forças construtivas, espírito criativo, nascimento

Esfinge com espada

 

 

Criação, totalidade, vida

Criatura com cabeça de crocodilo
(Tífon) pendurada para baixo

 

 

Forças aniquiladoras e destrutivas, morte

O Ankh e o bastão curvo nas mãos
de Tífon

 

 

Símbolo da vida e símbolo de poder

Redemoinho de energia ao fundo

 

 

O efeito abrangedor da roda que gira por si mesma

Qabbala: Kaph כ

 

 

Palma da mão

Astrologia: Júpiter ♃

 

 

Sorte, abundância, crescimento

 

 

 

XI ‒ VOLÚPIA

Este trunfo era chamado anteriormente de Força. Mas ele implica em muitíssimo mais do que força no sentido ordinário da palavra. Uma análise técnica mostra que o caminho que corresponde a esta carta não é a força de Geburah, mas a influência proveniente de Chesed sobre Geburah, o caminho equilibrado tanto vertical quanto horizontalmente na Árvore da Vida (ver diagrama). Por esta razão, julgou-se melhor mudar o título tradicional. Volúpia sugere não apenas força, mas inclusive a alegria da força exercida. Trata-se de vigor e do arrebatamento do vigor. “Saí, oh crianças, sob as estrelas, & tomai vossa fartura de amor! Eu estou acima de vós e em vós. Meu êxtase está no vosso. Minha alegria é ver vossa alegria.” “Beleza e força, gargalhada e langor delicioso, força e fogo são de nós.” “Eu sou a Serpente que dá Conhecimento & Deleite e glória brilhante, e agita o coração dos homens com embriaguez. Para me adorar, tomai vinho e drogas estranhas das quais Eu direi ao meu profeta, & embebedai-vos deles. Eles não vos ferirão em nada. Isto é uma mentira, esta tolice contra o ser. A exposição de inocência é uma mentira. Sê forte, oh homem! deseja, aproveita todas as coisas de sentido e êxtase: não temas que Deus algum te negue por isto.” “Vede, estes são graves mistérios; pois há também amigos meus que são eremitas. Agora, não penseis em encontrá-los na floresta ou na montanha; mas em camas de púrpura, acariciados por magníficas bestas de mulheres com extensos membros, e fogo e luz em seus olhos, e massas de cabelos em chamas em volta delas: lá vós os encontrareis. Vós os vereis no governo, em exércitos vitoriosos, em toda a alegria; e neles haverá uma alegria um milhão de vezes maior do que esta. Cuidado, para que um não force ao outro, Rei contra Rei! Amai-vos uns aos outros, com corações ardentes; nos homens baixos, pisai no violento ardor de vosso orgulho, no dia da vossa ira.” “Há uma luz diante de teus olhos, ó profeta, uma luz indesejada, muito desejável. Eu estou erguido em teu coração; e o beijo das estrelas chove forte sobre teu corpo. Tu estás exausto na voluptuosa plenitude da inspiração; a expiração é mais doce que a morte, mais rápida e risonha que uma carícia do próprio verme do Inferno!“ Este trunfo é atribuído ao signo do Leão no zodíaco. É o Kerub do fogo e é regido pelo Sol. É a mais poderosa das doze cartas zodiacais e representa a mais crítica de todas as operações mágicas e alquímicas. Representa o ato do casamento original como ocorre na natureza, em oposição à forma mais artificial ilustrada na Atu VI; não há nesta carta nenhuma tentativa de dirigir o curso da operação. O assunto principal da carta se refere a mais antiga coletânea de lendas ou fábulas. Aqui se faz necessário entrar um pouco na doutrina mágica da sucessão dos Æons, a qual está ligada à progressão do zodíaco. Assim, o último Æon, o de Osíris, se refere a Áries e Libra, como o anterior a este, o de Ísis, estava especialmente relacionado aos signos de Peixes e Virgem, enquanto que o presente Æons, o de Hórus, está vinculado a Aquário e Leão. O mistério central nesse Æon passado foi o da encarnação; todas as lendas de homens-deuses se fundaram em alguma história simbólica desse tipo. O essencial em todas essas histórias consistia em negar a paternidade humana do herói ou homem-deus. Na maioria dos casos, afirma-se ser o pai um deus sob alguma forma animal, o animal sendo escolhido conforme as qualidades que os criadores do culto desejavam ver reproduzidas na criança. Assim, Rômulo e Remo foram gêmeos gerados numa virgem pelo deus Marte e foram amamentados por uma loba. Toda a fórmula mágica da cidade de Roma foi fundada sobre isso. Neste ensaio já foram feitas referências às lendas de Hermes e Dionísio. Dizia-se que o pai de Gautama Buda era um elefante de seis presas, o qual apareceu a sua mãe num sonho. Há também a lenda do Espírito Santo sob a forma de uma pomba impregnando a Virgem Maria. Há aqui uma referência à pomba da arca de Noé trazendo boas novas sobre a salvação do mundo das águas (os moradores da arca são o feto, as águas, o fluido amniótico). Fábulas similares devem ser encontradas em toda religião do Æon de Osíris: é a fórmula típica do deus que morre. Nesta carta, portanto, surge a lenda da mulher e o leão, ou melhor, serpente-leão (esta carta é atribuída à letra Teth, que significa serpente). Os videntes dos primeiros tempos do Æon de Osíris previram a manifestação deste Æon vindouro no qual vivemos agora, e eles o encararam com intenso horror e medo, não compreendendo a precessão dos Æons, e considerando toda mudança como catástrofe. Eis a interpretação real e a razão para as invectivas contra a Besta e a Mulher Escarlate nos capítulos XIII, XVII e XVIII do Apocalipse. Mas na Árvore da Vida o caminho de Gimel, a Lua, descendo do mais alto, corta o caminho de Teth, Leão, a casa do Sol, de modo que a mulher na carta pode ser considerada como um forma da Lua, sumamente iluminada pelo Sol, e intimamente unida a ele de tal maneira que produz encarnados sob forma humana o representante ou representantes do Senhor do Æon. Ela monta a Besta de maneira escarranchada; na mão esquerda segura as rédeas, que representam paixão que os une. Na mão direita segura nas alturas a taça, o Cálice Sagrado inflamado de amor e morte. Nesta taça estão misturados os elementos do sacramento do Æon. O Livro das Mentiras devota um capítulo a este símbolo.

A FLOR DE WARATAH
Sete são os véus da dançarina do harém d‟ELE.
Sete são os nomes, e sete são as lâmpadas ao lado da cama Dela.
Sete eunucos A guardam com espadas desembainhadas; Nenhum Homem aproxima-se Dela.
Em seu copo de vinho estão as sete torrentes de sangue dos Sete Espíritos de Deus.
Sete são as cabeças d‟A BESTA na qual Ela Cavalga.
A cabeça de um Anjo: a cabeça de um Santo; a cabeça de um Poeta: a cabeça de Uma Mulher Adúltera: a cabeça de um Homem Valoroso; a cabeça de um Sátiro; e a cabeça de um Leão-Serpente.
Sete letras tem Seu mais sagrado nome, que é:

 

 

Este é o Selo sobre o Anel que está no Indicador d‟ELE: e este é o Selo sobre as Tumbas daqueles a quem Ela assassinou.
.Aqui está sabedoria. Que aquele que tem Compreensão conte o Número de Nossa Senhora; pois que ele é o Número de uma Mulher; e Seu Número é:
Cento e Cinquenta e Seis.

Há outra descrição em The Vision and the Voice. Há nesta carta uma embriaguez ou êxtase divinos. A mulher é mostrada mais do que um pouco ébria, e mais do que um pouco insana; e o leão está também inflamado de volúpia. Isto significa que o tipo de energia descrito é de ordem criadora primitiva, completamente independente da crítica da razão. Esta carta retrata a vontade do Æon. Ao fundo veem-se as imagens lívidas dos santos, sobre as quais esta imagem viaja, pois a vida inteira deles foi absorvida no Cálice Sagrado. “Agora vós sabereis que o sacerdote & apóstolo escolhido do espaço infinito é o sacerdote-príncipe, a Besta; e em sua mulher, chamada a Mulher Escarlate, está todo o poder dado. Eles reunirão minhas crianças em seu cercado: eles levarão a glória das estrelas para os corações dos homens. Pois ele é sempre um sol, e ela uma lua. Mas para ele é a chama alada secreta, e para ela a descendente luz estelar.” Este sacramento é a fórmula físico-mágica para atingir a iniciação, para a realização da Grande Obra. Na alquimia é o processo de destilação operado pelo fermento interno, e a influência do Sol e da Lua. Atrás das figuras da Besta e sua Noiva existem dez círculos refulgentes; são as Sephiroth latentes e ainda não ordenadas pois todo novo Æon exige um novo sistema de classificação do universo. No alto da carta é mostrado um emblema da nova luz com dez chifres da Besta, que são serpentes, enviadas em todas as direções para destruir e recriar o mundo. Maior estudo desta carta pode ser feito pelo exame rigoroso de Liber XV (v. Magick).

ASPECTOS GERAIS: Coragem, vitalidade, prazer em viver, intensidade, paixão, destemor.

VIDA PROFISSIONAL: Ânimo para o trabalho, engajamento, disposição para correr riscos, capacidade produtiva, motivação intensa, criatividade.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Enfrentar a sua fera interior e domá-la carinhosamente.

RELACIONAMENTO: Relação intensa, ligação apaixonada, fascinação, excessos sexuais e excessos em geral.

ENCORAJA A: Entregar-se apaixonadamente a uma pessoa, a uma tarefa ou a uma experiência.

ALERTA SOBRE: O perigo de seguir somente o princípio do prazer e passar por cima dos valores alheios.

COMO CARTA DO DIA: Hoje será um dia agitado. Você se sentirá com vitalidade, repleto de energia e tão cheio de vontade de viver que não deverá se surpreender se for arrebatado por uma paixão. Isso não significa que você deva sair por aí tomando parte de alguma orgia, mas pode permitir-se uma maior dose de animação. Se você compartilhar esse prazer com outra pessoa ou empregá-lo em um processo criativo, poderá apreciar intensamente os seus aspectos fervilhantes e unificadores. Devido à sua energia e ao seu brilho intenso, você hoje superará obstáculos brincando e passará uma imagem atraente e convincente para as outras pessoas.

COMO CARTA DO ANO: Este é um ano de paixões. Você pode sentir-se irresistivelmente atraído por alguém, entregar-se a uma tarefa de corpo e alma ou comprometer-se com determinado assunto. De qualquer maneira, você deve aproveitar essa força estimuladora e criativa para libertar-se de restrições sufocantes e estruturas ultrapassadas. Porém, não se surpreenda se, ao fazer isso, você entrar em conflito com princípios morais que até então lhe pareciam incontestáveis. Caso isso aconteça, avalie se se trata de valores verdadeiros ou apenas de formalidades vazias, das quais seria melhor libertar-se agora. Agindo assim, você poderá tornar este ano, no verdadeiro sentido da palavra, repleto de prazer.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Mulher nua de cabelos ondulados,
recostada lascivamente

 

 

Êxtase sexual, paixão, entorpecimento, embriaguez divina, prazer em viver

Animal de sete cabeças semelhante a um leão

 

 

Impulso animal, instintividade, vitalidade, selvageria

Cálice de fogo em brasa (útero) do qual emanam raios de luz e serpentes

 

 

Energia sexual, vitalidade, morte e renascimento, destruição e renovação

Estrelas e rostos de santos no fundo violeta

 

 

Valores morais pisoteados

A Besta 666

 

 

Animal, mulher, estrelas caídas e santos pisoteados extraídos do Apocalipse de João, o qual descreve o Anticristo como a Besta 666, com a qual Crowley se identificava.

Qabbala: Theth ט

 

 

Cobra

Astrologia: Leão ♌

 

 

Alegria de viver, vitalidade, coragem

 

 

 

XII ‒ O PENDURADO

Esta carta, atribuída à letra Mem, representa o elemento água. Seria talvez melhor dizer que representa a função espiritual da água na economia da iniciação; é um batismo que é também uma morte. No Æon de Osíris, esta carta representava a suprema fórmula de adeptado, pois a figura do afogado ou pendurado possui seu próprio significado especial. As pernas estão cruzadas de maneira que a perna direita forma um ângulo reto com a perna esquerda e os braços estão esticados a um ângulo de 60 graus, de sorte a formar um triângulo equilátero, o que produz o símbolo do triângulo encimado pela cruz, que representa a descida da luz ao interior das trevas para redimi-la. Por esta razão há Discos verdes ‒ verde, a cor de Vênus, significa graça ‒ nas terminações dos membros e da cabeça. O ar acima da superfície da água também é verde infiltrado pelos raios da luz branca de Kether. A figura toda está suspensa do Ankh, outro modo de figurar a fórmula da Rosacruz, enquanto que em torno do pé esquerdo está a serpente, criadora e destruidora, que opera toda a transformação (o que será visto na carta que se segue a esta). Pode-se notar que há um aparente aumento de escuridão e solidez à proporção que o elemento redentor se manifesta, mas a cor verde é a cor de Vênus, da esperança que reside no amor. Isto depende da formulação da Rosacruz, do aniquilamento do eu no amado, a condição de progresso. Nesta escuridão inferior de morte, a serpente da nova vida começa a se agitar. No Æon anterior, o de Osíris, o elemento ar, que é a natureza deste Æon, não antipatiza com a água ou o fogo; acordo era a marca desse período. Mas agora, sob um Senhor Ígneo do Æon, o elemento aquoso, na medida em que a água está abaixo do Abismo, é definitivamente hostil, a menos que a oposição seja a oposição correta implícita no casamento. Mas nesta carta a única questão é da “redenção” do elemento submerso e, portanto, tudo está invertido. Esta ideia do sacrifício é, em última análise, uma ideia errônea. “Eu dou inimagináveis alegrias sobre a terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, descanso, êxtase; e Eu não peço algo em sacrifício.” “Todo homem e toda mulher é uma estrela.” A ideia inteira do sacrifício é uma concepção equívoca da natureza e estes textos de O Livro da Lei são a resposta a isso. A água é o elemento da ilusão; é possível encarar este símbolo como um legado mau do velho Æon. Para usar uma analogia anatômica: é um apêndice vermiforme espiritual. Foi a água e os moradores da água que assassinaram Osíris; são os crocodilos que ameaçam Hoor-Pa-Kraat. Esta carta é bela de uma maneira estranha, imemorial, moribunda. É a carta do deus que morre; sua importância no presente baralho é simplesmente aquela do cenotáfio. Ela diz: “Se acontecer das coisas se tornarem más daquele jeito novamente, na nova Idade das Trevas que parece ameaçar, este é o modo de acertar as coisas.” Mas se as coisas têm que ser acertadas, isto indica que estão muito erradas. A principal meta dos sábios deveria ser livrar a espécie humana da insolência do auto-sacrifício, da calamidade da castidade; a fé tem que ser morta pela certeza e a castidade pelo êxtase. Está escrito em O Livro da Lei: “Não te apiedes dos caídos! Eu nunca os conheci. Eu não sou para eles. Eu não consolo: Eu odeio o consolado & o consolador.” Redenção é uma palavra ruim; implica numa dívida. Pois toda estrela possui riqueza ilimitada; o único meio adequado de lidar com os ignorantes é conduzi-los ao conhecimento de sua herança de estrela. Para fazê-lo é necessário comportar-se como deve ser feito a fim de entrar em acordo com os animais e as crianças: tratá-los com absoluto respeito, mesmo, num certo sentido, com veneração.

Note-se na Precessão dos Æons. “O Pendurado” é uma invenção dos Adeptos da fórmula do I.N.R.I. ‒ I.A.O. No Æon anterior ao osiríaco, o de Ísis (água), ele é “O Afogado”. As duas colunas de suporte da forca mostrada nos baralhos medievais eram, no sistema partenogenético de explicação e regência da natureza, o fundo do mar e a quilha da arca. Neste Æon todo nascimento era considerado uma emanação, sem intervenção masculina, da Deusa-Mãe ou Deusa-Estrela, Nuit. Toda a morte é um retorno a Ela. Isto explica a atribuição original do Atu à água e o som M o retorno ao silêncio eterno, como na palavra AUM. Esta carta é, portanto, especialmente sagrada ao místico, sendo a atitude da figura uma postura ritual na prática denominada “O Sono de Shiloam”.

A importância alquímica desta carta é tão estranha a todas as implicações dogmáticas que se afigurou melhor tratá-la completamente em separado. Suas qualidades técnicas são independentes de qualquer maneira de todas as outras doutrinas. Temos aqui uma matéria de significado estritamente científico. O estudante será prudente ao ler em conexão com estas observações o capítulo XII de Magick. O Atu representa o sacrifício de “uma criança do sexo masculino de perfeita inocência e elevada inteligência” ‒ estas palavras foram escolhidas com o mais extremo cuidado. O significado de sua atitude já foi descrito, e do fato de ser dependurado de um Ankh, um equivalente da Rosacruz. Em algumas cartas antigas a forca é um pilone, ou o galho de uma árvore, cuja forma sugere a letra Daleth (ד), Vênus, Amor. Ao fundo do Pendurado há uma grade imensa de pequenos quadrados. São as plaquetas elementares que exibem os nomes e sigilla de todas as energias da natureza. Através de seu trabalho uma criança é gerada, como é mostrado pela serpente se agitando na escuridão do Abismo abaixo dele. Contudo, a carta em si é essencialmente um glifo da água. Mem é uma das três grandes letras-mãe, e seu valor é 40, o poder de Tetragrammaton plenamente desenvolvido por Malkuth, o símbolo do universo sob o demiurgo. Outrossim, a água é de maneira peculiar a letra-mãe pois tanto Shin quanto Aleph (as outras duas) representam ideias masculinas; e na natureza, o Homo sapiens é um mamífero marinho e nossa existência intrauterina é passada no fluido amniótico. A lenda de Noé, da arca e do dilúvio não passa de uma apresentação hierática dos fatos da vida. É então a água que os Adeptos sempre contemplaram para a continuação (num sentido ou outro) e o prolongamento, e talvez a renovação da vida. A lenda dos Evangelhos, abordando os Mistérios Maiores da Lança e da Taça (aqueles do deus Iacchus = Iao) como superiores aos Mistérios Menores (aqueles do deus Íon = Noé, e os deuses-N em geral), nos quais a espada mata o deus de modo que sua cabeça possa ser oferecida num prato, ou disco, diz: E um soldado com uma lança perfurou seu flanco, tendo saído sangue e água. Este vinho, colhido pelo Discípulo Amado e a Virgem Mãe, que esperavam sob a cruz ou árvore com essa finalidade, numa taça ou cálice, este é o Cálice Sagrado ou Santo Graal (Sangraal) de Monsalvat, a Montanha da Salvação. [Graal (gréal) significa realmente recipiente em forma de prato, xícara: francês antigo graal, greal, grasal, provavelmente uma corruptela do latim gradale, este uma corruptela de crater, tigela, vaso grande de boca larga, copo grande]. Este sacramento é exaltado no zênite em Câncer. Ver Atu VII. É de extrema importância para o estudante percorrer circularmente de modo contínuo esta roda de simbolismo até que as figuras se fundam imperceptivelmente umas nas outras numa dança intoxicante de êxtase; enquanto não atingir isto não será capaz de partilhar do sacramento e executar para si mesmo ‒ e para todos os homens! ‒ a Grande Obra. Mas que ele se lembre também do segredo prático enclausurado em todos estes corredores de música varridos pelo vento, o real preparo da Pedra dos Sábios, a Medicina dos Metais e o Elixir da Vida!

ASPECTOS GERAIS: Desgastar-se entre dois pólos, dilema, prova de paciência, impotência, beco sem saída, aprendizado involuntário, crise de vida, pausa forçada, ter de fazer sacrifícios.

VIDA PROFISSIONAL: Trabalhos cansativos, falta de sucesso, planos arrastados, procura de trabalho que parece ser inútil, falta de perspectivas futuras, estar imobilizado sem saber que fazer para prosseguir.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Estar dividido entre contradições e reconhecer a saída em uma mudança de direção.

RELACIONAMENTO: Crise no relacionamento, esforços inúteis, mover-se em círculos, estar preso a um dilema do qual apenas se pode sair por meio do sacrifício de algo que até momento é indiscutível.

ENCORAJA A: Dar uma virada e abrir-se a novas percepções.

ALERTA SOBRE: Resignar-se, desistir de si mesmo ou persistir em algo obstinadamente por puro hábito.

COMO CARTA DO DIA: Hoje a sua paciência vai ser colocada à prova. Talvez algo que já esteja emperrado há muito tempo continue a ser protelado ou algo com qual você não contava, empaque repentinamente. Não tente solucionar problema à força. Dessa forma, você iria somente atrapalhar ainda mais. Talvez seja suficiente apenas mudar a sua perspectiva para enxergar a situação sob um prisma completamente diferente. Se isso também não ajudar, você terá, quer queira ou não, de fazer algum sacrifício para que as coisas voltem a fluir.

COMO CARTA DO ANO: Deixe que este ano se transforme em um ano de transição na sua vida. Você está perdido em um beco sem saída, e precisa, querendo ou não, retornar. Ainda que você se sinta preso e impotente a uma armadilha, não se deixe abater, senão entrará em uma crise ainda mais profunda. Tentar mudar a situação à força, tampouco ajudará. E como se você estivesse em areia movediça: quanto mais você se debater, mais afundará. Para que as coisas voltem a se movimentar, você precisará de muita paciência, de disposição para sacrificar velhos hábitos e de determinação para contemplar problema com uma atenção especial, tempo que for necessário, até que subitamente a solução se torne clara. Isto é, na verdade, bem simples. Pois, afinal, todas as soluções são simples, depois que nós finalmente as encontramos.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura nua, pendurada de cabeça
para baixo

 

 

Impotência, posição de sacrifício, entrega incondicional

Pendurado pelo pé esquerdo

 

 

Ter caído inconscientemente nessa situação

Pernas cruzadas

 

 

Realidade terrena

Braços fazem alusão a um triângulo

 

 

Divindade

Cruz sobre triângulo

 

 

O Terreno sobre Divino, mundo às avessas, escurecimento da luz

Cabeça calva sem feições

 

 

Crise de identidade, perda do ego

Ankh com serpente da vida

 

 

Pólo da vida, fio da vida

Fundo verde-brilhante

 

 

Um fio de esperança

Serpente preta da morte abaixo da cabeça

 

 

Pólo da morte, entregar-se ao inevitável

Figura pendurada de cabeça para
baixo entre as serpentes

 

 

Estar dividido entre dois pólos distintos

Grade azul quadriculada

 

 

Forma de viver limitada, estruturas de pensamento pouco inteligentes e compulsivas

Discos verdes

 

 

Misericórdia, salvação

Qabbala: Mem מ

 

 

Água

Astrologia: Elemento Água

 

 

Entrega, espiritualidade

 

 

 

XIII ‒ MORTE

Esta carta é atribuída à letra Nun, que significa peixe, o símbolo da vida sob as águas, a vida se movendo através das águas. Refere-se ao signo zodiacal do Escorpião, que é regido por Marte, o planeta de energia ígnea sob sua forma mais baixa, que é, portanto, necessária para produzir o impulso. Na alquimia, esta carta explica a ideia da putrefação, o nome técnico dado por seus adeptos à série de alterações químicas que desenvolve a forma final da vida a partir da semente latente original no ovo órfico. Este signo é um dos dois mais poderosos do zodíaco, mas não possui a simplicidade e intensidade de Leão. É formalmente dividido em três partes: a mais baixa é simbolizada pelo escorpião, que supunham os antigos observadores da natureza, comete suicídio ao se encontrar cercado por um anel de fogo, ou, de outra maneira, numa situação desesperada. Isto representa putrefação sob sua forma mais baixa. A tensão do ambiente tornou-se intolerável e o elemento atacado voluntariamente se sujeita à alteração; assim, o potássio arrojado à água se torna inflamado e aceita o abraço do radical hidroxilo. A interpretação mediana deste signo é dada pela serpente, a qual é, ademais, o tema principal do signo. A serpente é sagrada, Senhora da Vida e da Morte, e seu método o de progressão sugere a ondulação rítmica daquelas fases gêmeas da vida que chamamos respectivamente de vida e morte. A serpente é também, como já previamente explicado, o principal símbolo da energia masculina. A partir disto se perceberá que esta carta é, num sentido rigorosíssimo, o complemento da carta chamada Volúpia, Atu XI e o Atu XII representa a solução ou dissolução que as une. O aspecto mais elevado da carta é a águia, que representa exaltação acima da matéria sólida. Os antigos químicos entenderam que em certos experimentos os elementos mais puros (isto é, os mais tênues) presentes eram desprendidos como gás ou vapor. São assim representados nesta carta os três tipos essenciais de putrefação. A própria carta representa a dança da morte. A figura é um esqueleto manipulando uma foice, sendo tanto o esqueleto quanto a foice importantes símbolos saturninos. Isto parece estranho, visto que Saturno não tem nenhuma conexão clara com Escorpião; todavia, Saturno representa a estrutura essencial das coisas existentes. Ele é aquela natureza elementar das coisas que não é destruída pelas alterações ordinárias que ocorrem nas operações da natureza. Além disso, o esqueleto está coroado com a coroa de Osíris, representando Osíris nas águas de Amenti. E, ainda, ele é o deus criativo original, secreto e masculino: ver Atu XV, “Redeunt Saturnia regna.” Foi somente a corrupção da tradição, a confusão com Set, e o culto do deus que morre, incompreendido, deformado e distorcido pela Loja Negra, que o transformaram num símbolo senil e monstruoso. Pela varredura de sua foice o esqueleto cria bolhas nas quais começam se configurar as novas formas que ele cria em sua dança, sendo que estas formas também dançam. Nesta carta o símbolo do peixe é soberano. O peixe (IL PESCE, como o chamam em Nápoles e muitos outros lugares) e a serpente são os dois principais objetos de veneração em cultos que ensinaram as doutrinas da ressurreição ou reencarnação. Assim temos Oannes e Dagon, deuses-peixes, na Ásia ocidental. Em muitas outras partes do mundo existem cultos similares. Mesmo no cristianismo, Cristo era representado como um peixe. Supunha-se que a palavra grega ICQUS, “que significa peixe e muito adequadamente representa Cristo”, como Browning lembra, fosse um notariqon, as iniciais de uma sentença que significa “Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador”. Também não é por acidente que São Pedro fosse um pescador. Os Evangelhos, inclusive, estão cheios de milagres envolvendo peixes e o peixe é sagrado para Mercúrio devido ao seu sangue frio, sua celeridade e seu brilho. Há, ademais, o simbolismo sexual. Isto lembra novamente a função de Mercúrio como guia dos mortos e como o contínuo elemento elástico na natureza. Esta carta, portanto, deve ser considerada de uma maior importância e catolicidade do que se poderia esperar da simples atribuição zodiacal. Chega a ser um compêndio de energia universal na sua forma mais secreta.

ASPECTOS GERAIS: Despedida, fim natural, medo da vida, agarrar-se a algo inutilmente, ter de desprender-se, renúncia.

VIDA PROFISSIONAL: Término de uma atividade profissional, ter cumprido seu trabalho, enterrar objetivos e projetos profissionais, aposentadoria.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria efemeridade.

RELACIONAMENTO: Fim de um relacionamento, inicio de uma mudança fundamental no relacionamento, despedida, medo da perda, sentimentos mortos.

ENCORAJA A: Desprender-se, deixar que algo chegue ao fim.

ALERTA SOBRE: Dar passos que não levam a futuro algum.

COMO CARTA DO DIA: Hoje algo chegará ao fim. Alguma coisa acabará ou perderá prazo de validade. Talvez você esteja contente que "isso" tenha finalmente acabado, porém talvez seja difícil desprender-se de algo que provavelmente tenha significado muito para você no passado. De qualquer forma, você pode acreditar que é chegada a hora de dizer adeus. Não tente preservar algo que já tenha acabado. Quando você realmente tiver se desprendido, irá se sentir finalmente livre e aliviado, mesmo que isso no momento pareça difícil de imaginar.

COMO CARTA DO ANO: Este ano pode significar um momento decisivo na sua vida. E chegada a hora de dizer adeus a tudo que já tenha acabado ou que tenha conteúdo e a forma desgastados, para abrir assim espaço para desenvolvimento de novos processos. Portanto. desprenda-se de tudo aquilo que você talvez há tempos já tenha percebido, que mesmo maior dos esforços não trará resultado. Deixe maus e nocivos hábitos definitivamente para trás e despeça-se de tudo que já não lhe faz bem. Quanto mais consciente e determinado você estiver para se libertar de estruturas ultrapassadas, mais rapidamente surgirá uma nova fase. Se essa experiência for acompanhada de uma despedida dolorosa ou medo do desconhecido, você deve encarálos de frente, sem tentar heroicamente reprimir ou menosprezar esses sentimentos humanos.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Esqueleto preto, que corta as linhas
da vida com uma foice

 

 

Transitoriedade, fim, renúncia

Coroa de Osíris, deus egípcio dos
mortos

 

 

Morte e renascimento

Posição dos ossos da perna em
forma de portal

 

 

Portal para uma vida nova

Bolhas ascendentes contendo
figuras azul-claras dançando

 

 

Ascendência para uma vida nova

Escorpião

 

 

Alusão à associação dessa carta com Escorpião, símbolo da morte e do nascimento

Flores de lótus e lírios murchos

 

 

Transitoriedade, processo de formação do húmus como condição para surgimento de uma nova vida

Peixe e serpente

 

 

Morte e ressurreição

Águia

 

 

Transformação, libertação, superação da matéria

Qabbala: Nun נ

 

 

Peixe

Astrologia: Escorpião ♏

 

 

Transformação, morte e nascimento

 

 

 

XIV ‒ ARTE

Esta carta é o complemento e o cumprimento do Atu VI, Gêmeos. Pertence a Sagitário, o oposto de Gêmeos no zodíaco e, portanto, “segundo outra maneira” um com ele. Sagitário significa o arqueiro e a carta é (sob sua forma mais simples e mais primitiva) um retrato de Diana, a Caçadora. Diana é, em primeiro lugar, uma das deusas lunares, embora os romanos tenham produzido certa degradação da deusa a partir da “Artemis virgem” grega, que é também a Grande Mãe da Fertilidade, Diana dos efésios, a de muitos seios (uma forma de Ísis ‒ ver Atu II e III). A conexão entre a Lua e a caçadora é indicada pelo formato do arco, e a significação oculta de Sagitário é a seta perfurando o arco-íris; os últimos três caminhos da Árvore da Vida compõem a palavra Qesheth, arco-íris e Sagitário porta a flecha que perfura o arco-íris, pois seu caminho conduz da Lua de Yesod ao Sol de Tiphareth (esta explicação é altamente técnica, o que se justifica porque a carta representa uma importante fórmula científica, que não pode ser expressa em linguagem apropriada à compreensão comum). Esta carta representa a consumação do casamento real que ocorreu no Atu VI. Os personagens negro e branco estão agora unidos numa única figura andrógina. Mesmo as abelhas e as serpentes em seus mantos fizeram uma aliança. O leão vermelho tornou-se branco e cresceu em tamanho e importância, enquanto que a águia branca, semelhantemente expandida, tornou-se vermelha. Ele trocou seu sangue vermelho pelo glúten branco dela (só é possível explicar estes termos a estudantes avançados de alquimia). O equilíbrio e a permuta são efetuados completamente na própria figura: a mulher branca possui agora uma cabeça negra, o rei negro, uma branca. Ela usa a coroa de ouro com uma faixa de prata, ele, a coroa de prata com uma fita de ouro, mas a cabeça branca à direita é prolongada na ação por um braço branco à esquerda que segura a taça do glúten branco, enquanto que a cabeça negra à esquerda tem o braço negro à direita segurando a lança que se tornou uma tocha e verte seu sangue ardente. O fogo queima a água, a água extingue o fogo. O manto da figura é verde, o que simboliza crescimento vegetal: aqui reside uma alegoria alquímica. No simbolismo dos pais da ciência, todos os objetos “reais” eram considerados como mortos; a dificuldade de transmutar os metais era que os metais, como ocorrem na natureza, tinham a natureza de excrementos porque não cresciam. O primeiro problema da alquimia era elevar o mineral à vida vegetal. Os Adeptos acharam que o modo correto de fazer isso era imitar os processos da natureza. Destilação, por exemplo, não era uma operação a ser executada aquecendo-se alguma coisa numa retorta sobre uma chama; tinha que ocorrer naturalmente, mesmo se meses fossem exigidos para consumar a obra (naquele período da civilização meses estavam à disposição das mentes inquiridoras). Muito do que as pessoas consideram hoje ignorância, sendo estas ignorantes do que os homens de outrora pensavam, procede desse mal-entendido. Na base desta carta, por exemplo, são vistos o fogo e a água misturados harmoniosamente. Mas isto é apenas um símbolo rudimentar da ideia espiritual, que é a satisfação do desejo do elemento incompleto de um tipo em satisfazer sua fórmula por assimilação de seu igual e contrário. Este estado da Grande Obra, portanto, consistia na mistura dos elementos contraditórios num caldeirão. Este é aqui representado como dourado ou solar, porque o Sol é o Pai de toda a Vida e (particularmente) preside a destilação. A fertilidade da Terra é mantida pela chuva e o sol. A chuva é formada por um processo lento e suave e é tornada efetiva pela cooperação do ar, que é ele mesmo alquimicamente o resultado do casamento do fogo e a água. Assim, também a fórmula do prolongamento da vida é morte, ou putrefação. Aqui é simbolizado pelo caput mortuum sobre o caldeirão, um corvo pousado sobre uma caveira. Em termos de agricultura, isto é a terra inculta. Há uma interpretação particular desta carta que é apenas para ser compreendida pelos iniciados do Nono Grau da O.T.O., visto que contém uma fórmula mágica prática de tal importância que torna impossível sua comunicação aberta. Elevando-se do caldeirão, como resultado da operação aí realizada, vê-se um jorro de luz que se transforma em dois arco-íris que formam a capa da figura andrógina. No centro uma seta aponta para cima. Isto se liga ao simbolismo geral previamente explicado, a espiritualização do resultado da Grande Obra. O arco-íris simboliza, além disso, outro estágio no processo alquímico. Num certo período, como resultado da putrefação, observa-se um fenômeno de luzes multicoloridas (a “capa de muitas cores” que se dizia ter sido usada por José e Jesus, nas antigas lendas, se refere a isso. Ver também Atu 0, o traje de bufão do Homem Verde, redentor-sonhador). Em síntese, o conjunto desta carta representa o teor oculto do ovo descrito no Atu VI. É a mesma fórmula, mas num estágio mais avançado. A dualidade original foi completamente compensada; mas depois do nascimento vem o crescimento; depois do crescimento, a puberdade, e depois da puberdade, purificação. O estágio final da Grande Obra é, portanto, prenunciado nesta carta. Atrás da figura, estando suas bordas coloridas com o arco-íris que agora emergiu dos arco-íris gêmeos formadores da capa da figura, há uma auréola encerrando a inscrição VISITA INTERIORA TERRAE RECTIFICANDO INVENIES OCCULTUM LAPIDEM (“Visita as partes interiores da terra: pela retificação tu descobrirás a pedra oculta.”). Suas iniciais formam a palavra V.I.T.R.I.O.L., o solvente universal, do qual se tratará na sequência (seu valor é 726 = 6 × 11 = 33 × 22). Essa “pedra oculta” é chamada também de medicina universal. Por vezes é descrita como uma pedra, por vezes como um pó, às vezes como uma tintura. Divide-se novamente em duas formas, o ouro e a prata, o vermelho e o branco, mas sua essência é sempre a mesma e sua natureza só pode ser compreendida pela experiência. É porque os alquimistas lidavam com substâncias na fronteira da “matéria” que compreendê-los é tão difícil. O tema da química e da física modernas é o que eles teriam chamado de estudo das coisas mortas, pois a diferença real entre coisas vivas e mortas é, numa primeira instância, o comportamento delas. As iniciais da divisa alquímica dada acima formam a palavra Vitriol. Isto não tem nada a ver com os sulfatos seja do hidrogênio, do ferro ou do cobre, como poderia ser supor a partir do uso moderno. Representa uma combinação equilibrada dos três princípios alquímicos, enxofre, mercúrio e sal. Estes nomes não têm nenhuma conexão com as substâncias assim denominadas pelo vulgo. Já foram descritos nos Atu I, III e IV. O conselho para “visitar o interior da terra” é uma recapitulação (num plano mais alto) da primeira fórmula da Obra que tem sido o tema tão constante das exposições deste ensaio. A palavra importante na prescrição é a central RECTIFICANDO, que sugere a condução certa da nova substância viva na senda da Vontade Verdadeira. A pedra filosofal, a medicina universal deve ser um talismã de uso em qualquer evento, um veículo completamente elástico e completamente rigoroso da Vontade Verdadeira dos alquimistas. Trata-se de fertilizar e trazer à Vida manifesta o ovo órfico. A seta, tanto nesta carta como no Atu VI, é de suma importância. A seta é, na verdade, o glifo mais simples e mais puro de Mercúrio, sendo o símbolo da Vontade dirigida. Convém enfatizar este fato mediante uma citação do Quarto Æthyr, LIT, em The Vision and the Voice.

ASPECTOS GERAIS: Encontrar a medida certa, equilíbrio de forças, harmonia, relaxamento, superação dos opostos, cura.

VIDA PROFISSIONAL: Encerrar conflitos, cooperação agradável e produtiva, mover-se para a frente, dissolver contradições e resistências, encontrar equilíbrio entre trabalho e tempo livre.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Dominar as tensões interiores e encontrar a saída para um dilema aparentemente indissolúvel.

RELACIONAMENTO: Harmonia verdadeira, relação tântrica, vínculo profundo, conciliação bem-sucedida de interesses, convivência com direitos iguais, "a mistura certa".

ENCORAJA A: Dar melhor de si para superar contradições e diferenças.

ALERTA SOBRE: Tomar cuidado para não subestimar a dificuldade do propósito e a dimensão do problema.

COMO CARTA DO DIA: Você possui hoje a habilidade para realizar com sucesso uma mistura extraordinária, uma criação notável. Você poderá unir pessoas, descobrir uma forma hábil de solucionar um problema ou criar uma receita requintada. Esse também é dia perfeito para iniciar um vínculo profundo, contornar uma situação incômoda ou dissolver tensões.

COMO CARTA DO ANO: Este é ano da Grande Obra. Assim os alquimistas chamavam a união bem-sucedida de opostos. Caso você esteja vivenciando uma contradição torturante, sentindo-se dividido entre dois extremos, impotente e preso a um dilema ou duas almas dentro de seu peito que ameacem dilacerá-lo, você poderá encontrar de fato, neste ano, a solução que até agora parecia impossível, a mistura certa. A condição para esse artifício é a disposição de ir ao fundo quanto for necessário e não se prender a superficialidades, a coisas aparentemente evidentes e a convenções sociais. A libertação de um campo de tensão insuportável não é apenas um dos momentos mais felizes na vida, como também, muitas vezes, passo decisivo para a cura. Transforme este ano em uma grande obra de arte.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Alquimista como uma pessoa de duas cabeças e dois sexos (andrógino)

 

 

Junção das partes feminina e masculina, equilíbrio

Corpo com vários seios

 

 

Força nutriz

Traje verde com abelhas

 

 

Naturalidade, fertilidade

Mistura do fogo (enxofre) com a água (mercúrio)

 

 

A Arte Alquímica de unir os opostos

Caldeirão dourado, com caveira e corvo

 

 

Apodrecimento e morte como processos de fermentação necessários para uma vida nova

Leão branco e águia vermelha

 

 

A inversão da realidade "normal"

Corrente de luz com as cores do arco-íris e seta que ascende do caldeirão

 

 

Energia liberada, despertar do espírito, conhecimento que jorra para a superfície

Arco solar com inscrição em latim: "Visita interiora terrae rectificando invenies occultum lapidem"

 

 

A solução universal: "Visita interior da terra e, retificando, encontrarás a pedra oculta"

Qabbala: Samekh ס

 

 

Suporte, fundamento

Astrologia: Sagitário ♐

 

 

Força que impele na direção do Supremo

 

 

 

XV ‒ DIABO

Esta carta é atribuída à letra Ayin, que significa olho, e se refere a Capricórnio no zodíaco. Na Idade das Trevas do cristianismo, foi completamente incompreendida. Éliphas Lévi a estudou muito profundamente devido à sua conexão com a magia cerimonial ‒ seu assunto favorito ‒ e a redesenhou, identificando-a com Baphomet, o ídolo de cabeça de asno dos Cavaleiros do Templo. Os cristãos primitivos também foram acusados de adorar um asno, ou deus de cabeça de asno. Ver Browning, The Ring and the Book (O Papa). Mas, naquela época, a pesquisa arqueológica não tinha ido muito longe, a natureza de Baphomet não sendo totalmente compreendida (ver Atu 0 nas páginas anteriores). Mas, ao menos, ele conseguiu identificar o bode, retratado na carta, com Pã. Na Árvore da Vida, os Atu XIII e XV estão simetricamente dispostos. Conduzem de Tiphareth, a consciência humana, às esferas nas quais Pensamento (por um lado) e Êxtase (por outro) são desenvolvidos. Entre eles o Atu XIV conduz, de modo semelhante, à esfera que formula a Existência (ver nota acerca do Atu X e arranjo). Estas três cartas podem, consequentemente, ser sintetizadas como um hieróglifo dos processos pelos quais a ideia se manifesta como forma. Essa carta representa a energia criativa, sob a sua forma mais material. No zodíaco, Capricórnio ocupa o zênite. É o mais exaltado dos signos; é o bode saltando com volúpia sobre os cumes da terra. Este signo é regido por Saturno, que tende para o egoísmo e a perpetuidade. Neste signo, Marte é exaltado, mostrando em sua melhor forma a ígnea energia material da criação. A carta representa Pan Pangenetor, o gerador de tudo. É a Árvore da Vida vista contra um fundo das mais primorosamente tênues, complexas e fantásticas formas de loucura, a loucura divina da primavera, já prevista na loucura meditativa do inverno, pois o Sol se volta para o norte ao entrar neste signo. As raízes da Árvore são tornadas transparentes, a fim de exibir os inumeráveis saltos da seiva; diante dela, posta-se o bode do Himalaia, com um olho no centro de sua testa, representando o deus Pã na superfície das mais elevadas e mais secretas montanhas da Terra. Sua energia criativa está velada no símbolo do bastão do Adepto Maior, coroado com o globo alado e as serpentes-gêmeas de Hórus e Osíris.

“Ouve-me, Senhor das Estrelas,
Pois a ti tenho venerado sempre
Com máculas, pesares e cicatrizes,
Com jubiloso, jubiloso Esforço.
Ouve-me, oh bode alvo como o lírio
Viçoso como uma moita de espinhos
Com um colar de ouro para tua garganta,
Um arco escarlate para teus cornos.”

O signo do Capricórnio é rude, severo, sombrio, mesmo cego; o impulso para criar não leva em conta a razão, o costume ou a precaução. É divinamente inescrupuloso, sublimemente negligente do resultado. “... tu não tens direito senão fazer tua vontade. Faze isso, e nenhum outro dirá não. Pois vontade pura, desaliviada de propósito, livre da sede de resultado, é toda senda perfeita.” (AL I, 42-44) Cumpre observar, ademais, que o tronco da Árvore perfura os céus; em torno dele está indicado o anel do corpo de Nuit. Analogamente, o eixo do bastão desce indefinidamente para o centro da terra. “Se eu levanto minha cabeça, Eu e minha Nuit somos um. Se eu abaixo minha cabeça, e lanço veneno, então há êxtase da terra, e eu e a terra somos um.” (AL II, 26) A fórmula desta carta é então a completa apreciação de todas as coisas existentes. Ele se regozija no áspero e no estéril não menos do que no suave e no fértil. Todas as coisas o exaltam igualmente. Ele representa a descoberta do êxtase em todo fenômeno, não importa quão naturalmente repugnante; ele transcende todas as limitações; ele é Pã; ele é Tudo. É importante observar algumas outras correspondências. As três consoantes-vogais do alfabeto hebraico, Aleph, Yod, Ayin, estas três letras formam o nome sagrado de Deus, I.A.O. Estes três Atu, IX, 0 e XV oferecem assim uma explicação tripla da energia criadora masculina, porém esta carta especialmente representa a energia masculina no máximo da masculinidade. Saturno, o regente, é Set, o deus de cabeça de asno dos desertos egípcios; ele é o deus do sul. O nome se refere a todos os deuses contendo essas consoantes, como Shaitan ou Satã (ver Magick, págs. 336-7). As cercanias são essenciais ao simbolismo ‒ sítios estéreis, especialmente lugares elevados. O culto da montanha é um paralelo exato. O Velho Testamento está repleto de ataques a reis que celebravam o culto em “lugares elevados”; isto muito embora Sião fosse uma montanha! Este sentimento persistiu, mesmo até os dias do sabá das feiticeiras, realizado, se possível, num cume desolado, mas (caso não se dispusesse de nenhum) ao menos num local selvagem, não contaminado pela artificialidade dos homens. Note-se que Shabbathai, a “esfera de Saturno”, é o sabá. Historicamente, o ânimo contra as feiticeiras diz respeito ao medo dos judeus, cujos ritos, suplantados pelas formas cristãs de magia, haviam se tornado misteriosos e terríveis. O pânico sugeria que crianças cristãs eram furtadas, sacrificadas e devoradas. A crença perdura até os dias de hoje. Em todo símbolo desta carta existe a alusão às coisas mais elevadas e mais remotas. Mesmo os cornos do bode são espirais para representar o movimento da energia que tudo permeia. Zoroastro define Deus como “possuindo uma força espiral”. Comparar aos mais recentes, se menos profundos, escritos de Einstein. Compare Saturno, num extremo dos Sete Viandantes Sagrados, com a Lua no outro: o ancião e a jovem ‒ ver “A Fórmula de Tetragrammaton”. São ligados como nenhuma outra dupla de planetas já que 3 ao quadrado = 9 e cada um contém em si mesmo os extremos de sua própria ideia.

ASPECTOS GERAIS: Sombra, impulsividade, excessos, cobiça, sede de poder, tentação, forças inconscientes.

VIDA PROFISSIONAL: Atividades proibidas, corrupção, exploração, intrigas, manobras não transparentes, aproveitar-se de relações de dependência, negócios obscuros.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Confrontar-se com a sua própria sombra.

RELACIONAMENTO: Paixão profunda, pacto de amor, ligação cármica, envolvimento emocional, magia do amor, fascinação, concupiscência, luta pelo poder, ódio, servidão, projeções.

ENCORAJA A: Iluminar a escuridão.

ALERTA SOBRE: O poder destrutivo de impulsos naturais quando são reprimidos.

COMO CARTA DO DIA: Sem querer fazer com isso uma previsão assustadora, pode ser que você hoje se confronte com seu lado sombrio. Talvez se deixe seduzir a dar um passo impensado ou caia na tentação de agir contra seus princípios. Também podem vir à tona sentimentos sobre os quais você não fazia a mínima idéia ou talvez acreditasse já ter superado há muito tempo, como inveja, ciúme, avidez ou sede de poder. Aborrecerse ou colocar a culpa nos outros ajudará tão pouco quanto tentar controlá-los. Aproveite a oportunidade para iluminar a escuridão, tomando consciência de facetas que não agradam e pesquisando as suas motivações secretas.

COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você deve arrumar seu porão. Ao fazê-lo, algumas coisas que você desconhecia virão à tona e outras, sobre as quais você tinha uma vaga idéia, irão tornar-se subitamente claras. Obviamente, "porão" aqui significa lado escuro do nosso ser, aquele que, de vez em quando, impele-nos a fazer coisas contrárias aos nossos princípios, e depois nos faz pensar que estávamos com diabo no corpo. Nos próximos 12 meses, você terá oportunidades suficientes para conhecer melhor esse seu lado sombrio. Tudo que você terá a fazer é parar de procurar por um bode expiatório e questionar a razão de se encontrar nessas situações endiabradas. Tome consciência da sua predisposição. Aprenda a conhecer os lados negativos e renegados do seu ser, pois, enquanto eles estiverem reprimidos, poderão aliar-se a forças externas e enfraquecê-lo. Dê a esses seres das sombras espaço devido e descubra onde e quando você poderá vivenciar essas tendências de maneira cautelosa e suportável no futuro.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Bode com um sorriso e chifres
espiralados e o terceiro olho

 

 

Pan, o deus da natureza, o oniparente, natureza instintiva e impulsiva

Coroa de flores de Lótus

 

 

Identifica quem a usa como o filho do bem

Testículos transparentes contendo sêmen com formas humanas

 

 

Forças procriadoras, que descansam e amadurecem nas profundezas

Raiz com forma semelhante a um falo, que desemboca em um anel azul, o colo da rainha do céu

 

 

Seivas da vida, que ascendem das profundezas

Bastão com um disco solar alado
(que se encontra na carta do MAGO
no lugar mais alto), que emerge das
profundezas

 

 

A Luz como filha das Trevas

Textura acinzentada, como uma teia
de aranha

 

 

Grilhões do submundo, perfídia, perigo de envolvimento

Qabbala: Ayin ע

 

 

Olho

Astrologia: Capricórnio ♑

 

 

Signo da maior escuridão* durante o ano, o solstício de inverno** no qual o sol renasce.

*N.T.: Na perspectiva do hemisfério norte, onde o livro foi escrito, o signo de Capricórnio está no período do inverno.

**N.T.: No hemisfério sul, o solstício de verão ocorre durante o signo de Capricórnio, e o de inverno, durante o signo de Câncer, ao contrário do hemisfério norte. Essa perspectiva diferente não interfere, contudo, na interpretação dessa carta.

 

 

XVI ‒ A TORRE (OU GUERRA)

Esta carta é atribuída à letra Pé, que significa boca. Refere-se ao planeta Marte. Segundo sua interpretação mais simples concerne à manifestação da energia cósmica sob sua forma mais grosseira. A ilustração mostra a destruição do material existente pelo fogo. Pode ser tomada como o prefácio ao Atu XX, O Juízo Final, isto é, a Vinda de um Novo Æon. Sendo assim, parece indicar a qualidade quintessencial do Senhor do Æon. (Ver Liber AL III, 3-9; 11-13; 17-18; 23-29; 46; 49-60; 70-72.) Na parte inferior da carta, portanto, é mostrada a destruição do velho Æon outrora estabelecido pelo raio, chamas, engenhos de guerra. No canto direito veem-se as mandíbulas de Dis vomitando flamas na raiz da estrutura. Figuras quebradas da guarnição caem da torre. Pode-se notar que perderam sua forma humana, convertendo-se em meras expressões geométricas. Isto sugere outra (e totalmente diversa) interpretação da carta. A fim de compreendê-la, é necessário voltar-se para as doutrinas da yoga, especialmente aquelas mais largamente difundidas e correntes no sul da Índia, onde o culto a Shiva, o Destruidor, é soberano. Shiva é representado dançando sobre os corpos de seus devotos. A compreensão disto não é fácil para a maioria das mentes ocidentais. Em termos sumários, a doutrina é que a realidade última (que é perfeição) é Nada. Por consequência, todas as manifestações, não importa quão gloriosas, quão prazerosas sejam, são máculas. Para atingir a perfeição, todas as coisas existentes têm que ser aniquiladas. Pode-se, portanto, entender pela destruição da guarnição sua emancipação da prisão da vida organizada, que os confinava. Prender-se a ela era a insensatez dos membros da guarnição. O acima exposto deveria deixar claro que símbolos mágicos têm que ser sempre compreendidos num sentido duplo, um contraditório do outro. Estas ideias se combinam naturalmente com a significação mais elevada e mais profunda da carta. Há uma referência direta a esta carta em O Livro da Lei. No capítulo I, versículo 57, a deusa Nuit fala: “Invocai-me sob minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob a vontade. Que os tolos não confundam o amor; pois existe amor e amor. Existe a pomba, e existe a serpente. Escolhei bem! Ele, meu profeta, escolheu, conhecendo a lei da fortaleza, e o grande mistério da Casa de Deus.” (Por esta razão o antigo título, hoje não muito inteligível, foi retido. Caso contrário, poderia ter sido chamada Guerra.) A figura que se destaca nesta carta é o olho de Hórus. Este é também o olho de Shiva, na abertura do qual, conforme a lenda deste culto, o universo é destruído. Além disso, há um especial significado técnico mágico, o qual é explicado abertamente apenas aos iniciados do décimo primeiro grau da O.T.O., um estágio tão secreto que não é nem elencado nos documentos oficiais. Não é mesmo para ser compreendido pelo estudo do olho no Atu XV. Talvez seja lícito mencionar que os sábios árabes e os poetas persas escreveram, nem sempre com reservas, sobre o assunto. Banhadas na efulgência desse olho (que agora assume até um terceiro sentido, o indicado no Atu XV) veem-se a pomba carregando um ramo de oliveira e a serpente, como na citação acima. A serpente é retratada como a serpente-leão Xnoubis ou Abraxas. Estas representam as duas formas de desejo, o que Schopenhauer teria chamado de vontade de viver e vontade de morrer. Representam os impulsos feminino e masculino; a nobreza deste último é possivelmente baseada no reconhecimento da futilidade do primeiro. Esta é talvez a razão porque a renúncia do amor em todos os sentidos ordinários da palavra tem sido tão constantemente anunciada como o primeiro passo rumo à iniciação. Esta é uma opinião de inflexibilidade desnecessária. Este trunfo não é a única carta no baralho e nem são a “vontade de viver” e a “vontade de morrer” incompatíveis. Isto se torna claro tão logo vida e morte são compreendidas (ver Atu XIII) como fases de uma única manifestação de energia.

ASPECTOS GERAIS: Compreensão súbita, transformação, ruptura, libertação, golpe do destino.

VIDA PROFISSIONAL: Demissão, falência, mudança radical, demonstração de força.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Reconhecer suas próprias idéias fixas e romper com noções ultrapassadas que se tornaram limitantes.

RELACIONAMENTO: Separação repentina, explosão de sentimentos, rompimento de um vínculo limitante, tempestades purificadoras no relacionamento.

ENCORAJA A: Romper com amarras limitantes.

ALERTA SOBRE: Riscos e perigos imprevisíveis, que trazem consigo uma transformação radical.

COMO CARTA DO DIA: Hoje não será, certamente, um dia monótono. Conte com uma surpresa que poderá ser vivenciada como algo positivo, ou como um distúrbio intenso que destruirá expectativas concretas. Mesmo que você se chateie ou sofra hoje, quando algo não correr como você esperava — que é perfeitamente compreensível —, mantenha em mente que essa carta indica rompimento com um ambiente sufocante ou a libertação de uma idéia fixa. No futuro, ao olhar para trás, você não lamentará que hoje não deu certo.

COMO CARTA DO ANO: Este ano que está à sua frente poderá se tornar ano da sua libertação, se você tiver a coragem necessária. Por isso, deixe que uma bomba caia e destrua os limites que se tornaram muito estreitos para você. Ouse romper com noções, estruturas ou formas de vida estreitas, que mantêm prisioneiro. Leve em consideração que, em situações nas quais você esteja resistindo a transformações, correndo atrás de idéias fixas ou agarrando-se a velhos hábitos, uma mudança no seu modo de pensar talvez seja necessária. Portanto, analise em que você está sendo parcial, olhando as coisas sob um prisma muito estreito ou a quais garantias aparentes você está agarrandose. Se você observar que disso surgem conflitos, desprenda-se desses conceitos; pois quanto mais você lutar por eles, com mais intensidade forças externas obrigarão a desistir. Não considere essas mudanças como um golpe do destino sem sentido, mas sim como uma correção de rumo necessária e uma ruptura decisiva para seu crescimento futuro.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Torre de pedra com grades nas
portas e nas janelas

 

 

Personalidade endurecida, consciência incrustada, conceitos rígidos de segurança, prisão

Garganta do mundo das trevas expelindo chamas

 

 

Transformação proveniente das profundezas

Muros desmoronando

 

 

Estruturas em rompimento, queda

Figuras de formas angulares em queda

 

 

Libertação ousada, ou possivelmente até perigosa, de almas enrijecidas pela prisão

Olho de Shiva radiante

 

 

Força destrutiva

Pomba com ramo

 

 

Salvação, nova esperança

Abraxas, a serpente com cabeça de leão

 

 

União entre a luz e as trevas, talismã

Fundo negro

 

 

Destruição, caos, infortúnio, escuridão

Qabbala: Peh פ

 

 

Boca

Astrologia: Marte ♂

 

 

Força guerreira, destruidora, abaladora

 

 

 

XVII ‒ A ESTRELA

Esta carta é atribuída à letra Hé, como foi explicado em outra parte. Refere-se ao signo zodíaco do Aquário, o aguadeiro. A ilustração representa Nuit, nossa Senhora das Estrelas. Para a compreensão do significado pleno desta sentença é necessário compreender o primeiro capítulo de O Livro da Lei. A figura da deusa é mostrada em manifestação, quer dizer, não como o espaço circundante do céu mostrado no Atu XX, onde ela é a pura ideia filosófica contínua e omniforme. Nesta carta ela é definitivamente personificada como uma figura de aparência humana. É representada segurando duas taças, uma delas dourada, sustentada bem acima de sua cabeça, da qual ela verte água (estas taças se assemelham a seios, como está escrito: “o leite das estrelas de suas tetas; sim, o leite das estrelas de suas tetas”). O universo é aqui decomposto em seus elementos últimos (é-se tentado a citar da Visão do Lago Pasquaney, “O Nada com cintilações... mas que cintilações!”) Atrás da figura da deusa está o globo celeste. Salientando-se em meio aos seus componentes vê-se a Estrela de sete pontas de Vênus, como se declarando que a principal característica de sua natureza é o Amor (ver novamente a descrição no capítulo I, de O Livro da Lei). Da taça dourada ela verte essa água etérea, que é também leite e azeite e sangue, sobre sua própria cabeça, indicando a eterna renovação das categorias, as possibilidades inesgotáveis da existência. A mão esquerda, abaixada, segura uma taça prateada, da qual ela também verte a bebida imortal de sua vida (esta bebida é a Amrita dos filósofos indianos, o nepenthe e ambrósia dos gregos, o alkahest e a medicina universal dos alquimistas, o sangue do Graal; ou melhor, o néctar que é a mãe deste sangue. Ela o despeja na junção de terra e água. Esta água é a água do grande Mar de Binah; na manifestação de Nuit num plano inferior ela é a Grande Mãe, pois o Grande Mar está sobre a praia da terra fértil, como representado pelas rosas no canto direito da ilustração. Mas entre mar e terra está o “Abismo” e este é ocultado pelas nuvens que rodopiam como um desenvolvimento do cabelo dela: “... meu cabelo, as árvores da Eternidade”. (AL I, 59)) No canto esquerdo da ilustração está a estrela de Babalon, o Sigillum da Fraternidade da A∴A∴, pois Babalon é ainda outra materialização da ideia original de Nuit; ela é a Mulher Escarlate, a Prostituta sagrada que é a senhora do Atu XI. Desta estrela, atrás da própria esfera celeste brotam os raios encaracolados de luz espiritual. O próprio céu nada mais é que um véu ante a face da deusa imortal. Percebe-se que toda forma de energia nesta ilustração é espiral. Zoroastro diz: “Deus é ele, tendo a cabeça de um falcão, tendo uma força espiral”. É interessante notar que este oráculo parece antecipar o presente Æon, o do Senhor de cabeça de falcão, e também da concepção matemática da forma do universo tal como calculada por Einstein e sua escola. É somente na taça inferior que as formas de energia emitidas exibem características retilíneas. Nisto é possível descobrir a doutrina que afirma que a cegueira da humanidade à toda a beleza e maravilha do universo é devida a esta ilusão de retidão. É significativo que Riemann, Bolyai e Lobatchewsky pareçam ter sido os profetas matemáticos da Nova Revelação, pois a geometria euclidiana depende da concepção de linhas retas, e foi somente porque descobriu-se que o postulado paralelo era incapaz de prova que os matemáticos começaram a conceber que a linha reta não tinha verdadeira correspondência com a realidade. A linha reta não é nada mais do que o limite de qualquer curva. Por exemplo, é uma elipse cujos focos estão uma distância “infinita”, separados. Aliás, tal uso do cálculo é o único modo certo de assegurar a “retidão”. No primeiro capítulo de O Livro da Lei, a conclusão tem importância prática. Concede a fórmula decisiva para a obtenção da verdade. “Eu dou inimagináveis alegrias sobre a terra: certeza, não fé, enquanto em vida, sobre a morte; paz indescritível, descanso, êxtase; e Eu não peço algo em sacrifício.” “Mas amar-me é melhor que todas as coisas: se sob as estrelas noturnas no deserto tu presentemente queimas meu incenso diante de mim, invocando-me com um coração puro, e a chama da serpente ali, tu virás um pouco a deitar em meu seio. Por um beijo, tu então estarás querendo dar tudo; mas quem quer que dê uma partícula de pó perderá tudo nessa hora. Vós reunireis bens e provisões de mulheres e especiarias; vós vestireis ricas joias; vós excedereis as nações da terra em esplendor e orgulho; mas sempre no amor de mim, e então vós vireis à minha alegria. Eu vos ordeno seriamente a vir diante de mim num robe único e cobertos com um rico adorno na cabeça. Eu vos amo! Eu anseio por vós! Pálido ou purpúreo, velado ou voluptuoso, Eu, que sou todo prazer e púrpura, e embriaguez no sentido mais íntimo, vos desejo. Colocai as asas e elevai o esplendor enroscado dentro de vós: vinde a mim! Em todos os meus encontros convosco dirá a sacerdotisa ‒ e seus olhos queimarão com desejo, enquanto ela se mantém nua e regozijante em meu templo secreto ‒ A mim! A mim! Estimulando a chama dos corações de todos em seu canto de amor. Cantai a extasiante canção de amor a mim! Queimai perfumes a mim! Vesti joias a mim! Bebei a mim, pois eu vos amo! Eu vos amo! Eu sou a filha de pálpebras azuis do Pôr do Sol; eu sou o brilho nu do voluptuoso céu noturno. A mim! A mim! A manifestação de Nuit está por um fim.”

ASPECTOS GERAIS: Boas perspectivas, esperança, confiança no futuro, harmonia, orientação superior.

VIDA PROFISSIONAL: Projetos muito promissores, mudança de profissão, seguir a sua vocação, começo de uma carreira com grandes perspectivas.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Profunda compreensão e confiança nas leis do Cosmo.

RELACIONAMENTO: Ligação com boas perspectivas, planos para um futuro comum, encontro que traz muitas esperanças, amor inspirador.

ENCORAJA A: Confiar na favorabilidade do momento e olhar com esperança para futuro.

ALERTA SOBRE: Ocupar-se demais com futuro e, com isso, perder presente.

COMO CARTA DO DIA: Alegre-se por este dia, pois ele será regido por uma boa estrela. Deixe-se inspirar por um sonho de futuro. O que for começado agora promete decorrer satisfatoriamente, mesmo a longo prazo, pois hoje você terá instinto necessário para enfrentar que virá pela frente. Caso não esteja planejando nada de novo, também valerá a pena restaurar algo antigo. Você se surpreenderá com que encontrará por baixo das camadas deixadas pelo tempo. As vezes, as lembranças também nos conduzem a novas visões.

COMO CARTA DO ANO: Este ano encontra-se sob uma boa estrela, no melhor sentido da expressão. Faça planos para futuro e ouse agora um novo começo, no qual você aposte em metas a longo prazo. É chegado momento para novas esperanças e visões direcionadas para futuro, principalmente se você tiver acabado de passar por uma crise ou uma fase difícil. Isso não diz respeito apenas ao âmbito do amor e relacionamentos, mas principalmente a eles. Tire os velhos escombros do caminho, lave suas feridas com uma água curadora e observe a situação de um posto mais elevado, por assim dizer, pela perspectiva de um passarinho, por cima. Você verá quão agradável são as perspectivas e quão promissoras as possibilidades. Aproveite este ano também para uma purificação interior e para seu crescimento espiritual. Sintonize a sua vida em harmonia com a ordem cósmica.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Figura de mulher azulada nua

 

 

Nut, a Senhora das Estrelas

Cálices dourado e prateado

 

 

Sol (espírito) e Lua (alma) como fontes da água celestial

Água corrente

 

 

Purificação, fertilidade, energia vital

Esfera celeste com estrela de sete pontas

 

 

Vênus, símbolo da força do amor

Cor lilás-clara

 

 

Inteligência cósmica

Estrela grande com névoa em forma de espiral

 

 

Estrela de Babalon, fonte de luz espiritual, amor divino

Estrela azul pequena

 

 

Amor terreno

Cristais

 

 

Proteção, energia curadora, clareza cristalina

Rosas

 

 

Amor, fertilidade

Borboletas

 

 

Renovação, leveza

Qabbala: He ה

 

 

Janela

Astrologia: Aquário ♒

 

 

Perspicácia, perspectiva ampla. visão

 

 

 

XVIII ‒ A LUA

O décimo oitavo trunfo é atribuído à letra Qoph, que representa Peixes no zodíaco. Chama-se A Lua. Peixes é o último dos signos. Representa o último estágio do inverno. Poderia ser denominado a Porta da Ressurreição (a letra Qoph significa nuca e está vinculada às potências do cerebelo). No sistema do velho Æon, a ressurreição do Sol não era somente a partir do inverno, mas também a partir da noite. E esta carta representa a meia-noite. “Há um amanhã em botão na meia-noite”, escreveu Keats. Por esta razão aparece na base da carta, abaixo da água que está colorida de gráficos de abominação, o escaravelho sagrado, o Kephra egípcio, prendendo em suas mandíbulas o disco solar. É este escaravelho que transporta o Sol em seu silêncio através da escuridão da noite e da severidade do inverno. Acima da superfície da água há uma paisagem sinistra e ameaçadora. Vemos uma senda ou corrente tingida de sangue que flui de uma brecha entre duas montanhas áridas; nove gotas de sangue impuro, no formato de Yods, caem sobre ela provenientes da Lua. A Lua, participando como participa do mais alto e do mais baixo e preenchendo todo o espaço intermediário, é o mais universal dos planetas. Em seu aspecto mais elevado, ocupa o lugar do vínculo entre o humano e o divino, como é exibido no Atu II. Neste trunfo, seu avatar mais baixo, ela se une à esfera terrestre de Netzach com Malkuth, a culminação na matéria de todas as formas superiores. Trata-se da lua minguante, a lua da feitiçaria e dos feitos abomináveis. Ela é a escuridão envenenada que é a condição do renascimento da luz. Esta senda é guardada pelo tabu. Ela é impureza e bruxaria. Acima das colinas estão as torres negras do mistério inominado, do horror e do medo. Todo o preconceito, toda a superstição, a tradição morta e a aversão ancestral, tudo se combina para obscurecer seu rosto perante os olhos dos homens. É necessária uma coragem insuperável para começar a trilhar esta senda. Aqui reside a vida fatídica, enganosa. O sentido do fogo se frustra. A lua não tem ar. O cavaleiro empenhado nesta busca tem que contar com os três sentidos inferiores: tato, paladar e olfato. A luz que possa aqui existir é mais fatal que as trevas e o silêncio é ferido pelo uivo de bestas selvagens. A que deus nos dirigiremos à procura de ajuda? É Anúbis, o vigilante do crepúsculo, o deus que se posta no limiar, o deus-chacal de Khem, que permanece sob forma dupla entre os caminhos. Aos seus pés, à espreita, aguardam os próprios chacais, para devorar as carcaças daqueles que não O viram, ou que ignoravam seu nome. Este é o limiar da vida; este é o limiar da morte. Tudo é dúbio, tudo é misterioso, tudo é intoxicante. Não a intoxicação benigna, solar de Dionísio, mas sim a horrível insanidade de drogas perniciosas; trata-se da embriaguez dos sentidos após a mente ter sido abolida pelo veneno desta Lua. Isto é o que é escrito de Abraão em O Livro do Princípio: “Um horror de trevas imensas abateu-se sobre ele.” É-se lembrado do eco mental de compreensão subconsciente daquela suprema iniquidade que os místicos constantemente celebraram em seus relatos da noite sombria da alma. Mas os melhores homens, os homens verdadeiros não consideram o assunto em tais termos de modo algum. Sejam quais forem os horrores que possam afligir a alma, as abominações que possam excitar a aversão do coração, os terrores que possam assaltar a mente, a resposta será a mesma em todo estágio: “Quão esplêndida é a aventura!”

ASPECTOS GERAIS: Medo do limiar que antecede um passo importante, incertezas, pesadelos, nervosismo, lembranças ameaçadoras, pressentimentos sombrios.

VIDA PROFISSIONAL: Fase critica, insegurança no emprego, medo de fracasso, intrigas, fraude, medo de provas.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Compreender significado orientador do medo.

RELACIONAMENTO: Circunstâncias confusas, relacionamento não confiável ou sinistro, ciúme corrosivo, incertezas, medo de dar um passo importante.

ENCORAJA A: Ultrapassar limiar do medo para alcançar terras novas que se encontram por trás dele.

ALERTA SOBRE: Perder-se no escuro, esconder-se por trás de ilusões e estados de embriaguez e fracassar ao tentar ultrapassar umbral.

COMO CARTA DO DIA: Talvez você já tenha hoje acordado de um pesadelo, ou tenha, por outras razões, uma sensação estranha com relação a este dia. Porém, não se deixe irritar por nenhum fantasma. Ainda que você se sinta pressionado ante as exigências do dia ou ambiente à sua volta faça sentir-se inseguro, você não deve se desviar do seu caminho. Tome consciência de que uma experiência importante e enriquecedora espera por trás da barreira do medo, mas você só poderá chegar até ela se conseguir superar esse obstáculo. Por isso, vá ao encontro do dia mais acordado possível e siga seu caminho cautelosa e prudentemente, apesar de todo medo. Você irá espantar-se com que alcançará por meio disso.

COMO CARTA DO ANO: O que importa este ano é passar pelo momento difícil ou, apesar de todas as contrariedades, colaborar para nascimento de um processo importante. Se empreendimento for bem-sucedido, resultado trará muita felicidade. Porém, caminho que leva até lá não é fácil e é, em grande parte, tomado pelo medo. Não deixe que esses medos perturbem, mesmo que fantasmas surjam sorrateiramente à noite e atormentem com pesadelos. Ainda assim, você não se deve deixar intimidar. Por outro lado, não seria inteligente menosprezar ou tentar amenizar as dificuldades que estão relacionadas com os seus planos. Leve os riscos a sério, sem se deixar desanimar. Pense exatamente naquilo que você quer fazer e dê um passo atrás do outro com determinação, sem deixar que isso se transforme em uma marcha forçada, e sem bancar herói.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Duas torres de guarda negras

 

 

Portal do medo, passagem estreita, portal para renascimento

Caminho entre as torres

 

 

Caminho que leva à totalidade

Duas figuras com cabeças de chacal acompanhadas de cachorros negros

 

 

Guardiões do umbral, vigias insubornáveis que só deixam passar aquele que não possui defeitos

Escaravelho com Sol

 

 

Ressurreição, despertar da consciência, nascer do Sol

Montanhas azul-celeste

 

 

Coxas da deusa do céu Nut que, por meio de sua vagina, dá à luz Sol todas as manhãs

Meia-lua voltada para baixo

 

 

Energias lunares maléficas, como alienação mental, obsessão

Nove gotas de sangue em forma da letra hebraica י

 

 

Forças ambivalentes, que provêm da lua minguante

Curvas oscilatórias no âmbito do inconsciente

 

 

Sonhos como potencial criativo

Qabbala: Koph ק

 

 

Parte de trás da cabeça

Astrologia: Peixes ♓

 

 

O último dos signos zodiacais, que conduz ao renascimento do ano

 

 

 

XIX ‒ O SOL

Em linguagem heráldica esta carta representa “o Sol com a divisa de uma rosa sobre um monte verde.” Esta é uma das cartas mais simples. Representa Heru-ra-ha, o Senhor do Novo Æon em sua manifestação à raça dos homens como o Sol espiritual, moral e físico. Ele é o Senhor da Luz, Vida, Liberdade e Amor. Este Æon tem como sua finalidade a completa emancipação da espécie humana. A rosa representa o florescimento da influência solar. Ao redor da totalidade da figura vemos os signos do zodíaco em suas posições normais, Áries surgindo no oriente e assim por diante. Liberdade traz sanidade. O zodíaco é um tipo de representação infantil do corpo de Nuit, uma diferenciação e classificação, um cinturão selecionado, um cinto de Nossa Senhora do espaço infinito. A conveniência da descrição escusa o engenho. O monte verde representa a terra fértil, sua forma, por assim dizer, aspirando aos céus. Mas em torno do topo do monte há uma muralha, o que indica que a aspiração do novo Æon não significa ausência de controle. Todavia, fora desta muralha estão as crianças gêmeas que (de uma forma ou outra) têm reaparecido tão frequentemente em todo este simbolismo. Representam o macho e a fêmea, eternamente jovens, despudorados e inocentes. Dançam na luz e, contudo, habitam sobre a terra. Representam o próximo estágio a ser atingido pela espécie humana, em que a liberdade total é semelhante à causa e o resultado do novo acesso de energia solar sobre a terra. A restrição de ideias tais como pecado e morte em seu velho sentido foi abolida. Aos seus pés encontram-se os mais sagrados sinais do velho Æon, a combinação da Rosa e a Cruz da qual eles surgem, formando ainda seu suporte. A própria carta simboliza esta ampliação da ideia da Rosacruz. A cruz expandiu-se agora para o Sol, do qual, é claro, ela se originou. Seus raios são doze ‒ não apenas o número dos signos do zodíaco, como também do mais sagrado título dos Antigos mais santos, os quais são Hua (a palavra HUA, “ele”, tem o valor numérico 12). A limitação da lei mundana, que está sempre associada ao número Quatro, desapareceu. Desaparecidos estão os quatro braços de uma cruz limitada pela lei; a energia criadora da cruz se expande livremente; seus raios perfuram em toda direção o corpo de Nossa Senhora das Estrelas. Com referência à muralha, convém observar que circunda completamente o topo do monte, o que é para frisar que a fórmula da Rosacruz é ainda válida em matérias terrenas. Mas há agora, como não foi o caso anteriormente, uma aliança estreita e definida com o celeste. É também sumamente importante observar que a fórmula da Rosacruz (indicada pelo monte cintado pela muralha) completou a mudança ígnea para “algo rico e estranho”, pois o monte é verde, quando se esperaria que fosse vermelho, e a muralha é vermelha onde se esperaria que fosse verde ou azul. A indicação deste simbolismo é que deve ser um dos grandes avanços no Ajustamento do novo Æon para resolver de maneira simples e sem preconceito os formidáveis problemas que foram criados pelo crescimento da civilização. O homem tem avançado até aqui a partir do sistema social, embora não fosse um sistema, do troglodita, a partir da concepção primitiva de propriedade do corpo carnal humano. O homem tem avançado até aqui a partir da classificação anatômica rudimentar da alma de qualquer dado ser humano; consequentemente aterrissou a si mesmo no mais horrível lodo de psicopatologia e psicanálise. Os preconceitos das pessoas que datam moralmente de cerca de 25.000 A.C. são enfadonhos e espinhosos. Largamente devido à sua própria intransigência, essas pessoas nasceram sob uma lei espiritual diferente; acham-se não apenas perseguidas por seus ancestrais, como também desnorteadas por sua própria incerteza de um ponto de apoio. Tem que constituir a tarefa dos pioneiros do novo Æon acertar isso.

ASPECTOS GERAIS: Alegria, desfrutar lado ensolarado da vida, renascimento, vontade de viver, êxito, desenvolvimento pessoal, direcionar-se para um ponto culminante.

VIDA PROFISSIONAL: Sucesso, superar as dificuldades, força de persuasão, criatividade, alegria no trabalho, ótimas perspectivas para planos futuros, boa cooperação, auto-realização.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Encontrar alegria de viver no estado de despreocupação original.

RELACIONAMENTO: Desfrutar amor, reconciliação, recomeço, tempos felizes, confiança profunda, mimar um ao outro generosamente.

ENCORAJA A: Empenhar-se em alcançar ápice, topo, um objetivo elevado, com confiança e firmeza.

ALERTA SOBRE: Superestima ingênua de si mesmo, leviandade ou desgaste de forças.

COMO CARTA DO DIA: Hoje é um dia ensolarado, que deve ser apreciado em toda a sua plenitude ou mesmo vivendo-o despreocupadamente ou comemorando algum triunfo pessoal. Você se sentirá hoje tão autoconfiante e fortalecido que será capaz até de ousar algo novo. Com a sua energia positiva e a sua atitude soberana, você será capaz de motivar e conquistar as pessoas à sua volta. Banhe-se na luz do seu sucesso e permita algo de bom a si mesmo e aos outros à sua volta.

COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você vai passear pelo lado ensolarado da vida. Aquilo que tem atormentado você com medos e incertezas sobre si mesmo pertence agora ao passado. Em vez disso, você desenvolverá esperança, alegria de viver, confiança em si próprio e sentirá prazer em ser centro das atenções. Você será presenteado pela vida com abundância e agirá, em conseqüência disso, calorosa e generosamente com as pessoas à sua volta. A sua franqueza lhe trará muita simpatia e ajudará a alcançar sucesso e realização tanto na vida profissional quanto na particular. Se você não se deixar ofuscar e se alegrar por tudo isso com gratidão, não correrá perigo de tornar-se presunçoso ou arrogante por ser tão iluminado pela luz solar.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Sol radiante

 

 

Alegria de viver, superação de medos e preocupações, clareza

No centro, rosa solar desabrochando (Sol)

 

 

União do princípio masculino com princípio feminino (rosa)

Crianças gêmeas, com asas de borboletas, dançando

 

 

Leveza, alegria espontânea, superacão dos opostos, "confraternização" interior

Rosas-cruzes aos pés das crianças

 

 

Harmonia entre a consciência divina e a existência terrena

Elipse com as cores do arco-íris contendo os signos zodiacais

 

 

Perfeição, a totalidade, harmonia entre consciente e inconsciente

Montanha verde

 

 

Montanha do paraíso, solo fértil

Muro vermelho

 

 

O cume da unidade está próximo, mas ainda não foi alcançado

Qabbala: Resh ר

 

 

Cabeça

Astrologia: Sol  ☉

 

 

Ânimo de vida, confiança

 

 

 

XX ‒ O ÆON

Nesta carta foi necessário partir completamente da tradição das cartas para prosseguir esta tradição. A velha carta era chamada de O Anjo, ou O Juízo Final. Representava um anjo ou mensageiro soprando uma trombeta, à qual estava presa uma bandeira portando o símbolo do Æon de Osíris. Abaixo dele abriam-se os túmulos e os mortos se levantavam. Eles eram três. O do centro tinha suas mãos erguidas em ângulo reto com os cotovelos e ombros, de maneira a formar a letra Shin, que se refere ao fogo. A carta representava, portanto, a destruição do mundo pelo fogo. Isto foi levado a cabo no ano 1904 da era vulgar quando o deus do fogo Hórus assumiu o lugar do deus do ar Osíris no Oriente como Hierofante (ver Atu V). No início, então, deste novo Æon, é adequado exibir a mensagem daquele anjo que trouxe a notícia do novo Æon à Terra. A nova carta é assim, necessariamente, uma adaptação da Estela da Revelação. Circundando o alto da carta está o corpo de Nuit, a deusa-estrela, a qual é a categoria da possibilidade ilimitada; seu companheiro é Hadit, o ponto de vista onipresente, a única concepção filosoficamente sustentável da realidade. Ele é representado por um globo de fogo, tipificando a energia eterna; é alado para mostrar seu poder de Ir. Como resultado do casamento destes dois, nasce a criança Hórus. Ele é, entretanto, conhecido por seu nome especial, Heru-ra-ha. É um deus duplo; sua forma extrovertida é Ra-hoor-khuit e a passiva ou introvertida é Hoor-pa-kraat (ver nas páginas anteriores a Fórmula de Tetragrammaton). Ele é também de caráter solar, sendo mostrado, por conseguinte, brotando em luz dourada. Todo este simbolismo é inteiramente elucidado em O Livro da Lei. Convém notar, a propósito, que o nome Heru é idêntico a Hru, que é o grande Anjo constituído como regente do Tarô. Este novo Tarô pode, portanto, ser considerado como uma série de ilustrações para O Livro da Lei, cuja doutrina está implícita em toda parte. Na parte inferior da carta vemos a própria letra Shin sob a forma sugestiva de uma flor; os três Yods são ocupados por três figuras humanas que surgem para participar da essência do novo Æon. Atrás desta letra há uma representação do signo de Libra, prenunciando o Æon que deve suceder o presente Æon, presumivelmente em cerca de 2.000 anos ‒ “a queda do Grande Equinócio; quando Hrumachis erguer-se-á, e aquele da dupla baqueta assumirá meu trono e lugar.” O presente Æon é jovem demais para proporcionar uma representação mais definida deste evento futuro. Mas em relação a isto, deve-se atentar para a figura de Ra-hoor-khuit: “Eu sou o Senhor da Dupla Baqueta de Poder; a baqueta da Força de Coph Nia ‒, mas minha mão esquerda está vazia, pois eu esmaguei um Universo; & nada permanece.” Há muitos outros detalhes relativamente ao Senhor do Æon que deveriam ser estudados em O Livro da Lei. É também importante estudar integralmente e meditar sobre este Livro a fim de apreciar os eventos espirituais, morais e materiais que têm marcado a transição catastrófica do Æon de Osíris. O tempo para o nascimento de um Æon parece ser indicado por grande concentração de poder político acompanhada de melhorias nos meios de viagem e comunicação, com um avanço geral da filosofia e a ciência, com uma necessidade geral de consolidação do pensamento religioso. É bastante instrutivo comparar os acontecimentos dos quinhentos anos que precedem e sucedem a crise de aproximadamente 2.000 atrás, com aqueles de períodos similares, centrados em 1904, da velha era. Constitui um pensamento nada confortador para a presente geração que 500 anos de Idade das Trevas estão provavelmente sobre nossas costas. Mas se a analogia for boa, este é o caso. Felizmente, hoje dispomos de tochas que iluminam mais e de mais portadores de tochas.

ASPECTOS GERAIS: Transmutação, recomeço, esperança, encontrar a si mesmo, desenvolvimento espiritual.

VIDA PROFISSIONAL: Passos direcionadores, reorganização, abrir-se para novos métodos de trabalho, aperfeiçoamento, trazer um espírito novo para a vida profissional.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Deixar-se envolver pelo espírito de uma Nova Era.

RELACIONAMENTO: Experimentar caminhos novos, impulsos estimulantes, renovação de relacionamentos existentes, novo amor, crescimento.

ENCORAJA A: Abrir-se para um novo processo e levá-lo cuidadosamente adiante.

ALERTA SOBRE: Subestimar as dificuldades iniciais.

COMO CARTA DO DIA: Hoje você deve dar uma nova ênfase à sua vida. É indiferente se isso será feito no âmbito da aparência externa ou com relação a coisas fundamentais do seu cotidiano e do ambiente à sua volta. Deixe velhos hábitos para trás e permita que novos ventos soprem por sobre os campos empoeirados. Não se prenda a tradições ultrapassadas e não aposte mais nas coisas aparentemente já comprovadas; em vez disso, abra-se para novas evoluções e tendências atuais, às quais futuro pertence.

COMO CARTA DO ANO: A partir deste ano, será iniciada uma era inteiramente nova na sua vida. Isso pode significar tanto a descoberta e desenvolvimento de interesses e habilidades até então ocultos como uma evolução decisiva e ampliadora da consciência ou uma mudança concreta no âmbito pessoal. Você poderá mudar de residência ou até mesmo emigrar, direcionar-se para novas atividades profissionais ou unir-se a pessoas interessantes e abertas, que estejam entrando agora na sua vida. Mantenha-se aberto para esse capítulo direcionador da sua história de vida, que conduzirá para um novo futuro. No início dessa fase de transição, deixe velhas estruturas para trás e não exija demais de si mesmo, tendo expectativas grandes demais. Cuide cautelosamente da semente do novo, dando-lhe tempo e espaço necessários para que cresça saudavelmente.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Corpo de uma mulher de cor azul. curvado em forma de um útero

 

 

Nut, deusa egípcia do céu, que à noite engole Sol e pela manhã dá à luz outra vez

Esfera de fogo alada e vermelha

 

 

Hadit, companheiro da deusa do céu

União de Nut e Hadit

 

 

O surgimento da Nova Era, da qual Hórus, visto como uma divindade dupla, é representante

Hórus, deus do Sol como uma figura dupla

 

 

Aspectos extrovertidos e introvertidos da força solar

Hórus adulto ao fundo, deus falcão coroado, sentado no trono do faraó

 

 

Poder consolidado, brilho exterior. grandeza

Hórus criança (Harpocrates) no primeiro plano com um cacho do lado da cabeça e a serpente Ureus

 

 

A força jovem, ainda terna e não utilizada; superação de velhas estruturas

Letra hebraica Shin ש na qual se encontram figuras humanas

 

 

A criança, adulto e velho; isso significa que todas as fases da vida participam da Nova Era

Qabbala: Shin ש

 

 

Dente

Astrologia: Elemento Fogo

 

 

Energia purificadora e confiante

 

 

 

XXI ‒ O UNIVERSO

A primeira e mais óbvia característica desta carta é que ela se coloca ao fim de todos os trunfos, sendo, portanto, o complemento de O Louco. É atribuída à letra Tau. Estas duas cartas juntas, consequentemente, indicam a palavra Ath, que significa essência. Toda a realidade está, por conseguinte, comprometida dentro da série da qual essas duas letras formam o início e o fim. Este início era o Nada, de modo que o fim tem que ser também o Nada, mas Nada em sua completa expansão, como foi previamente explicado. O número 4, preferivelmente ao número 2, foi escolhido como a base dessa expansão, em parte, sem dúvida, por uma questão de conveniência, para ampliar o “universo do discurso”, em parte para enfatizar a ideia de limitação. A letra Tau significa o sinal da cruz, ou seja, da extensão e esta extensão é simbolizada como quádrupla devido à conveniência de construir o símbolo revolvente do Tetragrammaton. No caso do número 2, a única saída é o retorno à unidade ou ao negativo. Nenhum processo contínuo pode ser convenientemente simbolizado; mas o número 4 se presta não apenas a essa extensão rigorosa, os duros fatos da natureza, como também à transcendência do espaço e do tempo por uma mudança continuamente auto-compensadora. A letra Tau é atribuída a Saturno, o mais remoto e lento dos sete planetas sagrados; em função destas qualidades de inércia e peso, o elemento terra foi imposto ao símbolo. Os três elementos originais, fogo, ar e água eram suficientes para o pensamento primitivo. Terra e espírito representam um acréscimo posterior. Tampouco são encontrados nos vinte e dois caminhos originais do Sepher Yetzirah. O mundo de Assiah, o mundo material, não aparece senão como um pendente da Árvore da Vida. Identicamente, o elemento espírito é atribuído à letra Shin como um ornamento adicional, de certo modo da mesma maneira que se dizia ser Kether simbolizada pelo ponto mais elevado do Yod de Tetragrammaton. É constantemente indispensável distinguir entre os símbolos da teoria filosófica e aqueles símbolos mais elaborados baseados neles que são necessários ao trabalho prático. Saturno e Terra têm algumas qualidades em comum: pesadume, frieza, secura, imobilidade, lentidão e similares. Todavia, Saturno aparece em Binah devido ao seu negrume na escala da Rainha, que é a escala da natureza observada, mas sempre, tão logo o fim de um processo é atingido, ele retorna automaticamente ao início. Na química, são os elementos mais pesados que são incapazes sob condições terrestres de suportar a solicitação e o esforço de suas estruturas internas; consequentemente, irradiam partículas do caráter mais sutil e da mais alta atividade. Num ensaio escrito em Cefalù, Sicília, a respeito da segunda lei da termodinâmica, foi sugerido que no zero absoluto do termômetro de ar, poderia existir um elemento mais pesado que o urânio, de tal natureza que seria capaz de reconstituir a série inteira dos elementos. Era uma interpretação química da equação 0 = 2. Torna-se, portanto, plausível argumentar a partir da analogia que visto que o fim tem que gerar o início, o simbolismo acompanha tal coisa; consequentemente, o negrume também é atribuído ao sol, de acordo com certa tradição oculta há muito tempo. Um dos choques para candidatos aos “Mistérios” era a revelação: “Osíris é um deus negro”. Saturno é, assim, masculino. Ele é o antigo deus, o deus da fertilidade, o sol no sul, mas igualmente o Grande Mar, a grande Mãe. E a letra Tau na Árvore da Vida aparece como uma emanação da lua de Yesod, o fundamento da Árvore e representativa do processo reprodutivo e do equilíbrio entre mudança e estabilidade, ou melhor, sua identificação. A influência do caminho desce sobre a Terra, Malkuth, a filha. Aqui novamente aparece a doutrina da “colocação da filha no trono da Mãe”. Na própria carta, por conseguinte, há um glifo da conclusão da Grande Obra em seu sentido mais elevado, exatamente como o Atu do Louco simboliza seu início. O Louco é o fluxo negativo para a manifestação, o universo é esta manifestação, seu propósito cumprido, pronto para retornar. As vinte cartas que se acham entre estas duas exibem a Grande Obra e seus agentes em vários estágios. A imagem do universo neste sentido é, consequentemente, aquela de uma donzela, a letra final de Tetragrammaton. Na presente carta ela é representada como uma figura dançante. Em suas mãos manipula a irradiante força espiral, a ativa e a passiva, cada uma detentora de sua polaridade dupla. O parceiro de dança dela é mostrado como Heru-ra-ha do Atu XIX. “O Sol, Força & Visão, Luz; estes são para os servos da Estrela & a Serpente.” Esta forma final da imagem da fórmula mágica do deus combina e transforma tantos símbolos que a descrição é difícil e seria inútil. O método adequado de estudo desta carta ‒ na verdade, de todas, mas especialmente desta ‒ é meditação contínua e longa. O universo, assim se enuncia o tema, é a celebração da Grande Obra cumprida. Nos cantos da carta estão os quatro Kerubim mostrando o universo estabelecido. Ao redor da donzela há uma elipse composta de setenta e dois círculos para os quinários do zodíaco, o Shemhamphorasch. No centro da parte inferior da carta está representado o plano estrutural da construção da casa da matéria. Mostra os noventa e dois elementos químicos conhecidos, dispostos conforme sua posição na hierarquia (este desenho se deve ao gênio do falecido J. W. N. Sullivan: ver The Bases of Modern Science). Ao centro, uma roda de luz inicia a forma da Árvore da Vida, exibindo os dez principais corpos do sistema solar. Mas esta Árvore somente é visível àqueles de coração inteiramente puro.

1. O primum mobile, representado por Plutão (comparar com a doutrina das partículas alfa de rádio).
2. A esfera do zodíaco ou estrelas fixas, representada por Netuno. .
3. Saturno. O Abismo. Este é representado por Herschel, o planeta da desintegração e explosão.
4. Júpiter.
5. Marte.
6. O Sol.
7. Vênus
8. Mercúrio.
9. A Lua.
10. A Terra (os quatro elementos).

Todos estes símbolos nadam e dançam numa ambiência complexa, mas contínua de lupes e espirais. A cor geral da carta tradicional é fulvo; representa a confusão e escuridão do mundo material. Mas o novo Æon trouxe plenitude de luz; no Minutum Mundum a Terra não é mais negra ou de cores mescladas, mas é de puro verde claro. Do mesmo modo, o azul escuro de Saturno é derivado do veludo azul do céu da meia-noite e a donzela da dança representa o resultado disto, ainda através disto, para o Eterno. Esta carta é hoje tão brilhante e ardente quanto qualquer outra do baralho.

ASPECTOS GERAIS: Conclusão, alegria de viver, estar no lugar certo, estar centrado em si mesmo, realização, retorno ao lar, reconciliação.

VIDA PROFISSIONAL: Alegria por realizar um trabalho, encontrar a sua vocação, alcançar uma meta, ser criativo e ter entusiasmo.

PLANO DA CONSCIÊNCIA: Contemplar todo, no qual início e fim formam uma unidade.

RELACIONAMENTO: Amor incondicional e repleto de entusiasmo, reconciliar-se, fusão e realização sexual, encontrar parceiro certo.

ENCORAJA A: Ocupar seu lugar e alegrar-se por sua vida.

ALERTA SOBRE: Acreditar já ter chegado definitivamente ao seu objetivo.

COMO CARTA DO DIA: Hoje você se sentirá cheio de vida, em comunhão consigo e com mundo. Ou as coisas estão andando da forma como você desejou, ou você não se está deixando afetar por possíveis interferências. Desfrute esse dia deixando a sua alma balançar-se e saboreando inteiramente esse sentimento paradisíaco. Você poderá também aproveitar a oportunidade para dissolver hostilidades. Mostre-se reconciliador e promova a paz. Isso irá preenchê-lo com uma imensa alegria.

COMO CARTA DO ANO: Neste ano, você terá a chance de encontrar seu lugar neste mundo, um lugar cheio de felicidade e alegria de viver. Se isso significa encontrar seu verdadeiro lar ou, no sentido figurado, encontrar uma amizade ou uma ligação amorosa na qual você se sinta emocionalmente protegido, é indiferente. Você irá desfrutar inteiramente desse "encontro". Também poderá tratar-se de um passo para a conscientização, que conduzirá para a sua pátria espiritual, no centro de sua alma. Como em um quebra-cabeça, cada parte de sua vida encaixar-se-à uma à outra harmonicamente, e aos poucos você reconhecerá uma imagem global que faça sentido. Essa ordem também se refletirá no seu cotidiano por meio de um sentimento de harmonia consigo mesmo e com mundo.

SÍMBOLOS:

 

 

SIGNIFICADOS:

Deusa virgem dançante

 

 

Alegria de viver, força geradora de vida

Serpente

 

 

Vida (caduceu), morte (serpente do paraíso) e regeneração

Dança

 

 

Superação da inimizade entre a serpente e a mulher, que foi imposta pelo pecado original e pela maldição divina

Olho radiante

 

 

Lei cósmica, conhecimento

Vulva cósmica aberta

 

 

Origem de toda criação

Solo original verde

 

 

Fertilidade, esperança

Anel estrelar composto de 72
círculos

 

 

A totalidade da criação, estrelas = universo; 72 é número simbólico de "todos os povos"

Esboço de um templo (na parte inferior)

 

 

Planta da criação

Quatro querubins que jorram água pela boca

 

 

A vivacidade da criação

No centro, indicação de uma roda

 

 

Início da árvore (cabalística) da vida

Qabbala: Tau ת

 

 

Símbolo da cruz

Astrologia: Saturno ♄

 

 

A estrutura da realidade

 

 

Amor é a lei, amor sob vontade.