Menu

Faze o que tu queres serÁ o todo da Lei.

LIBER XXV

 

Estrela Rubi / Star Ruby

RITUAL DO RUBI ESTRELA - FRATER PERDURABO, 1913 

 

 

 

NOTAS PRELIMINARES

Em Thelema o ritual XXV (Estrela Rubi) faz parte da rotina diária de ritos em conjunto com as adorações do Liber CC, os rituais Liber XXXVI, Liber XLIV e Liber V. Ele é usado como um meio para fortalecer a concentração, dissipar o "magnetismo impuro" em qualquer ambiente externo ou interno, para esconjurar espíritos indesejáveis e também serve como uma forma de oração ritual a ser realizado ao acordar e antes de dormir.

O Rubi Estrela é caracterizado pela inserção dos elementos thelêmicos e caldeus em contraparte aos ritos de banimento que em sua maioria eram de origem hebraica.  Uma mudança significativa onde os nomes dos arcanjos, de origem hebraica, são mudados, para entidades de origem caldeia. O povo caldeu, oriundo da península arábica, habitou a região sul da Mesopotâmia. Na história dos judeus, os caldeus através de Nabucodonosor, destruíram o templo de Jerusalém e os levaram ao cativeiro na Babilônia. Também se referiam a eles como a Babilônia de modo geral, principalmente pelo povo hebraico. A associação ao zoroastrismo ajuda a implicar um elo com ideias quase tão antigas quanto o povo judeu, além de que muitos conceitos babilônicos estão presentes no judaísmo e cristianismo.

Em relação as duas versões de Liber XXV, a revisão realizada em 1929 visou adequar o ritual a melhor compreensão da Obra de Therion após a concepção do Liber V vel Reguli - um ritual composto exclusivamente com elementos da cosmologia thelêmica: NUITH, HADITH, RA-HOOR-KHUIT, AIWAZ, THERION, BABALON, LASHTAL, THELEMA, AGAPE, AUMNG, ABRAHADABRA, LA, AL. sendo descrito por ele como “um encantamento apropriado para invocar as Energias do Æon de Hórus, adaptado para o uso cotidiano do Magista de qualquer grau”. O Ritual Sofreu uma adequação na cosmologia onde as entidades arquetípicas na etapa de visualização do pentagrama mudaram de ΧΑΟΣ e ΒΑΒΑΛΟΝ para Therion e Nuit, ΕΡΟΣ e ΨΥΧΕ para Babalon e Hadit, nestes últimos percebe-se uma inversão de gênero nos pontos cardeais oeste e sul. O oeste é o lugar de onde vem a luz, a sabedoria iniciática (no ritual de Neófito da Golden Dawn o Hegemon guiava o candidato do leste para o oeste, das trevas para a luz) e colocar Babalon neste ponto é coerente pois ela é a rainha da Cidade das Pirâmides sob a Noite de Pan, que significa as esferas acima do Abismo, a 'Fonte' e o sul, segundo Liber 418, é ‘o lugar apropriado do Sol e da sua força’ logo, nada mais coerente do que colocar Hadit, cuja simbologia é solar.Therion não forneceu muitas informações sobre ambas as versões os rituais do pentagrama, talvez pelos rituais dos pentagramas já serem bem conhecidos e os novos não fugirem dos mesmos objetivos de modo geral diferenciando essencialmente por invocar energias do Æon de Hórus.

A presença dos sinais de N.O.X. implica invocação de forças purificadoras, pois em Liber 418, 20º Æthyr, Therion recebeu a palavra no sentido numérico, 210, ‘para destruir todos os símbolos positivos, pois a verdadeira Roda é o círculo, a própria Nuit’; tais forças advém das esferas acima do Abismo. O Rubi Estrela é um ritual de banimento de caráter masculino em base marcial. Começa com invocação de uma força fálica partindo para as energias do Novo Æon, purificando via a tríade superior da Árvore da Vida e concluindo com antiquísimas energias do Velho Æon, não sendo um ‘puro sangue’ thelêmico, título que fica com Liber V vel Reguli. No 777, a pedra Rubi Estrela, representa a energia masculina da Estrela Criadora.

 

O RITUAL

 

 

Vestindo-se adequadamente com o Robe Negro, oriente-se a sua Kibla, no centro do templo, inspire profundamente; fechando sua boca com seu dedo indicador direito pressionado contra seu lábio inferior. Então, lançando abaixo a mão com uma grande varredura para trás e para fora, expelindo violentamente teu ar, diga com vontade: ΑΠΟ ΠΑΝΤΟΣ  ΚΑΚΟ∆ΑΙΜΟΝΟΣ

Levante o braço esquedo acima da cabeça e com os dedos indicador e médio estendidos e os outros dedos fechados, convoque do sahasrara, o infinito raio de luz, toque o Ajna e vibre visualizando as letras em grego: ΣΟΙ - " SOI" - toque o sexo e vibre: Ω ΦΑΛΛ "O FALLE". Convocando novamente a linha de luz surgindo de(Sul), toque o ombro direito e vibre: ΙΣΧΥΡΟΣ "ISCUROS" - toque o ombro esquerdo e vibre: ΕΥΧΑΡΙΣΤΟΣ "EUCARISTOS", estende os braços em Tau e junte as mãos no peito vibrando: ΙΑΩ " IAO; Isis - Apophis - Osiris"

Continuando em, avançe um passo ao Leste, sinta o pentagrama vermelho flamejando dentro de sua cabeça. A sensação e imagem devem ser nítidas. Em seguida, coloque as mãos na face encobrindo o rosto, arqueando o corpo para trás, inspirando profundamente, e então, fazendo o Sinal do Entrante, lance-o, em chamas, para frente, rugindo THERION. Toque o centro do pentagrama e gire até o quadrante sequinte traçando uma linha dourada.

Em (Norte), repetindo as instruções anteriores, lance o Pentagrama para frente e diga NUIT.

Em (Oeste), lance o Pentagrama para frente e sussurre BABALON.

Em(Sul), repita o processo anterior e diga firmemente HADIT.

Fechando o anel de fogo dourado, retorne ao centro do templo. Vibre com vontade ao absoluto ΙΟ ΠΑΝ (IO PAN) enquanto executa os sinais נעצ N.O.X.

Estenda os braços na forma de um Tau, e diga baixo, mas claro: Προ μου Ιυγγεσ, οπισω μου Τελεταρχαι, επι δεξια Συνοχεσ, επαριστερα Δαιμονεσ, φλεγει γαρ περι μου Ο Αστηρ των Πεντε και εν τηι στηληι Ο Αστηρ των Εξ εστηκε.

PRO MOU IUGGES, OPISO MOU TELETARCAI, EPI DECIA SYNOSES, EPARISTERA DAIMONES, FLEGEI GAR PERI MOU O ASTHR TON PENTE KAI EN THI STHLHI O ASTHR TON EX ESTHKE

Os pentagramas flamejam nos pontos em que foram lançados unidos pelo anel de ouro e o enorme hexagrama está formado acima e abaixo do templo. Dê o sinal Hoor-pa-kraat, banindo com energia e diga, como no inicio do ritual: ΑΠΟ ΠΑΝΤΟΣ  ΚΑΚΟ∆ΑΙΜΟΝΟΣ e está finalizado.

   

25 é o quadrado de 5, e o Pentagrama tem a cor vermelha de Geburah. Existindo muitas outra correspondências numêricas já que o sentido secreto destas palavras é revelado na numeração de cada uma, por exemplo:

θεριον - 247 - Therion
Εικασια - Imagem
ΑδαμαΒ - Aço
13 x 19 = 13 (Bια - "Força") x 10 (H Ια - "The One")

A palavra é usada no sentido da grande besta, preferencialmente ao invés de um animal selvagem, especialmente macho. É atribuído a touro, se considerado sua posição cardinal, ou a HOD.

ΝUΙΤ - 469 - Nuit
Qεια ΚορbαναΒ - "A Divina Casa dos Tesouros"
H ΙεροΒ Qεαινα - "O deusa sagrada"
Είμαι Ευνοϊκές - "Eu sou favorável"

É o produto dos primos 7x67. e tem a influência nos conceitos de gêmeos, ZAIN, e BINAH. 67 representa o útero da mãe contendo os gêmeos. É a epítome do elemento ar. É atribuída a aquário. Representa a mãe arquetípica, sendo atribuída a BINAH.

BΑBΑΛΟΝ - 156 - Babalon
Λάμδα Λάμδα + Λάμδα Λάμδα "Lambda Lambda"
(L [30] + L [30] = 60 - Mageia - Magic)
Μαια Αιγλh Ιαμα- "Mãe" + "Brilho / tocha" + "Cura"
Κακια Ανα Αιμα - "Maldade" + "! Levanta-te / Para Cima / alto" + "Sangue / Vida"
12 x 13 = 12 (número de constelações no Cinturão do Zodíaco) X אחד (Achad - Unidade)
O número de quadrados ou "pirâmides" Enochianas elementares de John Dee e Edward Nhan (Talbot) Kelley.

É a manifestação física de NUIT. A epítome da fêmea ou o reflexo de BINAH em NETZACH, na base do pilar da misericórdia. É atribuída ao elemento água. é o complemento de THERION e é atribuída a escorpião.

ΑΔΙQ - 24 - Hadit
Número de letras do alfabeto grego
ΑΕΙ H - "O Imortal"
Bια+ HBΑ - "Força" + "Juventude"

HADIT é o complemento de NUIT, e representa o elemento fogo. NUIT é a infinita expansão e HADIT a infinita contração. É atribuído a leão, estando no topo do pilar da misericórdia, em CHOKMAH o círculo de banimento é completado voltando-se para o leste. O círculo possui um aspecto macrocósmico.

TOTAL = 896 - Η νίκη Κόσμου- "A vitória do Universo"
224 X 4 - Aigis (Aegis, a tempestade, o escudo de Zeus e Atena)
X 4 (# Elementos / cardeais direções / ventos etc.)
Αστρα QειοΒ - "Estrela de Deus"
Αφροδισια - "Festa de Afrodite"

VIR, MULIER, PUER, PUELLA, indicam a seqüência no Tarot e em IHVH VIR=Capricórnio, MULIER=Câncer, PUER=Áries e PUELLA=Libra. Capricórnio - Diabo / Câncer - Carruagem / Áries - Imperador / Libra - Ajustamento


Inteligências Neoplatônicas

Os nomes Iunges, Teletarchai, Sunoches e Daimones, são inteligências do Neoplatonismo, originárias dos Oráculos Caldeus, Chaldæan Oracles Zoroaster, equivocadamente atribuídos a Zoroastro e que contém a doutrina e a filosofia da antiga Balilônia. Cada um destes nomes não identifica um ser em particular, se refererindo a uma determinada classe de semideuses, no caso dos três primeiros, e o último se refere as seres espirituais posição hierárquica "inferior". Os Iunges, Sunoches e Teletarchai, que podem ser ligeiramente traduzidos como Rodopiantes, Conectores e Aperfeiçoadores, pertencem à Segunda Ordem da Hierarquia Emanacionista, à Segunda Mente, ao Mundo Empírico, no sistema dos Oráculos Caldeus. Neste sistema, eles são os intelectuais e inteligíveis e formam a "Tríade Intelectual”, os Três Supernais. Note-se que aqui “intelectuais” e “inteligíveis’ nada tem a ver com o com seus significados comuns, e seus reais significados só podem ser perfeitamente compreendidos acima do abismo. A Tríade Intelectual se origina dos Pensamentos do Pai, uma Inteligência Superior e Fonte todas as Coisas. Eles são os guardiões das obras do Pai e da Mente Única, a Inteligível. Os Daimones são espíritos que estão abaixo do abismo. Iunges, Sunoches e Teletarchai, correspondem, respectivamente, a: Chockmah, Binah e ao Pilar Mediano, e não exatamente às três Sephiroth Supernais da Qabalah Hebraica ou da Ocidental.

Todos estes são “Espíritos Mediadores” e são essenciais nos Ritos Teúrgicos. Eles participam no governo do universo mantendo os canais de influência e vínculos de harmonia emanados de Nous (Inteligência em Grego). Eles são os Iniciadores (Iunges), Mantenedores (Sunoches), Aperfeiçoadores (Teletarchais) e Executores (Daimones) do Impulso Criativo Divino que se origina no mundo inteligível e se manifesta no mundo sensível.

Iunges (os Iniciadores)

São os que dão poderes às Idéias Simbólicas, Signos, e Símbolos usados nos Ritos Teúrgicos. Aeschylus usou esta palavra para metaforicamente se referir a "encanto, feitiço, desejo ardente e apaixonado". A palavra vem do grego IUGMOS denotando um som agudo e foi usada para se referir ao som emitido pelo pássaro chamado wryneck, significando “grito”. O wryneck, cujo nome em português é torcicolo, é um pássaro semelhante ao pica-pau e recebe este nome (torcicolo) devido ao seu hábito de torcer a cabeça e o pescoço. Ele é conectado ao simbolismo da roda. Os antigos Feiticeiros Gregos os utilizavam como amuletos, amarrando-os a rodas em movimento para que recuperassem amantes infiéis. Os Iunges são, metaforicamente, o grito dos wrynecks na roda em movimento.

Os Iunges são inteligências conceptivas, férteis, fecundas. Assim, eles fecundam os os Sunoches (os Conectores), e o resultado disto serão os Teletharcai. Os Iunge é o Operador; o Doador de Vida que porta o Fogo Noético (de Nous); ele enche o peito de Hécate, a Mãe Natureza, fornecendo a vida; e instila (introduz gota a gota) nos Synoches a força vivificante do Fogo Noético, dotando-os com vigoroso Poder. Os Iunges são uma conjuração, os Synoches são uma ligação, com amor (Amor sob Vontade), conectada e forte. Nesta visão, fica muito coerente ligar os Iunges à Chockmah e os Sunoches à Binah, pois também na Qabalah Chockmah (AB, o Pai) fecunda Binah (a Mãe Supernal). Nesta linha, eu me atreveria a associar os Teletarchai com o Microprosopus, ou o Pequeno Rosto, composto pelas seis Sephiroth posteriores lideradas por Tiphereth.; sendo Tiphereth um grande símbolo de Iniciação. Continuando neste pensamento, eu diria que os Daimones seriam os espíritos mais próximos a Malkhut, que estão entre Malkuth e as demais Sephiroth, seriam o que poderíamos de certa forma chamar simplesmente de anjos.

Teletarchais (os Aperfeiçoadores)

Os “Mestres da Iniciação”, são os principais seres nesta Teurgia. Também são chamados de: Mestres de Cerimônia, Mestres do Templo, Hierofantes. A palavra Teletarchai se origina das palavras gregas telete ou “rito” (especialmente de iniciação aos mistérios) e archon/archai, que significa “senhor” ou “líder”, sendo assim o “senhor do rito”. Eles não são apenas conectados à própria iniciação, mas também ao resultado de uma iniciação. Teletarchai é o resultado dos “Iunges fertilizando os Sunoches”. Os Teletarchais são chefiados por Eros, e são aqueles que unem as Idéias. Antes das idéias serem criadas, Eros saltou da Inteligência Paternal, e misturou o que viriam a ser as Idéias, cujo estado embrionário existia nesta mesma fonte, por meio de Seu Fogo de União (União aqui é igual a: Encantamento de Amor). Pois sem seu poder de união, as Idéias não poderiam ser consolidadas dentro do Logos. Três tipos de Teletarchais são os Kosmagoi ou Governates dos Três Mundos Neoplatônicos (Empíreo, Etéreo, Material): Aiôn (não o Deus inefável de mesmo nome), Helios, e Selene. Note que os Iunges são os Iniciadores, os que plantam a semente, e os Teletarchai os Mestres da Iniciação.

Sunoches (ou Synokheis - os Mantenedores)

São os Conectores, são aqueles que mantém unido, inseparável, o elo, a ligação. Eles se referem à noção de eternidade. Para compreender os Sunoches deve-se compreender os Iunges.

Daimones (os Executores)

É o plural de Daimon e se referem a “seres do mundo espiritual”. Nos Oráculos Caldeus, a tríade Iunges/Teletarchai/Sunoches fazem parte de um grupo específico, mas Daimones recebem uma diferenciada classificação. Neste sistema, os Daimones são classificados inferiores aos semideuses, sendo assim espíritos mais ligados ao ambiente terrestre que ao espiritual propriamente dito. Não obstante, a direção norte, a da mais vasta escuridão, pertence a eles. Hesíodo se referiu ales como “as almas da Idade Dourada que formaram um vínculo entre os deuses e os homens”; na verdade são eles que conectam os homens com as três inteligências (semideuses) anteriores. Nesta linha, os Daimones poderiam ser considerados como um grupo de pessoas que alcançaram as sua Verdadeiras Vontades. De fato eles estão conectados com a Verdadeira Vontade, e há quem os considere como sendo o SAG (Sagrado Anjo Guardião). O nome Daimones pode causar uma ligeira confusão, já que com o advento do Novo Testamento o nome passou a ser uma referência para “demônio”, mas a palavra Daimon (no singular) é anterior a este Testamento e se refere mesmo a seres do mundo espiritual, puros indiferentes, amorais, eles são dependentes da natureza humana. Daimon pode variavelmente se referir a: deus, deusa, gênio, etc.

Iunges

 

Iniciadores

 

Rodopiantes

 

Encantos/Feitiços

Teletarchais

 

Aperfeiçoadores

 

Senhores do Rito

 

Mistérios

Sunoches

 

Mantenedores

 

Conectores

 

Restrições

Daimones

 

Executores

 

Espíritos

 

Gênios


Na invocação: 
PRO MOU IUGGES: Diante de mim os Encantos/Feitiços. 
OPISO MOU TELETARKAI: Atrás de mim os Mistérios. 
EPI DEXIA SUNOKES: À minha direita as Restrições (no sentido de manter preso a algo). 
EPARISTERA DAIMONES: À minha esquerda os Gênios. 

 

Amor é a lei, amor sob vontade.